"O presidente americano escreveu dois tweets a pedir que fosse concedido asilo político às nossas jogadoras (...) e que, caso a Austrália não o fizesse, ele próprio o faria. Ele fez 160 mártires ao matar as nossas raparigas em Minab e agora está a tomar as nossas raparigas como reféns. Como é possível ser otimista nestas condições em relação ao Mundial nos Estados Unidos?", afirmou o líder da Federação iraniana, em declarações à televisão nacional.
"Se o Mundial decorrer nestas condições, que pessoa sensata enviaria a sua seleção nacional para um lugar assim?", acrescentou, numa altura em que o Irão terá de disputar os seus três jogos da primeira fase do Mundial nos Estados Unidos, dois em Los Angeles e um em Seattle, num grupo que inclui Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
A Austrália concedeu asilo a cinco jogadoras da equipa feminina iraniana de futebol, consideradas "traidoras" no seu país, depois de se recusarem a cantar o hino nacional antes de um jogo da Taça da Ásia, numa altura em que a guerra está a devastar o Médio Oriente desde o início da intervenção americano-israelita no Irão, a 28 de fevereiro, que resultou, entre outros acontecimentos, na morte do antigo líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei.
Esta decisão foi tomada por receio de que fossem perseguidas ao regressar, anunciou esta terça-feira o ministro do Interior, Tony Burke.
As atletas mantiveram-se em silêncio enquanto tocava o hino iraniano antes do seu primeiro jogo da Taça da Ásia frente à Coreia do Sul, dois dias após o início da guerra. Nos jogos seguintes, acabaram por cantar o hino.
Esta postura foi vista como um ato de rebelião e um apresentador da televisão estatal classificou as jogadoras como "traidoras em tempo de guerra", representando o "ápice da desonra". Muitas pessoas apelaram depois à Austrália para garantir a sua segurança, incluindo o presidente americano Donald Trump.
Os australianos "já estão a cuidar de cinco delas e as restantes seguirão. Algumas, no entanto, sentem que têm de regressar (ao Irão) porque temem pela segurança das suas famílias", declarou Trump na segunda-feira, após uma conversa com o primeiro-ministro australiano.
Taj já tinha manifestado, na semana passada, sérias dúvidas sobre a participação do Irão no Mundial, poucas horas após o início do ataque americano-israelita.
"O que é certo neste momento é que, com este ataque e esta crueldade, não se pode olhar para o Mundial com esperança", explicou, sublinhando que a decisão final caberá às "autoridades desportivas" do país.
