Do lado colombiano, porém, a lembrança daquele Mundial é bem diferente. Liderada por James Rodríguez, melhor marcador da competição com seis golos, a Colômbia alcançou a sua melhor campanha em Mundiais ao chegar aos quartos de final. 12 anos depois, a seleção cafetera desembarca na América do Norte sonhando em repetir — ou até superar — o feito histórico.
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A edição de 2026 será a sétima participação da Colômbia em Mundiais. A estreia aconteceu em 1962, no Chile, mas a presença do país no torneio só se tornou frequente a partir da geração liderada por Carlos Valderrama, Freddy Rincón e Faustino Asprilla, que disputou os Mundiais de 1990, 1994 e 1998. Depois, os colombianos regressaram em 2014 e 2018, antes de ficarem fora do Mundial do Catar.
Participações da Colômbia em Mundiais:
1962 - fase de grupos
1990 - oitavos de final
1994 - fase de grupos
1998 - fase de grupos
2014 - quartos de final
2018 - oitavos de final

Força sul-americana
Agora, a equipa comandada pelo argentino Néstor Lorenzo chega embalada por uma campanha consistente na qualificação sul-americana. A Colômbia terminou na terceira posição e sofreu apenas quatro derrotas ao longo da competição.
O plantel reúne jogadores espalhados pelas principais ligas do mundo e não conta com atletas a atuar no futebol colombiano.

Jogo vertical e aposta na força ofensiva
Para o técnico Reinaldo Rueda, ex-selecionador colombiano e campeão da Libertadores com o Atlético Nacional, a principal característica da equipa está na forma agressiva de atacar.
Em entrevista ao Flashscore, o treinador destacou a verticalidade da equipa e a capacidade de explorar a velocidade e a qualidade técnica dos seus principais jogadores.
Luis Díaz, Jhon Arias, Jhon Córdoba e Richard Ríos aparecem entre os nomes mais importantes da engrenagem montada por Lorenzo. Ainda assim, Rueda considera que o segredo do sucesso da Colômbia no Mundial passa menos pelo ataque e mais pelo equilíbrio defensivo. "À medida que consiga esse controlo e esse equilíbrio defensivo, a Colômbia pode fazer um grande Mundial", afirmou.
Nesse aspeto, a experiência pode ser um diferencial. Jogadores como Davinson Sánchez, Yerry Mina, Johan Mojica e Santiago Arias carregam bagagem internacional e experiência em Mundiais. Todos jogaram em 2018, na Rússia.
James como símbolo da seleção
Mesmo longe do auge técnico que o transformou num dos protagonistas do Mundial-2014, James Rodríguez continua a ser a principal referência da equipa para boa parte dos colombianos. Rueda assegura a tese de que o médio mantém um peso especial dentro da seleção.
"É o líder carismático e também uma referência técnica. Talvez não esteja no momento ideal da carreira, mas os adeptos acreditam muito nele", disse. Para o treinador, uma boa campanha em 2026 pode consolidar definitivamente James, que se transforma com a camisola amarela, segundo ele, entre os maiores jogadores da história do futebol colombiano.

Na terça-feira, James entrou apenas no segundo tempo no particular contra a Costa Rica, mas fez uma assistência precisa com para outro jogador em destaque na seleção cafetera. Também de pé esquerdo, Suárez, avançado do Sporting, fez o terceiro golo da vitória por 3-1. Esse lance pode ser uma síntese das armas ofensivas da seleção sul-americana.
Daniel Muñoz é nome citado por Rueda como potencial surpresa com a camisola cafetera. Titular do Crystal Palace, o lateral-direito foi apontado como um dos atletas mais regulares da última temporada europeia. "É um lateral muito moderno, inteligente taticamente e extremamente eficiente", avaliou.

Espanha fora dos favoritos
Ao analisar os candidatos ao título mundial, Rueda destaca um fator que considera decisivo: a continuidade dos projetos técnicos. Na visão do treinador, seleções que mantiveram os seus treinadores ao longo do ciclo chegam mais preparadas para enfrentar um torneio curto e de alta intensidade.
Por isso, dois emblemas europeus estão no topo da sua lista. "Vejo França e Portugal como as seleções mais maduras e mais prontas neste momento", afirmou. Ou seja, a Colômbia terá um teste duro, já na fase de grupos, contra Portugal. As duas seleções encontram-se no terceiro jogo.
Brasil e Argentina completam o grupo de favoritos do ex-técnico colombiano. Sobre os portugueses, destacou o trabalho de Roberto Martínez e a tradição do país em competições internacionais.
Entre as possíveis surpresas, Rueda aponta Inglaterra e Espanha. Os ingleses contam com uma geração talentosa formada na Premier League, enquanto os espanhóis colhem os frutos de um projeto iniciado ainda no ciclo anterior. "A Espanha amadureceu muitos jogadores que hoje chegam mais preparados e experientes para este Mundial", explicou.
O treinador também chamou a atenção para a evolução do futebol africano. Marrocos, semifinalista do Mundial-2022, e Egito foram citados como exemplos de seleções que reduziram a distância para as principais potências do futebol mundial.
Por isso, segundo ele, o grupo do Brasil merece a atenção especial de Ancelotti. "Será o primeiro Mundial dele como treinador de seleção, mas toda a sua bagagem pesa muito", observou. "É um grupo muito difícil. O principal cuidado é evitar qualquer excesso de confiança."
Uma paixão que continua a unir o país
Se a expectativa é alta dentro de campo, fora dele o entusiasmo parece ainda maior. Ao contrário do debate recorrente no Brasil sobre um possível distanciamento entre seleção e adeptos, Rueda afirma que a conexão dos colombianos com a sua seleção nacional continua a crescer.

Segundo ele, a presença cada vez maior de jogadores colombianos em clubes importantes da Europa e da América do Sul ampliou o interesse do público pela seleção. "Os adeptos acompanham muito futebol e vivem tudo isso com enorme intensidade e paixão", disse.
Para o treinador, a seleção continua a exercer um papel raro num país marcado por rivalidades regionais e clubísticas. "Quando a seleção entra em campo, ela consegue unir o país inteiro em torno de um único sentimento".

Calendário da Colômbia no Mundial-2026:
17/6 (quinta-feira)
03:00 - Uzbequistão - Colômbia (Estádio Banorte, Cidade do México, México)
24/6 (quarta-feira)
03:00 - Colômbia - RD Congo (Estádio Akron, Zapopan, México)
28/6 (sábado)
00:30 - Colômbia - Portugal (Hard Rock Stadium, Miami, EUA)
