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O grande dérbi de Madrid apresenta uma situação invulgar no Santiago Bernabéu, com a ausência simultânea por lesão de Courtois e Oblak, o que representa uma oportunidade para dois protagonistas inesperados, os suplentes Lunin e Musso, cuja importância se eleva num momento decisivo da época.
Ao antigo jogador do Oviedo e Valladolid surgiu-lhe a oportunidade quando menos esperava. Frustrado pela eliminação precoce do Real Madrid na Taça do Rei, o seu regresso aos relvados acontece devido à inoportuna lesão muscular de Thibaut Courtois no Etihad Stadium ao intervalo. Já Musso, que tinha tido mais oportunidades dadas por Diego Simeone no seu segundo ano de rojiblanco, viu-se lançado para o onze frente ao Getafe devido a uma distensão muscular de Oblak.
O ucraniano do Real Madrid mal teve hipótese de mostrar o seu valor esta época. Fê-lo no passado, com um momento alto também no Etihad, numa decisão por penáltis que levou a sua equipa a reforçar a sua lenda na Liga dos Campeões. Frente ao Atlético de Madrid vai estrear-se na presente LaLiga após apenas quatro jogos. Nos três em que foi titular, sofreu sempre golos.

Os dois da Taça do Rei, capítulos para esquecer frente ao Talavera (2-3) e a eliminação que marcou todos os presentes em Albacete (3-2). Também na Liga dos Campeões, sofrendo até três golos do Olympiacos na sexta jornada da fase de grupos (3-4), e redimindo-se na segunda parte dos oitavos de final frente ao City. Apenas 315 minutos de competição entre aparições muito espaçadas no tempo.
Assumindo o seu papel na sombra de Thibaut, mas pronto para se afirmar novamente como fez durante a grave lesão no joelho do guarda-redes belga na época 2023/24, com 31 jogos em que sofreu 32 golos e só saiu derrotado numa partida. Precisamente frente ao Atlético de Madrid e na Taça do Rei.
Deixando o lugar de destaque na baliza ao titular indiscutível desde maio, para que este brilhasse na final da Liga dos Campeões diante do Borussia Dortmund. O lado mais duro de um desportista que aceita o papel que lhe cabe no Real Madrid, recusa sair e trabalha todo o ano à espera da oportunidade que agora surge.
Musso, o seu alter ego colchonero
Será o seu quinto duelo contra o Atlético, tendo sido expulso sem jogar no dérbi da primeira volta no Metropolitano, e com outra espinha atravessada por retirar. Três derrotas e um empate. Nunca venceu o rival e sofreu sete golos. Sem grande ritmo competitivo, a sua exibição será determinante para continuar na luta pelo título da LaLiga.
Musso é quatro anos mais velho que o seu adversário e já demonstrou o nível que o consagrou em Itália, primeiro no Udinese e depois na Atalanta. Nove jogos no seu primeiro ano de rojiblanco, o anterior: sete no percurso da Taça até às meias-finais e dois na LaLiga. O mesmo número de partidas já disputadas nesta época, ainda com três meses por jogar.
Juan Musso deu o salto para se tornar digno sucessor de um guarda-redes que marcou uma era no Atlético de Madrid, Oblak. A sua segurança notou-se em cinco jogos sem sofrer golos, mas também com grandes defesas em momentos decisivos das duas únicas derrotas que sofreu. O 3-0 do Camp Nou após travar o Barcelona na primeira mão das meias-finais da Taça e a derrota saborosa por 3-2 frente ao Tottenham em Londres, com o apuramento para os quartos de final da Liga dos Campeões já garantido.
A autoridade do argentino fez-se sentir nas suas aparições e terá de a confirmar sob os holofotes do Santiago Bernabéu. Protagonista do percurso vitorioso até à final da Taça, onde poderá conquistar o seu primeiro troféu de rojiblanco se superar a Real Sociedad. Antes disso, vai pôr à prova um registo histórico no futebol espanhol. Não sofreu qualquer golo nos quatro jogos que disputou na LaLiga: os dois frente ao Getafe esta época (0-1 e 1-0) e os realizados contra o Athletic Club (0-1) e Girona (0-4) na anterior. Com a dificuldade acrescida de ter disputado três desses encontros fora do Metropolitano.
O grande desafio de Musso será travar o regresso faminto de Mbappé, a vingança de Vinícius diante do adversário com quem tem a pior média goleadora, o bom momento de Valverde e outros perigos vestidos de branco num estádio que vai pressionar pela LaLiga. Frente ao Real Madrid só jogou uma vez na carreira, ao serviço da Atalanta, e sofreu dois golos na final da Supertaça Europeia em Varsóvia, em agosto de 2024, antes de assinar nesse mesmo mês pelo Atlético de Madrid.

