Apesar de não ser muito falador e ser mais introvertido, apreciando a sua tranquilidade, a sua história pode tornar-se um grande acontecimento. Se Sochůrek conquistar um lugar na equipa para o Mundial-2026 no estágio final, viajará como apenas o segundo adolescente checo da história a participar num Campeonato do Mundo.
Antes dele, foi Milan Albrecht, com 19 anos, que conseguiu esse feito também no México, em 1970. No entanto, em termos de minutos jogados, nenhum outro adolescente conseguiu tal feito na história do futebol checo. Apenas Adam Hložek (18 anos, 10 meses e 20 dias, 2021) e Tomáš Rosický (19 anos, 8 meses e 7 dias, 2000) participaram em campeonatos europeus.
Sochůrek será, na altura do jogo inaugural da República Checa, dez meses mais novo do que Hložek era então. Vai celebrar a maioridade a 7 de junho. Na primavera, tornou-se o primeiro jogador nascido em 2008 ou depois a estrear-se na Chance Liga.

"No último ano evoluiu imenso", elogia-o Drsek, treinador dos sub-17 da seleção. "Ganhou corpo, tem coxas fortes, é muito difícil afastá-lo da bola. Para a sua posição de oito, é uma excelente característica."
Com a seleção de sub-17, Sochůrek participou em novembro no Mundial no Catar, onde foi um dos elementos mais regulares do onze inicial. Mas ninguém imaginava que, tão cedo, se afirmasse também no Sparta e depois lutasse por um lugar na seleção principal, nem mesmo Drsek.
"Quando estivemos no Europeu no ano passado, jogou lá, por exemplo, o Nathan De Cat, da mesma idade, que já estava na equipa principal do Anderlecht, ou o Lennart Karl do Bayern Munique. Nessa altura, sentia alguma inveja da Bélgica ou da Alemanha, porque não tínhamos jogadores tão jovens na Liga. E eis que chegou uma nova época e o Sparta apostou no Hugo. Graças a várias circunstâncias, deram-lhe uma oportunidade na equipa principal, agarrou a chance e não a largou", conta, satisfeito.
O treinador Brian Priske, contudo, já tinha reparado no jovem médio antes do início da época. Durante o outono, os treinadores acompanharam o seu desenvolvimento e, em janeiro, reservaram-lhe um lugar no estágio de inverno em Marbella. Já nessa altura, havia muita expectativa em torno da jovem promessa do Sparta. Nos treinos, deixou boa impressão e começaram a circular rumores de que o Sparta tinha, finalmente, um talento com potencial europeu no plantel.
É precisamente isso que as pessoas que trabalharam com Sochůrek costumam destacar. "Não é o típico médio checo. O Hugo gosta de ter a bola, o seu primeiro instinto é avançar, consegue ultrapassar dois ou três adversários, criar superioridade e joga de área a área. Ao mesmo tempo, precisa de receber a bola no tempo certo para tirar partido das suas qualidades, e penso que os jogadores da equipa principal do Sparta percebem isso, o que facilitou a sua integração. Sempre foi bom nestes aspetos", descreve Drsek, acrescentando que, um dia, poderia encaixar perfeitamente na liga espanhola.
Sochůrek já demonstrou as suas capacidades também ao mais alto nível. Arriscou fintas ousadas, não teve receio de libertar colegas com passes de primeira ou de desenhar passes de rutura. É, de forma geral, forte na circulação de bola. Na Liga, entre jogadores até 21 anos com pelo menos 400 minutos jogados, tem a maior precisão de passe (92 %), com 153 passes certos em 166 tentados.
"Joga como se tivesse mais de trinta anos", admirou-se Priske após os primeiros jogos da jovem promessa de 17 anos. Os colegas também o admiram e, graças ao seu contributo, perdoam-lhe algumas coisas. Seja um discurso no balneário ou a inscrição ainda por pagar. Nos treinos, quase não se nota que está a mais no plantel principal. "Os jogadores da equipa principal acolheram-no de imediato e, ao verem o que faz com a bola, tornou-se um deles, mesmo havendo uma grande diferença de idades e as preocupações diárias associadas", concordam pessoas próximas da equipa.
Chegamos assim à personalidade de Sochůrek, que, tendo em conta tudo o que se passa à sua volta, é verdadeiramente singular. "Em termos de caráter, é um excelente rapaz. Uma alma pura. Gosta de futebol e só precisa de paz", diz Drsek.
Informações semelhantes chegam também da academia de Strahov. Quando os colegas mais velhos o felicitaram pela convocatória à seleção, dizendo que podia ir ao Mundial, o jovem do Sparta parecia nem perceber o que podia alcançar. "Sim, é fixe", terá sido a sua resposta mais comum.
"O Hugo não é daqueles jogadores que se fazem ouvir constantemente. Uma vez, antes de um jogo, entreguei-lhe a braçadeira de capitão e respondeu-me logo que não podia ser capitão. Não é um líder clássico, mas assim que entra em campo e lhe passam a bola, pelo seu desempenho, é claramente um dos motores da equipa", continua Drsek.
Acredita que Sochůrek vai aproveitar a oportunidade e ainda vai dar que pensar ao treinador Koubek. "Poucos rapazes antes dele tiveram uma oportunidade destas. Acredito que o Hugo será igual ao que é no Sparta. No passado, em jogos mais difíceis, teve momentos em que sentiu o peso do momento e não esteve ao seu melhor nível, mas aqui não vai depender dele, só tem a ganhar."
Pretende enviar uma mensagem ao seu antigo pupilo. "Já o fiz quando jogou pela primeira vez na equipa B do Sparta, depois quando se estreou na Liga em Zlín e, por último, quando foi titular", sorri Drsek.
Sobre o conteúdo das suas conversas? "Escrevi-lhe para continuar a ser ele próprio, porque isso é o mais importante", acrescenta Drsek.
