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Tal como no famoso vídeo "sai da frente, Guedes", o caminho do extremo formado no Benfica também passou por momentos oscilantes, mas, ao contrário dessa personagem dos primórdios dos memes da internet, Gonçalo Guedes conseguiu mesmo ficar de pé.
Da ascensão no Benfica à passagem pelo Paris SG, a carreira de Guedes prometia uma trajetória ascendente, mas não foi bem isso que aconteceu.
Depois de brilhar em Valência, saiu para Inglaterra e regressou ao Benfica para um ano sem grande expressão, com os problemas físicos a afetarem o português, que nunca foi convocado por Roberto Martínez.
Afirmação no momento certo
Os anos foram passando e parecia que o melhor de Gonçalo Guedes já tinha ficado para trás, até que o extremo aceitou regressar a Espanha e assinou pela Real Sociedad por meros quatro milhões de euros.
O impacto em San Sebastián não foi imediato, mas a vitória no dérbi com o Athletic (3-2) ajudou-o a fazer parte dos favoritos dos adeptos e abriu-lhe as portas da equipa de forma definitiva.
Desde então, Guedes tem crescido com a Real Sociedad. O conjunto basco deixou de lutar pela permanência para voltar à discussão dos lugares europeus e está na final da Taça do Rei, prova na qual o português foi fundamental com três assistências e um golo.

Apesar de não fazer parte dos nomes mais falados nos últimos meses, ao contrário de Paulinho e André Silva, por exemplo, Gonçalo Guedes acalentava a esperança de voltar a fazer parte de uma convocatória de Portugal e a chamada chegou no momento certo.
A polivalência de Guedes
Na conferência de imprensa após divulgar os convocados, Roberto Martínez justificou a chamada do jogador da Real Sociedad.
"É um avançado com um perfil polivalente e importante para nós. Um jogador com nove golos, num momento muito bom", disse.
Na comparação com os nomes habituais e as sugestões já mencionadas, o técnico espanhol também detalhou o motivo da escolha, lembrando até o malogrado Diogo Jota.
"Procuramos um avançado com perfil diferente. (...) O Diogo Jota era um avançado importante para nós, com polivalência e precisamos de um avançado para substituir isso. O Paulinho é um jogador que respeitamos muito, está a fazer épocas muito boas no México, mas é um perfil igual ao do Cristiano e do Gonçalo Ramos. Precisamos de outras valências, daí o Gonçalo Guedes", explicou.
Se a justificação de Roberto Martínez contradiz ligeiramente as declarações do próprio antes da convocatória, não se pode dizer que este regresso de Gonçalo Guedes seja injusto.
Segundo melhor marcador da Real Sociedad (nove golos) e elemento mais utilizado pelos treinadores que já passaram pelo conjunto espanhol (34 partidas), embora nem sempre titular, Guedes tem números que sustentam a chamada.
Apesar de entrar na lista com a ideia de servir como alternativa aos avançados, é pelos corredores que pode ter mais impacto, preferencialmente pelo esquerdo, em que pode fazer uso de uma das suas principais características: o remate.

Dos oito golos apontados na LaLiga, Gonçalo Guedes marcou duas vezes de fora da área e não efetuou qualquer remate na pequena área, o que mostra desde logo que não dará soluções para finalizar nesse espaço. Mas, para isso, Portugal terá Cristiano Ronaldo, provavelmente ainda dos melhores do mundo nessa zona do terreno, e Gonçalo Ramos, letal a sair do banco de suplentes.

Com a presença do jogador da Real Sociedad, Portugal ganha alternativas para atuar com dois avançados, dando a Guedes um papel de maior mobilidade, tal como chegou a acontecer com Fernando Santos.
Das 32 internacionalizações por Portugal, Gonçalo Guedes foi titular 15 vezes. Uma das mais marcantes aconteceu a 9 de junho de 2019, em o jogador, então no Valência, apareceu para decidir a final da Liga das Nações com o golo do triunfo sobre os Países Baixos.
Apesar de não aparecer tantas vezes na área como as palavras de Roberto Martínez podem dar a entender, Guedes (sete golos por Portugal) tem provas dadas de que pode ter impacto na Seleção, ameaçando até o lugar de Rafael Leão, que tem registos inferiores ao do jogador da Real Sociedad - 43 internacionalizações e cinco golos.

Depois de ter visto o chão de perto, Guedes contornou as curvas da vida e manteve-se de pé para, ao fim de quase quatro anos, voltar a fazer parte de uma lista de Portugal.
Caso mantenha o rendimento em San Sebastián e impressione neste estágio em solo norte-americano, frente a México e EUA, serão os adversários de Portugal a ter de sair da frente da Ducati portuguesa, até porque "o medo é uma cena que não assiste" Gonçalo Guedes.
