Foi com o sol já a descer no horizonte que Alessia Maurelli, a presidente da Aldeia Mediterrânea, deu as boas-vindas à delegação nacional.
“Para mim, é particularmente significativo receber-vos aqui não só como ‘mayor’ da Vila, mas como antiga atleta. Conheço as emoções que surgem quando se chega a um grande evento desportivo, a responsabilidade e o entusiasmo que se sentem após meses de preparação”, destacou a ginasta italiana.
Para a duas vezes medalhada de bronze olímpica na ginástica rítmica, a Aldeia Mediterrânea, inusitadamente instalada nestes Jogos num navio cruzeiro de origem saudita com capacidade para 3.300 pessoas, “é uma das mais importantes manifestações do espírito” do evento.
“É um local onde os atletas de diferentes países, culturas e tradições podem encontrar-se, conhecer-se e partilhar uma experiência que vai além da competição. Isto é o espírito do Mediterrâneo, que através do mar liga pessoas e partilha a história que hoje nos une em Taranto”, acrescentou, antes de entregar à ministra da Cultura, Juventude e Desporto uma “lembrança tradicional” da cidade do sul de Itália.
Acompanhada por João Rodrigues, o chefe da Missão portuguesa a Taranto-2026, Margarida Balseiro Lopes ‘devolveu’ o gesto com a oferta de um coração de cristal, antes de também o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) subir ao palco para a foto de família.
De seguida, a delegação lusa desfilou até ao local do hastear da bandeira e ouviu o hino nacional, com alguns elementos da Missão a atreveram-se mesmo a cantar baixinho o hino, enquanto outros registavam o momento de telemóvel na mão.
“Acima de tudo, é um momento de simbolismo da nossa presença. O hastear da bandeira de representação de Portugal é sempre um momento marcante de afirmação da portugalidade e do nosso país”, referiu Fernando Gomes, em declarações à agência Lusa.
Para o presidente do COP, a participação de Portugal nestes Jogos “reveste-se de uma importância significativa, porque une dois continentes”, nomeadamente os países do sul da Europa e do Norte de África – são 26 os países ‘tocados’ pelo Mediterrâneo que vão competir na 20.ª edição do evento, que começa na sexta-feira e termina em 03 de setembro.
“No momento tão conturbado que todos nós vivemos esta aproximação entre povos parece-me extremamente importante na afirmação através do desporto, um veículo que cria condições para haver uma maior integração e não haver discriminação”, acrescentou.
Do ponto de vista desportivo, o presidente do COP quer que os atletas aproveitem Taranto-2026 “no sentido de uma preparação que tem de ser feita a dois anos, relativamente aos Jogos Olímpicos” de Los Angeles-2028.
“Vão estar aqui atletas que pensam vir a representar Portugal nos Jogos Olímpico, é mais um momento da sua afirmação e de poderem aumentar a sua competitividade desportiva de forma a conseguir esse objetivo”, considerou.
Na estreia em Jogos do Mediterrâneo, Fernando Gomes considerou o momento “marcante” na sua presidência.
“As coisas têm corrido bastante bem, apesar das dificuldades logísticas que temos sentido. Há sempre a questão da adaptação, da novidade, de um país que tomou a decisão inclusive de alojar todos os atletas num barco. É uma experiência nova”, disse, destacando o “prazer enorme” que sente por estar à frente da delegação portuguesa.
Esta é a terceira vez que Portugal participa na competição, depois de uma primeira presença em Tarragona-2018, onde conquistou 24 medalhas e se apresentou com 221 atletas, de 29 modalidades.
Em Oran-2022, alcançou 25 pódios, incluindo sete ouros, com 164 desportistas, menos quatro do que a Missão que vai competir na cidade italiana.
