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República Dominicana proíbe o Haiti de jogar nos seus estádios após incidentes

Haiti vence em território adversário
Haiti vence em território adversárioNELSON PULIDO / AFP

A República Dominicana proibiu esta sexta-feira que a seleção do Haiti dispute jogos de futebol em território dominicano, um dia depois do encontro entre os dois países em São Domingos, onde se registaram incidentes e confrontos entre adeptos num dos acessos ao estádio Félix Sánchez.

Recorde as incidências do encontro

A medida foi adotada pelo Ministério dos Desportos depois de, durante um jogo da fase de grupos da Liga das Nações da CONCACAF, que o Haiti venceu por 1-4 fora de casa, dezenas de adeptos haitianos e alguns dominicanos terem tentado entrar à força no estádio e sido contidos pelas forças de segurança.

"Não toleramos a indisciplina, o desrespeito. E, embora se tenha feito um esforço para lhe dar uma oportunidade, porque o desporto é de todos, o que vimos ontem (...) é inaceitável", afirmou o ministro dos Desportos, Kelvin Cruz, à imprensa local.

"Temos regras, portarias e regulamentos disciplinares que proíbem a participação da seleção haitiana noutros jogos na República Dominicana", acrescentou.

Os marcadores do jogo
Os marcadores do jogoFlashscore

Os dois países partilham a ilha Hispaniola e mantêm historicamente uma relação complexa, marcada por tensões políticas e migratórias recorrentes.

Os incidentes ocorridos após o encontro e a celebração do avançado haitiano Wilson Isidor, autor de dois golos, desencadearam fortes críticas nas redes sociais na República Dominicana.

"A Hispaniola é o Haiti. Isto é o Haiti", gritou no relvado o jogador do Sunderland.

"Queria confraternidade"

O presidente da Federação Dominicana de Futebol (Fedofútbol), José Deschamps, disse à AFP que "as palavras do avançado não foram acertadas", tendo em conta "a mesma situação (política) que existe entre os dois países".

O jogo representou o primeiro confronto do Haiti na República Dominicana em 13 anos, num contexto sensível marcado pela violência que afeta o país vizinho, pela imigração haitiana, que alimenta tensões, e por episódios de discriminação em território dominicano.

"Um queria confraternidade. Mas isso faz parte do jogo: a euforia e a vitória", acrescentou Deschamps.

A dinâmica do jogo
A dinâmica do jogoFlashscore

Imigrantes haitianos e adeptos que atravessaram a fronteira constituíram a maioria dos cerca de 25.000 espectadores que assistiram ao jogo no estádio Olímpico Félix Sánchez.

O presidente dominicano, Luis Abinader, transformou o controlo da imigração haitiana numa das principais bandeiras do seu governo e ordenou a construção de um muro ao longo dos 380 quilómetros de fronteira que separam os dois países.

A sua política de expulsão de imigrantes indocumentados, com rusgas e controlos nos hospitais, é alvo de críticas por parte de organizações de defesa dos direitos humanos. Entretanto, o Haiti continua mergulhado numa crise de violência que alimenta as tensões na ilha.

Mais de 265.000 haitianos foram expulsos da República Dominicana entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados oficiais.

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