Em entrevista à Lusa, um dos coordenadores do projeto, Zé Maria Fumo, explicou que a competição envolve 6.756 participantes, entre 6.144 atletas e 512 responsáveis, distribuídos por equipas comunitárias formadas nos respetivos bairros, com 12 jogadores e dois responsáveis por equipa.
“A ideia surgiu do próprio Geny, junto com o Bruno, o Mexer e o Guilherme Vasconcelos (outro coordenador do projeto), com o objetivo de levar o desporto aos bairros e reafirmar o compromisso com o futebol africano, transformando talentos em oportunidades a nível nacional e internacional”, afirmou Zé Maria Fumo, acrescentando que o “maior objetivo é o impacto social”.
Zé Maria Fumo realça ainda: “Nós descobrimos talentos na área de futebol, mas também descobrimos lá futuros deputados, futuros polícias e tudo mais”.
O coordenador explicou que a iniciativa resulta da parceria entre Geny Catamo, jogador do Sporting, bem como Bruno Langa e Mexer Sitoe, internacionais moçambicanos que atuam no estrangeiro.
Bruno Langa atua no Pafos FC, do Chipre, por empréstimo do UD Almería, de Espanha, enquanto Mexer Sitoe joga no Bandirmaspor, da segunda divisão da Turquia.
Segundo Zé Maria Fumo, o envolvimento de Geny Catamo no projeto resulta de uma iniciativa pessoal do jogador em conjunto com os restantes promotores, para devolver o futebol às comunidades onde muitos destes atletas dão os primeiros passos.
A primeira edição do torneio infanto-juvenil "Xingufo" arrancou na quinta-feira passada, na capital moçambicana, destinada a atletas masculinos com idades entre os 10 e os 12 anos, com desejo das próximas edições incluirem atletas femininas.
Segundo Zé Maria Fumo, o torneio está organizado em três fases: bairro, distrito e final da cidade. Segue-se uma fase internacional, permitindo que cada comunidade tenha representação direta no processo competitivo.
“Na fase do bairro apura-se uma equipa vencedora por comunidade, que segue para a fase distrital. Os campeões distritais qualificam-se para a fase final da cidade, que reúne também representantes da KaTembe e da KaNhaca”, explicou.
Ao longo de todo o torneio, atletas em destaque serão observados por uma equipa técnica especializada para integrar a denominada Elite do "Xingufo", que deverá representar Moçambique num torneio internacional infantojuvenil a realizar-se na África do Sul.
“Essa fase internacional vai proporcionar experiência competitiva de alto nível, exposição internacional e intercâmbio com academias e equipas da região”, acrescentou o coordenador.
Além da vertente competitiva, o projeto assume uma forte dimensão social e educativa, com palestras sobre cidadania, disciplina, respeito, trabalho em equipa e competências emocionais dirigidas às crianças participantes.
“O objetivo não é apenas formar jogadores, mas contribuir para a formação de cidadãos e ocupar de forma saudável os jovens nas comunidades”, sublinhou.
A organização conta com o apoio de parceiros institucionais e privados, incluindo o Conselho Municipal da cidade de Maputo.
O nome "Xingufo" inspira-se na bola improvisada, tradicionalmente feita com materiais reaproveitados nos bairros, símbolo da criatividade comunitária e da origem de muitos talentos do futebol moçambicano.
A fase final do torneio está prevista para as próximas duas semanas, antes do início do ano letivo, e a organização admite expandir o projeto, em edições futuras, a outras províncias do país.
