Tagliafico alerta para o desleixo da Argentina diante da Mauritânia e Zâmbia

Tagliafico é uma das figuras da Argentina
Tagliafico é uma das figuras da ArgentinaALEX MARTIN / AFP

Em entrevista à AFP, o lateral-esquerdo argentino Nicolas Tagliafico, que joga no Lyon desde 2022, considera que o "desleixo" por vezes demonstrado pela Albiceleste é o principal obstáculo que a seleção terá de ultrapassar se quiser defender o título no Mundial de 2026.

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Argentina defronta a Mauritânia num particular na sexta-feira e a Zâmbia a 31 de março, dois jogos na Bombonera, em Buenos Aires, que podem permitir a Tagliafico, de 33 anos (74 jogos pela seleção), igualar o recorde de Juan Pablo Sorín (75) e tornar-se o lateral-esquerdo mais internacional da história da seleção tricampeã do mundo.

Os números de Tagliafico
Os números de TagliaficoFlashscore

- A Argentina defenderá o título com o núcleo dos campeões de 2022 e um grupo de jovens jogadores muito talentosos. Qual é a situação atual da seleção?

- Acho que há uma mistura de jogadores jovens, talvez menos experientes, mas com muito entusiasmo e um forte desejo de vestir a camisola da seleção. Tenho um bom pressentimento em relação a esta equipa, mesmo que, por vezes, se tenha a impressão de que está a desanimar. Mas, em competições como esta, a equipa volta a dar o seu melhor e a motivar-se novamente.

- Será que a equipa se vai desleixar um pouco, como acontece nos jogos em que nada está em jogo, como os particulares?

- Muitas vezes, em particulares desta envergadura, e sem querer diminuir a importância de ninguém, apercebemo-nos de que treinamos mais intensamente todos os dias com os nossos companheiros do que durante o próprio particular. Por isso, acho que a chave está nesses treinos intensivos e acho que foi isso que nos permitiu ser campeões do mundo. Também é comum que não seja fácil treinar com essa intensidade cinco dias por semana e, às vezes, acabamos por nos descuidar.

- Do Campeonato do Mundo do Catar, praticamente concentrado numa só cidade, à edição de 2026, dividida entre os Estados Unidos, o México e o Canadá, com mais um jogo para se sagrarem campeões, como é que se muda a abordagem e a preparação?

- É um ponto a ter em conta porque, para além de prolongar um pouco a competição, talvez por cinco ou seis dias, é preciso concentrar-se nos pormenores. Desde as viagens até aos locais de treino e de jogo, a verdade é que nada foi discutido sobre a organização geral... Sabemos que vamos estar em Kansas City (base), mas, para além disso, não sabemos nada... Além disso, há outro jogo decisivo e podemos ter o azar de, nos oitavos de final, um pormenor infeliz ditar a eliminação. É um Campeonato do Mundo diferente, com muito mais equipas, e penso que vai ser ainda mais competitivo.

- Um segundo Campeonato do Mundo consecutivo, bem como as duas edições da Copa América (2021 e 2024), fariam da Argentina de Messi potencialmente a melhor seleção da história...

- Dois Mundiais consecutivos, só o Brasil e a Itália o conseguiram, mas isso foi há muito tempo... É um sonho. Mas temos de nos concentrar no dia a dia, num jogo de cada vez, sem nos entusiasmarmos, porque no final é o trabalho diário que vai dar frutos.

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