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O Feyenoord perdeu 3-4 frente ao Sparta Roterdão, somando a oitava derrota em 12 jogos em todas as competições sob o comando de Robin van Persie.
Antes do apito inicial, Van Persie foi questionado sobre a ausência de Quinten Timber, capitão do Feyenoord na época 2024/25, do onze inicial.
"Vejo os treinos e os jogos, por isso é uma decisão puramente desportiva", afirmou Van Persie sobre Timber, cujo contrato em Roterdão termina no verão.
"Observo como os jogadores se comportam e quais são as suas intenções. Com o Hwang (In-Beom), por exemplo, nem tudo corre bem, mas o que me importa é a intenção de cumprir as tarefas. Avalio os jogadores nos treinos e nos jogos com base nisso. É por isso que agora estou a optar por outros", acrescentou.
"Ultrapassou o limite"
Quinten Timber, irmão gémeo do defesa do Arsenal, Jurrien Timber, procurou o repórter da ESPN, Hans Kraay Jr., após o jogo, para uma entrevista espontânea, querendo responder às palavras de Van Persie.
"Acabei de ler o que foi dito antes do jogo. Acho uma pena que tenha de ser assim", disse Timber sobre Van Persie, que já o criticou várias vezes esta época perante a comunicação social.
"Já aconteceu algumas vezes o treinador não proteger o jogador. Neste caso, fui eu outra vez. Há um limite. Está a acontecer novamente agora. Todos no clube, com quem trabalho há três anos e meio, sabem que dou sempre tudo nos treinos e nos jogos. Fiz isso outra vez hoje. Mesmo que tenha de jogar a lateral-direito, faço-o pelo clube e pela minha equipa. Parece um teatro de marionetas em que agora dizem que não faço nada. Isso tem de ficar esclarecido", acrescentou.
Timber tem sido alvo de rumores de transferência desde o verão, e a separação parece agora inevitável.
"Há muita coisa a acontecer, há muitas emoções envolvidas, incluindo com os adeptos, que neste momento não estão satisfeitos comigo", afirmou Timber, depois de um grupo de adeptos ter exibido uma faixa a dizer 'Timber Out' durante o jogo com o Sparta.

"As emoções estão ao rubro, o que nunca é agradável. Sempre disse que quero o melhor desfecho para ambas as partes. Preferia não sair do clube a custo zero, não sair sem contrapartida. Isso faz com que seja mais provável que saia agora. Nunca se sabe o que pode acontecer. Por isso disse que quero que isto se resolva. Sempre fui honesto. Mas não vamos fingir que sou alguém que não trabalha e não faz nada. Qualquer pessoa no clube pode dizer que trabalho e que sou um bom rapaz. Todos o dirão", atirou.

"Desilude-me que se diga isso dessa forma. Não é a primeira vez. Deixo passar uma ou duas vezes. Mas quando acontece pela terceira vez, tenho de defender-me, e é isso que estou a fazer agora", acrescentou.
Timber terminou a entrevista dizendo que este terá sido provavelmente o seu último jogo em De Kuip e deixou mais uma observação sobre Van Persie: "É duro perder outra vez. Dói ainda mais por ter acontecido no último minuto. Mas não se pode dizer que não estou a tentar. Se achas isso, devias dizê-lo na minha cara. Seja o que for que eu pense, se não fizeres as perguntas, não tenho de dizer nada. Por vezes pode-se proteger um jogador. Este foi o limite, por isso é que estou aqui."
Sem retorno possível
Quando Van Persie foi confrontado com as palavras de Timber na conferência de imprensa após o jogo, a lenda da Premier League explicou melhor a decisão de deixar Timber fora do onze inicial.
"Antes do jogo, indiquei o que espero dos meus jogadores. Ou seja, quero sempre ver a intenção de cumprir as tarefas. Antes de ser treinador, prometi a mim próprio que seria sempre fiel a mim e à pureza do futebol e ao que este exige. É isso que faço. Por isso, se vejo que não tens intenção de cumprir as tuas tarefas de forma consistente, vou escolher jogadores que o façam", afirmou.
Questionado se existe possibilidade de Timber voltar, Van Persie foi perentório: "Se me perguntares pessoalmente, há várias pessoas envolvidas, mas não me parece."
