Mundial-2026: Selecionador de Itália pede desculpa pela terceira ausência seguida

Gattuso fala em derrota justa
Gattuso fala em derrota justaReuters

O selecionador de Itália, Gennaro Gattuso, pediu na terça-feira desculpa pela terceira ausência seguida dos transalpinos da fase final do Mundial de futebol, face à derrota nos penáltis com a Bósnia-Herzegovina, no Caminho A do play-off europeu de qualificação.

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“Peço desculpa, porque não atingimos o objetivo. É um golpe duro e difícil de engolir, porque os jogadores surpreenderam-me com a garra e paixão demonstradas. Estivemos em vantagem e procurámos resistir, mas cá estamos pela enésima vez a falar sobre não ir ao Campeonato do Mundo”, afirmou o técnico, em declarações na zona de entrevistas rápidas à estação televisiva Rai Uno, no fim do jogo disputado em Zenica.

Campeã do mundo em 1934, 1938, 1982 e 2006 e finalista derrotada em 1970 e 1994, a Itália perdeu no desempate por grandes penalidades (4-1), após a igualdade 1-1 no fim do tempo regulamentar e no prolongamento.

Moise Kean ainda adiantou os transalpinos (15 minutos), que ficaram em inferioridade numérica antes do intervalo, por expulsão de Alessandro Bastoni (41), e viram o recém-entrado Haris Tabakovic empatar para os bósnios (79), qualificados pela segunda vez, 12 anos depois da estreia.

Não quero falar sobre a arbitragem nem sobre mais nada, porque, no fim de contas, o que aconteceu foi justo. Isto é futebol. Às vezes, traz alegria ou muita dor. Foi difícil. Ficámos reduzidos a 10 jogadores e tivemos três oportunidades para marcar. É uma pena, mas futebol é futebol”, lamentou Gattuso, ex-internacional e campeão mundial como futebolista em 2006.

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squadra azzurra falhou pela quinta vez, e terceira seguida, o acesso à fase final do principal torneio internacional de seleções e voltou a ceder no play-off, tal como aconteceu em 2018 e 2022, quando foi batida por Suécia, a duas mãos, e Macedónia do Norte, em encontro único, respetivamente.

Os jogadores deram tudo e, se alguém me pressionasse agora, nada sairia do meu corpo, nem sangue. Dói, porque precisávamos disto para nós, as nossas famílias, o país inteiro e o futebol italiano. Falar sobre o meu futuro não importa. O importante era o apuramento para o Mundial-2026”, admitiu Gattuso, antes de encerrar a entrevista em lágrimas.

Em junho de 2025, a meio da fase de qualificação, o antigo médio sucedeu a Luciano Spalletti, atual treinador da Juventus, no comando técnico da Itália, que fechou o Grupo I no segundo lugar, de entrada no play-off, com 18 pontos, a seis da apurada Noruega, frente à qual perdeu duas vezes.

Ao falharem a terceira qualificação seguida - estiveram também ausentes em 1930, na edição inaugural, e 1958 -, os transalpinos vão ficar, pelo menos, 16 anos sem atuar em Campeonatos do Mundo, tendo nas últimas duas presenças, em 2010 e 2014, sido afastados logo na fase de grupos.

Além dos quatro títulos mundiais, a Itália conquistou dois Europeus, em 1968, como anfitriã, e 2020, numa edição disputada no ano seguinte, devido à pandemia de covid-19, tornando-se agora a seleção com lugar mais alto no ranking da FIFA (12.º) a falhar o Mundial-2026, apesar do alargamento de 32 para 48 finalistas e das 16 vagas europeias disponíveis.

A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e conta pela primeira vez com 48 seleções, incluindo Portugal, numa inédita organização tripartida entre Canadá, México e Estados Unidos.