Atual líder do campeonato, sem perder qualquer ponto e novamente com o melhor registo defensivo de Portugal, o FC Porto de Farioli destaca-se pelo processo defensivo e é esse o momento destacado pelo italiano, que explica um pouco das suas ideias futebolísticas.
Defesa como ponto inicial
"Claro que os defesas desempenharam um papel fundamental. Se olharmos para as individualidades, ter um guarda-redes como o Diogo Costa é, sem dúvida, uma vantagem, mas acredito genuinamente que estes números resultam de um esforço coletivo", referiu.
"Recentemente, vi que o William Gomes, um dos nossos extremos, surge como um dos melhores no que toca ao seu compromisso defensivo, e isto diz muito sobre o contributo de todos. Temos um grupo de jogadores, desde o avançado até ao guarda-redes, onde todos estão absolutamente comprometidos em ajudar a equipa e, nos momentos em que perdemos a bola, os jogadores estão preparados para reagir a esse momento", acrescentou também.

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O "vírus" do compromisso
Farioli vê esse processo como um "vírus positivo" contraído pela sua equipa e que contagia os próprios jogadores, num processo que também identifica como parte do ADN do FC Porto e que contribuiu para o sucesso coletivo na época passada.
"Ganhámos 28 jogos em 34 e há um sentimento de pressão em cada partida, de que não podes perder um único ponto porque isso será crucial no fim. Cria-se uma obsessão pelos pequenos detalhes, sabendo que, no final, esses pequenos detalhes vão revelar-se benéficos", analisou.
"É muito exigente, é muito desgastante e pode ser muito difícil de lidar, mas, no fim de contas, estando num clube como o FC Porto, um clube com esta dimensão e tradição, não podia ser de outra forma. Os troféus já estão no museu e agora é altura de seguir em frente e ir em busca de mais. Esta época vai ser uma maratona muito longa e temos de estar preparados para tudo o que vai aparecer no caminho".

Lesão de Samu e uma fotografia dividida
Um sucesso que surgiu numa altura delicada para o grupo de Farioli, afetado na fase decisiva da temporada pela lesão grave de Samu, que acabou por terminar mesmo a época como melhor marcador de equipa, apesar dos meses de paragem.
"O que foi realmente especial foi o facto de todos os jogadores terem sentido a responsabilidade de dar um passo em frente, para partilharem os golos que estávamos à espera que viessem do Samu", recordou.
"Tivemos de conseguir algumas oportunidades extra através de outros métodos, por exemplo, a partir de lances de bola parada. Tivemos de encontrar uma forma diferente de atacar e de criar as oportunidades certas porque, como é óbvio, perder um jogador que é tão importante e que tem tanto impacto na nossa dinâmica ofensiva não foi fácil", afirmou também.
Focado na revalidação do título, Farioli deixou ainda uma garantia sobre a exigência que colocou no grupo azul e branco após a conquista da época transata.
"Infelizmente, as boas memórias já estão longe da nossa realidade. Nós todos voltámos no verão com um estômago vazio, com um desejo de ir outra vez. À entrada do nosso campo de treinos, eu quis colocar uma fotografia das nossas celebrações do título, dividida em duas. Portanto, uma metade são os Aliados, onde celebrámos o nosso título, e a outra metade está vazia, porque eu queria que toda a gente estivesse esclarecida de que (...) uma nova história vai ser escrita, com novas dificuldades e novos desafios", explicou.
"Todos os jogadores voltaram do verão ainda mais em forma do que eles estavam quando partiram. Na realidade, os 25 ou 30 dias que eles tiveram de folga, claro que eles tiveram tempo para passar momentos com as suas famílias, mas muitos deles realmente suaram durante o verão para estarem ainda mais prontos para enfrentar uma época em que, na liga, nós começamos do zero mais uma vez", revelou.
"Nós vamos enfrentar novas exigências numa besta diferente como a Liga dos Campeões e, claro, com as duas taças domésticas, em cima da Supertaça que nós ganhámos em agosto. Há muitas coisas pelas quais jogar esta época e aqui trabalhar assim é muito fácil, não há outra maneira para nós do que trabalhar e tentar trabalhar mais duro do que todos os outros", concluiu.
A entrevista de Farioli:
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