Euro-2024: Eslováquia, a esperança de surpreender

Duda foi um dos destaques na qualificação
Duda foi um dos destaques na qualificaçãoFREDRIK VARFJELL / NTB / AFP

A Eslováquia é uma das surpresas do Europeu. De acordo com a Opta, tem a quarta menor probabilidade de chegar aos quartos de final (14,4%) de todos os países, e mesmo a mais baixa do Grupo E, onde começará o torneio. No entanto, na companhia da Bélgica, da Ucrânia e da Roménia, a qualificação para a fase a eliminar pode não ser uma utopia.

O caminho para o Euro-2024

O empate com o Luxemburgo em casa, no início da campanha de qualificação, foi criticado e começaram a surgir dúvidas entre os adeptos sobre se a escolha do treinador italiano Francesco Calzona tinha sido a mais acertada.

Mas depois seguiram-se vitórias em casa contra a Bósnia-Herzegovina, fora contra a Islândia e outra no Liechtenstein.

Em setembro, a equipa de Bratislava fez uma exibição de grande qualidade no Tehelny Pole, onde perdeu por 1-0 com os portugueses, antes de vencer por pouco em Vaduz.

Em seguida, os portugueses venceram em casa por 3-2, apesar da excelente prestação do guarda-redes Martin Dúbravka. Apenas três golos sofridos com uma estatística de golos sofridos esperados (xG) de 7,28 diz tudo.

No entanto, a Eslováquia precisava de pontos nos seus dois últimos jogos, e conseguiu-os para se qualificar para a fase final do torneio. A vitória na Bósnia-Herzegovina, com um plantel modificado, foi um belo final.

A forma da Eslováquia
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Sabor italiano

Para Francesco Calzona, o começo no banco não poderia ter sido pior. Em setembro de 2022, perdeu com o Azerbaijão na Divisão C da Liga das Nações e dividiu os pontos com a Bielorrússia, seguindo-se empates com Montenegro e Chile.

Olhando para os duelos anteriores, pode-se dizer que o técnico italiano de 55 anos precisava de testar os vários componentes à sua disposição. No entanto, os adeptos eslovacos estão impacientes e ansiosos por sucesso imediato.

Os últimos resultados
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Antes de chegar à seleção nacional, Calzona foi sempre um mero adjunto de grandes nomes como Maurizio Sarri, Eusebio Di Francesco e Luciano Spalletti. Mas em fevereiro de 2024 aceitou a proposta para treinar o Nápoles, uma decisão que gerou polémica devido ao possível impacto que teria no desempenho no Campeonato da Europa.

O contrato do italiano é válido até ao final de 2025 e, caso se qualifique para o Mundial, será prolongado até ao ano seguinte. Não se sabe se vai cumpri-lo, porque, segundo informações do início de junho, já recebeu uma proposta para treinar o Cagliari. Por respeito à seleção nacional e ao Europeu, recusou a proposta. Para já...

Coletivo é o ponto forte

A Polónia tem Lewandowski, a Ucrânia tem Dovbyk, Szoboszlai vai liderar a Hungria. A Eslováquia carece de um jogador de calibre (ofensivo) significativo após o período liderado por Marek Hamšík, que recomendou o atual treinador, pelo que é difícil escolher um nome. Nenhum dos convocados se destaca de forma significativa e o sucesso baseia-se no desempenho coletivo.

Pontos fracos

Se há algo que os adeptos eslovacos temem é a lesão de um homem: Peter Pekarik é um dos pilares do lado direito da defesa desde o verão de 2008. Fez 127 jogos pela seleção nacional, tendo sido titular em 122 ocasiões. Um número respeitável que confirma a sua importância.

A notícia desagradável é que não existe um substituto para ele, por isso, se Pekarik tiver um dia mau, Calzona tem de improvisar na lateral direita. Arriscamo-nos a dizer que os adversários terão todo o gosto em utilizar o seu extremo esquerdo.

O segundo problema é o ataque. Um total de 17 golos marcados em 10 jogos de qualificação não é um número mau, mas também não é excecional. Lukáš Haraslín marcou três golos e quatro jogadores marcaram dois cada, mas apenas Róbert Mak foi avançado ou extremo.

No final, não foi convocado devido a uma (má) comunicação com o treinador. Mak criticou-o depois de ter jogado apenas oito minutos no total em março, nos jogos de preparação contra a Áustria e a Noruega. Isso aconteceu depois de uma longa viagem desde a Austrália, onde o Sydney, onde joga, estava a lutar por um lugar nos play-offs da A-League.

Aleksandar Čavrič, para quem a Federação Eslovaca de Futebol arranjou um passaporte eslovaco, poderia ter preenchido o vazio, mas também houve complicações. O avançado originalmente sérvio recusou-se a participar no estágio de primavera, depois de ter considerado que seria melhor ficar no Japão e habituar-se à sua nova casa, o Kashima Antlers. O jogador de 30 anos ficou de fora da convocatória de maio.

O último onze eslovaco
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No limiar da glória

Para o terceiro jogador mais jovem do torneio, todos os olhos estão voltados para o futuro. Aos 18 anos, Leo Sauer tem um valor de mercado de cinco milhões de euros, um feito inédito para um jogador nascido no país. O extremo esquerdo está há dois anos no Feyenoord, que o contratou ao Žilina.

No outono passado, estreou-se na Liga dos Campeões e na Eredivisie, onde disputou 13 jogos, todos como suplente. Em 274 minutos, marcou dois golos e fez quatro assistências, pelo que precisa de uma média de 45,7 minutos para marcar ou fazer um passe decisivo. Uma proeza espantosa. Resta esperar que ele continue a desenvolver o seu talento.

Sauer está a seguir os passos de Tomas Suslov, que completou 22 anos a 7 de junho. Suslov é também um extremo e foi convocado para o Euro-2020, mas estagnou após uma grande época 2020/21 no Groningen, em que marcou dois hat-tricks e fez cinco assistências em 29 jogos (tinha apenas 18 anos na altura). Até à época passada, com um registo de três golos e cinco assistências no Hellas Verona.

Onze provável

Neste caso, não há necessidade de fazer rodeios. O comprovado sistema 4-3-3, que os eslovacos utilizaram no ensaio geral, deverá ser a sua formação estável também no Euro.

Martin Dúbravka será o guarda-redes e terá a companhia de Peter Pekarík, Denis Vavro, Milan Škriniar e Dávid Hancko. Outra possibilidade é que Norbert Gyömbér, do despromovido Salernitana, substitua o defesa do Copenhaga.

O capitão de equipa é Škriniar, que se transferiu do Inter de Milão para o Paris Saint-Germain no verão passado. Durante o outono, foi claramente titular, mas não jogou durante quase três meses após uma lesão em janeiro. Quando estava em forma, saía frequentemente do banco ou era titular apenas nos jogos em que nada estava em jogo. Na Liga dos Campeões, contra o Barcelona e o Dortmund, ou na final da Taça de França, ficou de fora.

Skriniar teve época de altos e baixos
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O meio-campo será formado, se formos um pouco longe demais, pelo trio italiano. Stanislav Lobotka, campeão da Serie A na época passada, vai iniciar os ataques e marcar o ritmo. O veterano Juraj Kucka, que passou pelo AC Milan, Parma e Génova, dará a necessária combatividade, velocidade e remates de longa distância. Ondrej Duda, do Verona, que tem tido mais tarefas defensivas na luta para permanecer na elite italiana, será o destaque.

Francesco Calzona poderá substituí-lo por László Bénes, do Hamburgo. As alternativas a Lobotka e Kucka são Patrik Hrošovský (Genk) ou Matúš Bero (Bochum).

O maior ponto de interrogação será a composição do ataque. Praticamente ninguém tem um lugar garantido no ataque e isso será determinado pelos treinos e pela forma de jogar. No ensaio geral com o País de Gales, o alinhamento foi Schranz - Boženík - Haraslín. Vários avançados tiveram um excelente início de época, mas cairam de rendimento.

Lukáš Haraslín marcou 12 golos e fez cinco assistências na República Checa, mas desde o início de março tem apenas dois golos e uma assistência. O avançado Róbert Boženík marcou oito golos na Liga Portugal, mas não marca desde 10 de fevereiro. Outro número nove, Dávid Ďuriš, jogou na segunda divisão italiana, mas fez apenas algumas partidas pelo Ascoli (a última em março) e foi despromovido com o clube.

No entanto, dada a sua forma, favorecemos Suslov no flanco direito, embora, especialmente contra os belgas, Pekarík precise de mais ajuda do seu parceiro de ataque. Prevemos que Boženík jogue encostado ao flanco, enquanto Haraslín, como melhor marcador da qualificação (três golos), será titular na esquerda.

Tupta, Sauer e Strelec, do Slovan Bratislava, também podem começar no banco.

Previsões

Sim, a qualificação para o campeonato já foi celebrada na Eslováquia como um grande feito, mas no grupo de qualificação em que a equipa de Tatra se encontrava, era mais uma passagem obrigatória. Tendo em conta que o Grupo E é o grupo mais fácil em que a Eslováquia poderia ter chegado à fase final, tanto do ponto de vista dos especialistas como do nosso, tudo o que não seja a passagem aos oitavos de final será considerado uma desilusão.

Cada golo será decisivo para o apuramento a partir do terceiro lugar. Por isso, será importante manter o ataque belga afastado, depois conseguir pelo menos um ponto contra a Ucrânia e vencer a Roménia. O top 16 poderá então não ser uma utopia.

Lista de convocados

Guarda-redes: Martin Dúbravka (Newcastle United), Marek Rodák (FC Fulham), Henrich Ravas (New England)

Defesas: Peter Pekarík (Hertha BSC Berlin), Norbert Gyömbér (US Salernitana 1919), Denis Vavro (FC Kodaň), Milan Škriniar (Paríž Saint-Germain), Adam Obert (Cagliari Calcio), Dávid Hancko (Feyenoord Rotterdam), Vernon De Marco (Hatta Club) e Sebastián Kóša (Spartak Trnava).

Médios: Matúš Bero (VfL Bochum), Juraj Kucka (ŠK Slovan Bratislava), Tomáš Rigo (Baník Ostrava), Patrik Hrošovský (KRC Genk), Stanislav Lobotka (SSC Neapol), Ondrej Duda (Hellas Verona) e László Bénes (Hamburger SV).

Avançados: Dávid Ďuriš (Ascoli Calcio), Tomáš Suslov (Hellas Verona), Ivan Schranz (Slavia Praha), Róbert Boženík (Boavista FC), David Strelec (ŠK Slovan Bratislava), Ľubomír Tupta (Slovan Liberec), Leo Sauer (Feyenoord Rotterdam) e Lukáš Haraslín (AC Sparta Praha).

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