"Sei que não estou na minha melhor versão", reconheceu o próprio Vinícius na quarta-feira, após a épica reviravolta merengue frente à AS Roma, na Liga dos Campeões.
O avançado brasileiro praticamente não apareceu nesse encontro. Um erro seu deu origem a um golo da Roma e acabou por ser substituído pelo jovem compatriota Endrick, autor da reação que conduziu à vitória dos merengues por 3-4, no último suspiro.
"Queremos sempre jogar todos os minutos, mas sei qual é o meu momento, sei como estou a jogar", acrescentou, justificando o seu descontentamento ao ser substituído.
O brasileiro marcou apenas um golo e fez três assistências em 10 jogos oficiais esta época, depois de renovar o contrato no início de agosto até 2032.

Sem pólvora, Vinícius também não contribui defensivamente, como aconteceu em Roma, onde a sua escassa pressão após a perda de bola deixava o lateral desprotegido. O seu baixo rendimento já lhe valeu assobios e vaias em algumas ocasiões por parte dos adeptos blancos no Bernabéu.
"Os golos vão voltar"
Vinícius não recebia avisos deste tipo há anos, desde os seus primeiros tempos no Real Madrid, quando ultrapassava os adversários para depois escolher as piores opções diante da baliza.
"Quando tinha 18 anos, muitos riram-se de mim, dizendo que não ia marcar golos, e hoje já marquei mais de 100 com esta camisola", recordou Vini em Roma.
"A boa fase vai voltar, os golos vão voltar, tenho a certeza disso, não tenho qualquer dúvida", acrescentou o avançado brasileiro, que pode contar com a ajuda do seu treinador, José Mourinho, para o conseguir.

O português foi o primeiro a lamentar que o castigo de quatro jogos por puxar o cabelo a um adversário e protestar com o árbitro no jogo do passado domingo frente ao Villarreal possa atrasar o regresso de Vinícius ao seu nível. "É uma pena que o Vini, agora que estava a crescer, a ser o Vini no sentido de voltar a estar feliz, fique de fora", afirmou Mourinho na quarta-feira, após o jogo frente à Roma.
O treinador do Real Madrid não desistiu, desde o início da época, do objetivo de recuperar a melhor versão do brasileiro. "Quero o melhor de Vinícius e o melhor vai chegar", afirmava o técnico do Real Madrid no passado dia 11 de setembro, antes do jogo do campeonato frente ao Rayo Vallecano.
A sombra de Diomandé
O português dizia então que o seu jogador estava a trabalhar "mais do que nunca" para regressar ao seu melhor nível. Mas a verdade é que os jogos vão passando e Vinícius continua sem recordar aquele jogador vertiginoso que rompia linhas e chegava à baliza adversária.
Mourinho só o manteve em campo durante os 90 minutos em três dos 10 jogos disputados pelo Real Madrid esta época. Frente ao Villarreal, Vinícius entrou a partir do banco e esteve apenas 20 minutos no relvado, até ser expulso por puxar o cabelo a Nathan Saliba.
O brasileiro vê também crescer a figura do jovem marfinense Yan Diomandé, contratado por uma fortuna no verão, o que aumenta a pressão sobre ele e sobre o seu jogo.
A suspensão por quatro jogos, com início no domingo frente ao Sevilha, obrigará Mourinho a procurar alternativas na LaLiga, enquanto aguarda o regresso de Vini, que vai falhar o Clássico de 25 de outubro.

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