Mundial-2026: Pochettino sob pressão diante de Portugal, após goleada sofrida frente à Bélgica

Mauricio Pochettino, selecionador nacional dos EUA
Mauricio Pochettino, selecionador nacional dos EUAJAMIE SABAU / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O selecionador dos EUA, Mauricio Pochettino, prevê que o confronto de preparação para o Mundial-2026 frente a Portugal, na quarta-feira, será um desafio ainda mais exigente para os coanfitriões do torneio do que a recente derrota por 2-5 diante da Bélgica.

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No entanto, Mauricio Pochettino garantiu estar satisfeito por a sua última oportunidade de avaliar os jogadores antes de anunciar a convocatória para o Mundial ser mais um amigável de elevado grau de dificuldade, frente a uma seleção de topo.

"Nunca pensámos que defrontar a Bélgica ou Portugal seria fácil," afirmou Pochettino após a pesada derrota de sábado frente à Bélgica, em Atlanta.

"Sabíamos que teríamos de ir ao limite e que isso nos daria uma dose de realidade. Temos muitos aspetos a melhorar... Portugal vai colocar-nos um desafio ao mesmo nível – ou talvez ainda maior – e precisamos de elevar o nosso jogo", assumiu o treinador.

A pressão sobre os homens de Pochettino para corresponderem este verão é elevada.

Os EUA vão defrontar o Paraguai, a Austrália e, ainda, a Turquia ou o Kosovo no seu grupo do Mundial, um sorteio considerado relativamente favorável pelos analistas para os coanfitriões.

Todos esses jogos vão disputar-se em solo americano – tal como eventuais partidas a eliminar, caso avancem – o que aumenta ainda mais as expectativas.

Mark McKenzie, dos EUA, e Lois Openda, da Bélgica, disputam a bola no Mercedes-Benz Stadium
Mark McKenzie, dos EUA, e Lois Openda, da Bélgica, disputam a bola no Mercedes-Benz StadiumDale Zanine-Imagn Images

A escolha dos adversários para os últimos amigáveis de preparação dos Estados Unidos antes do Mundial obrigava sempre a encontrar um equilíbrio entre reforçar a confiança dos jogadores e submetê-los a testes exigentes.

Ao contrário dos adversários de topo dos norte-americanos, por exemplo, a Argentina natal de Pochettino jogou esta semana um amigável frente à Mauritânia, 115.ª do ranking, que venceu por 2-1, e contra a Zâmbia, 91.ª classificada.

"Precisamos de jogos competitivos para chegar ao Mundial no nosso melhor", disse Pochettino aos jornalistas.

"Acho que podemos chegar com a ideia errada – de que somos tão bons, tão bonitos, tão bem vestidos, e que somos americanos. É bom sentir isso. Mas se queres vencer o Mundial, se queres passar à fase seguinte do grupo e bater o Paraguai... achas que eles não vão lutar?", questionou.

Dilemas nas escolhas persistem

Tirando as lesões, Pochettino apostou numa equipa praticamente na máxima força frente à Bélgica.

Os EUA alinharam com estrelas como Christian PulisicWeston McKennie.

Após a derrota, Pochettino afirmou que a sua equipa foi superior nos primeiros 30 minutos, mas que teria de aprender uma lição importante sobre baixar a intensidade frente a adversários deste nível, que acabaram por marcar cinco golos.

"Perder um jogo... na minha opinião, nunca é realmente bom", disse McKennie.

Ainda assim, manifestou esperança de que a equipa fique "mais forte para o jogo com Portugal", que ocupa o quinto lugar no ranking mundial da FIFA.

Com as lesões dos defesas Sergino Dest, Chris Richards e Miles Robinson, assim como do médio defensivo Tyler Adams, Pochettino viu-se obrigado a experimentar Timothy Weah a lateral-direito.

Weah teve muitas dificuldades a defender perante um Jeremy Doku em grande forma.

Pochettino também testou a meio-campo Johnny Cardoso – que tem estado em destaque no Atlético de Madrid, mas que muitas vezes desaparece com a camisola dos EUA, tendo sido substituído ao intervalo – e Tanner Tessmann.

Pochettino admitiu que Tessmann "pode fazer melhor" à frente da defesa dos EUA, acrescentando: "Já o vi fazer jogos melhores do que hoje."

É um dilema no meio-campo que o treinador terá de resolver rapidamente.

Depois de Portugal, os EUA vão disputar os últimos jogos de preparação frente ao Senegal, cuja vitória sobre Marrocos na final da Taça das Nações Africanas foi recentemente anulada, e contra outra seleção do top-10 mundial, a Alemanha.

Mas Pochettino garantiu que "não vai mudar a abordagem por causa do resultado" frente à Bélgica: "Temos de continuar com o plano."