As fugas prematuras para a Europa desde a Argentina: Mastantuono, Echeverry, Barco e outros

Mastantuono, jogador do Real Madrid
Mastantuono, jogador do Real MadridREUTERS/Violeta Santos Moura

Os futebolistas argentinos estão a emigrar cada vez mais jovens para a Europa, uma aposta arriscada para todos os intervenientes do mercado, mas também para o tão falado processo de renovação da seleção campeã do mundo.

Num ano de Mundial que vai despedir da Albiceleste vários dos heróis do Catar, começando por Lionel Messi, a saída precoce de jovens promessas argentinas surge para os clubes formadores e famílias como uma tentação económica difícil de resistir.

No entanto, para muitos jogadores, marca o naufrágio das suas carreiras, uma tendência que ficou evidente no fecho dos principais mercados europeus na segunda-feira, quando nenhum compatriota de Diego Maradona conseguiu captar as atenções.

De acordo com o Relatório Global de Transferências da FIFA de 2025, publicado na passada quarta-feira, a Argentina foi a segunda maior escola mundial com 1.207 transferências, atrás do Brasil (2.326).

Apesar do volume, e do facto de três em cada quatro jovens saírem com cláusula de revenda, o país não figura entre os cinco que mais faturam com transferências, um sinal de que os clubes argentinos não conseguem rentabilizar devidamente o talento que formam.

Com o exemplo mais emblemático de Messi, que assinou aos 13 anos pelo FC Barcelona, outras joias da Albiceleste que também triunfaram na Europa, como Esteban Cambiasso (15), Sergio Agüero (18) ou Ángel Di María (19) incentivaram o mercado a apostar cada vez mais cedo.

De seguida, alguns exemplos recentes de jovens talentos que ficaram aquém das expectativas após emigrarem prematuramente para a Europa, um fenómeno que ameaça a renovação da Argentina a menos de cinco meses do Mundial da América do Norte.

Valentín Barco

Com 19 anos e sem ser titular indiscutível na equipa principal do Boca Juniors, o lateral chegou em 2024 para procurar minutos na Premier League com o Brighton, que o contratou por cerca de 13 milhões de euros e depois cedeu ao Sevilha, onde não teve oportunidade de jogar.

Apesar de ter perdido valor no mercado, em julho de 2025 foi emprestado ao Estrasburgo, onde conseguiu mostrar a sua qualidade, agora como médio-centro.

Claudio Echeverri

Em janeiro de 2024, o Manchester City pagou ao River Plate cerca de 18 milhões de euros pelo então extremo de 18 anos. Jogou 64 minutos pelo clube inglês antes de ser cedido ao Bayer Leverkusen e depois ao Girona, do City Group.

Tanto o River como o Diablito manifestaram interesse numa eventual cedência de regresso ao Millonario, onde uma parte dos adeptos resiste à ideia devido à sua saída atribulada.

Facundo Buonanotte

No final de 2022, o Brighton apostou 11 milhões de euros neste médio-centro que, aos 18 anos, brilhava no Rosario Central.

Após a sua primeira época na Europa, foi cedido ao Leicester, onde uma campanha sólida despertou o interesse do Chelsea.

No clube londrino chegou sem opção de compra e só disputou oito jogos, pelo que rescindiu o empréstimo e acabou por ser cedido ao Leeds.

Os números de Buonanotte
Os números de BuonanotteFlashscore

Adolfo Gaich

Com apenas oito golos no futebol argentino, o avançado do San Lorenzo foi contratado em 2020 pelo CSKA Moscovo por mais de nove milhões de euros. Nunca conseguiu afirmar-se e acumulou sete empréstimos a clubes secundários da Rússia, Turquia, Itália e Espanha.

Viajante incansável e com apenas 26 anos, a promessa de goleador rescindiu o contrato na Rússia e regressou ao futebol argentino com o Estudiantes de La Plata esta temporada. O seu valor atual é de 726 mil euros, de acordo com o Flashscore.

Alejo Véliz

Formado no Rosario Central, em 2023 tornou-se na venda mais cara da história do clube quando o Tottenham pagou 15 milhões de euros por ele. Em Inglaterra só disputou oito jogos antes de ser cedido ao Sevilha e depois ao Espanhol.

Aos 22 anos, abdicou do sonho europeu e regressou ao clube rosarino. Tem contrato com os Spurs até 2029, mas atualmente o seu passe está avaliado em 3,4 milhões de euros.

Darío Sarmiento

Estreou-se no Estudiantes de La Plata aos 16 anos e em 2021 foi transferido para o Manchester City por 5,5 milhões de euros.

Perdeu-se no multiverso do City Group com empréstimos ao Girona e ao Montevideo City, o extremo direito regressou ao futebol argentino, primeiro ao Tigre e nesta época ao Colón de Santa Fé. O seu passe está avaliado em 380 mil euros.

Franco Mastantuono

Em agosto de 2025, com apenas 18 anos, o jovem formado no River Plate chegou ao Real Madrid por 45 milhões de euros, a transferência mais cara da história do futebol argentino.

A pressão desse rótulo aumentou as expectativas em relação ao seu desempenho e reduziu a paciência dos adeptos merengues, que no domingo o assobiaram pela primeira vez após várias exibições discretas.

Apontado como futuro protagonista com a Argentina no Mundial-2026, Mastantuono já sentiu o peso da famosa frase "Madrid não espera por ninguém".