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Do lado tricolor, ainda sem Zubeldia a postos após uma intervenção cardíaca, os números pedem por um camisola 9, mesmo neste início de Estadual.
Anfitrião do clássico - e, nos últimos 20 duelos, com apenas cinco vitórias, sendo a mais emblemática a goleada por 4-1 sobre o rival na final do Carioca de 2023, depois de perder o primeiro jogo por 2-0 - o Flu mantém a estratégia de misturar titulares e suplentes. O Brasileirão está à porta para ambos.
Com Savarino confirmado nas Laranjeiras, a escassez ofensiva recua alguns degraus, já que o venezuelano marcou 20 golos e somou 19 assistências nas 103 partidas que disputou pelo rival Botafogo. Outro passo importante — e cujo primeiro round já foi jogado — é a manutenção de Kevin Serna no plantel. O atacante, com números relevantes pelo Tricolor em 2025, recebeu uma proposta do Boca Juniors. Por enquanto, o conjunto portenho ouviu um não.

Melhor marcador do Flu na Série A de 2025, Serna fez sete golos e cinco assistências ao longo de todo o campeonato. O drible é um recurso bastante utilizado pelo colombiano. Também aparece com frequência na área adversária (4,7 toques por 90 minutos).
Sem ele, Zubeldia será obrigado a desenvolver novas opções no ataque, pelo menos até ao regresso de Cano. John Kennedy tem sido, desde o ano passado, a alternativa mais palpável. Desde que o técnico argentino chegou ao Rio, considerando apenas os jogos da Série A, Serna marcou quatro golos; Kennedy, Acosta, Canobbio e Soteldo (entre os avançados), dois cada.

Com a nova equipa técnica, registaram-se 10 vitórias, três empates e três derrotas, todas fora de casa. A equipa marcou 24 golos e sofreu 10, terminando 2025 no quinto lugar. No plantel tricolor, Everaldo, bastante utilizado no final da temporada, avança para mais uma época com a missão de recuperar os golos. Os números do camisola 9 no ano passado falam por si: em termos de golos, 0,13 por 90 minutos.

Do outro lado, a fartura
Na Gávea, o clube que mais arrecada no Brasil (212 mil euros) apresenta números ofensivos que são um sinal claro de que as redes adversárias tendem a abanar com frequência em 2026 - ainda mais com Paquetá no horizonte. Será o ano para Filipe Luís se afirmar definitivamente como o melhor treinador da nova geração, ao lado de Rafael Guanaes, do Mirassol? Um veio dos relvados; o outro, não.

Com Arrascaeta ainda de fora, Bruno Henrique e Pedro disputam a referência no ataque. Frente ao Vasco, o primeiro começou como titular, enquanto o segundo actuou durante todo o segundo tempo.
O camisola 9, de facto, ocupa muito mais a área adversária do que Bruno Henrique - e Filipe Luís sabe-o bem. São 5,3 toques por 90 minutos. Em oportunidades criadas, há uma ligeira vantagem para Pedro (1,2 contra 1,0 de BH, sempre por 90 minutos). Como jogou menos e marcou mais, o índice de golos por minuto também é amplamente favorável ao ex-avançado tricolor.
2026: Gravatinha ou Sobrenatural de Almeida?
O génio Nelson Rodrigues, para quem “há um parentesco óbvio entre o Flu e o Fla” — um parentesco gerado no ressentimento — dizia que os dois clubes “são os irmãos Karamázov do futebol brasileiro”. Nas suas crónicas, criou duas personagens icónicas ligadas ao Tricolor: o Gravatinha (sempre associado aos bons tempos do clube) e o Sobrenatural de Almeida (que surgia quando as coisas não corriam bem).
Se, nos últimos anos, o primeiro não tem aparecido com frequência do além para acompanhar os jogos da equipa das Laranjeiras — com excepção de 2023 —, resta saber o que reservará a temporada de 2026, com a Libertadores novamente no horizonte.
Porque, tomando como base o jogo frente ao Vasco, o Flamengo tende a continuar a evocar o Sobrenatural de Almeida vezes sem conta, inclusive contra adversários que não sejam o rival deste domingo. E por uma razão simples: Filipe Luís é obcecado por uma defesa que não sofra golos — em 2025, a melhor defesa do Brasileirão consentiu apenas 27. Ao contrário de Zubeldia, que ainda precisa de olhar com mais atenção para esse aspecto, se quiser consolidar-se como um treinador longevo no futebol nacional.
Além do comandante rubro-negro, apenas outros três treinadores estão há mais de um ano no cargo: Abel Ferreira (Palmeiras), Rogério Ceni (Bahia) e Gilmar Dal Pozzo (Chapecoense).

