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A marca que "El gordo" ("gordo", sem qualquer conotação pejorativa em espanhol, ao contrário do que acontecia na Ligue 1, onde era alvo de críticas por um suposto excesso de peso), vai deixar é incomparável e dificilmente perceptível em França.
"Dédé" Gignac, chegou ao México com 29 anos e foi imediatamente adotado em Monterrey (nordeste), onde aterrou contra todas as expectativas em 2015, proveniente do Olympique de Marselha.
Estreou-se oficialmente na meia-final da Libertadores e o seu golo na segunda mão levou o clube à sua primeira final, perdida depois frente ao River Plate. Gignac é, até hoje, o primeiro e único jogador francês a disputar uma final da Libertadores.
E Gignac, com o seu estilo de ponta-de-lança poderoso, tão adequado ao futebol sul-americano, começou a marcar golos em catadupa. Soma 219 golos oficiais em 445 jogos (três foram-lhe retirados após uma derrota administrativa).

Antes da era Gignac, os Tigres tinham apenas três títulos nacionais. Agora, a sala de troféus está recheada com mais cinco campeonatos, quatro Troféus dos Campeões dos campeões (jogo entre vencedores dos torneios de abertura e de encerramento) e uma Liga dos Campeões da CONCACAF, em 2020.
Com três troféus de melhor marcador do campeonato, "Dédé" Gignac é "o futebolista mais determinante" do futebol mexicano, afirma sem rodeios o emblemático ex-avançado internacional Luis Garcia, atualmente comentador televisivo.
"Quero agradecer ao futebol por me ter permitido partilhar todo este tempo com um jogador deste calibre", disse em abril o guarda-redes argentino Nahuel Guzman, companheiro de Gignac em todas estas conquistas.
Bebés Gignac
Mas foi também fora dos relvados que Gignac conquistou uma aura tão especial em Monterrey. Os adeptos dos Tigres consideram-no um "ser de luz", não só porque iluminou o caminho para o topo, mas também pela sua generosidade para com os habitantes do Estado de Nuevo León.
O francês participou em inúmeros leilões para angariar fundos para crianças com deficiência ou para ajudar vítimas de catástrofes naturais.
Em 2023, André-Pierre Gignac afirmou preferir ser recordado como "uma boa pessoa" do que como um "monstro do futebol".
A sua vocação altruísta, explicou, nasceu do grave acidente que a sua avó sofreu quando era criança. Amputada, recebeu uma doação de próteses.
"Isso fez nascer em mim o desejo de ajudar, dentro do alcance que posso ter", disse o natural de Martigues, oriundo de uma família de nómadas.
O avançado francês gerou tanta afeição e admiração que 2.760 crianças de Nuevo León têm, em parte ou na totalidade, o nome e/ou o apelido do mítico número 10 dos Tigres. E, claro, um tigre-de-bengala do jardim zoológico do Estado foi batizado de "Gignac" em 2017.
O seu último jogo em casa na fase regular, no final de abril, foi celebrado condignamente em Monterrey. Tifos com a bandeira francesa e um "Merci Gignac" foram exibidos, juntamente com uma faixa onde se lia: "Árbitro, não apites o fim, Gignac vai-se embora".
Gignac, que obteve a nacionalidade mexicana em 2019, não revelou qual será o seu futuro, mas fala-se do desejo de abraçar uma carreira de dirigente nos Tigres.
Antes da sua dourada passagem pelo México, Gignac nunca deixou ninguém indiferente nos clubes de topo por onde passou: Lorient, Toulouse e Marseille.
Soma 102 golos na Ligue 1 (290 jogos) e 7 pela seleção francesa em 36 internacionalizações, com presenças no Mundial-2010, no Euro-2016 e naquela final perdida frente a Portugal (1-0 após prolongamento), e aquele poste atingido após um drible devastador ao minuto 90+2 que poderia tê-lo tornado um herói nacional.
O reconhecimento de um povo inteiro que não teve em França, foi conquistá-lo, e ganhá-lo, no México.
