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Mundial-2026: Messi regressa ao palco do quase adeus à procura do bi e de desafiar o legado de Pelé

A discussão sobre Messi e Pelé ganha mais força com possibilidade do bi mundial do craque argentino
A discussão sobre Messi e Pelé ganha mais força com possibilidade do bi mundial do craque argentinoReprodução

O futebol costuma proporcionar reviravoltas capazes de transformar o palco de uma das maiores desilusões da carreira de um jogador no cenário da sua consagração definitiva. Este domingo, Lionel Messi regressa ao relvado do MetLife Stadium, em Nova Jérsia, para liderar a Argentina na final do Campeonato do Mundo de 2026, a terceira da sua carreira.

Acompanhe as incidências no Flashscore

O enredo ganha contornos dramáticos por conta do passado: foi exatamente neste mesmo estádio, há dez anos, na final da Copa América Centenário de 2016 contra o Chile, que um Messi desolado após perder um pénalti anunciou em lágrimas que a sua trajetória com a camisola albiceleste havia chegado ao fim.

"A seleção acabou para mim", disse naquela noite.

Para os adeptos argentinos, chegou o alívio. A declaração, feita de cabeça quente, não passou de um impulso momentâneo. Messi regressou, conquistou o Campeonato do Mundo no Catar, em 2022, e está agora a apenas 90 minutos de alcançar um feito que parecia impossível: o segundo título mundial consecutivo.

Caso o triunfo chegue nesta "Copa das Copas", a primeira da história com 48 seleções e três países anfitriões, a conquista não só permitirá fechar uma ferida histórica em solo norte-americano, como também lançará o futebol para um debate inevitável e desconfortável para os brasileiros.

Se Messi conquistar o Mundial de 2026, ultrapassa Pelé como o melhor jogador de todos os tempos? É uma discussão que muitos adeptos brasileiros se recusam terminantemente a ter, mas que, para analistas internacionais e até para vários profissionais do futebol, já está aberta há muito.

Antes da final, o médio espanhol Rodri voltou a alimentar o debate ao afirmar categoricamente que Messi é o melhor jogador da história, sem margem para discussão.

Para compreender a dimensão deste debate, basta olhar para a comparação estatística e para o impacto de Pelé e Messi em Campeonatos do Mundo, ambos a níveis verdadeiramente impressionantes.

Pelé: O ápice do aproveitamento

O eterno camisola 10 brasileiro disputou quatro Campeonatos do Mundo, em 1958, 1962, 1966 e 1970, e conquistou três títulos, um recorde absoluto e isolado na história da competição.

Em 14 jogos disputados em Mundiais, Pelé marcou 12 golos e fez oito assistências. A média de 0,86 golos por partida e o facto de ter sido uma das grandes figuras da era dourada do futebol brasileiro, logo aos 17 anos, ajudam a explicar a dimensão do seu legado.

Messi: A longevidade dos recordes 

Lionel Messi, por seu lado, participa no sexto Campeonato do Mundo consecutivo, depois de ter marcado presença nas edições de 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. É já o jogador com mais partidas na história da competição, tendo ultrapassado os 26 jogos de Lothar Matthäus, e também o melhor marcador de sempre da Argentina em Mundiais.

Campeão em 2022 e figura maior do torneio disputado no Qatar, Messi chega à final de 2026 com a possibilidade de repetir o feito alcançado pelo Brasil de Pelé e Garrincha, campeão mundial em duas edições consecutivas, em 1958 e 1962.

Com 21 golos em Campeonatos do Mundo, o argentino é ainda o segundo melhor marcador da história da prova, apenas atrás de Kylian Mbappé, que soma 22.

Tem debate?

A discussão ganha força porque, no futebol moderno, a longevidade de Messi no mais alto nível ao longo de quase duas décadas, marcada por Bolas de Ouro, Ligas dos Campeões e uma competitividade constante, rivaliza diretamente com o peso mítico dos três títulos mundiais de Pelé, numa época em que o Campeonato do Mundo era o principal e mais definitivo critério de grandeza.

Para muitos, a comparação não faz sentido e a coroa do Rei do Futebol permanecerá intocável. Para outros, um Messi bicampeão mundial aos 39 anos, a liderar uma Argentina em transição na maior edição de sempre da prova, representaria o argumento final para encerrar o debate.

 

A resposta definitiva poderá ser dada no mesmo MetLife Stadium que um dia viu Messi desistir, provando que o futebol adora dar segundas oportunidades a quem tem a genialidade nos pés.