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Enquanto os Gunners – os adversários daquela final no Parque dos Príncipes, em Paris – lutam por alcançar um triplete histórico (Premier League, Taça de Inglaterra e Champions), o conjunto maño ocupa o 20.º lugar entre 22 equipas na segunda divisão espanhola e vê a zona de salvação a seis pontos de distância, quando faltam onze jornadas para o fim do campeonato.
Nessa equipa que se sagrou campeã da extinta Taça das Taças (competição que reunia os vencedores das taças nacionais) figuravam, entre outros, os argentinos Fernando Cáceres e Juan Eduardo Esnáider, o uruguaio Gustavo Poyet e os espanhóis Miguel Pardeza, Andoni Cedrún, Alberto Belsué, Xavi Aguado, Francisco "Paquete" Higuera...
Também Nayim, autor de um golo impossível no minuto 119 do prolongamento frente ao Arsenal, com um remate de primeira quase do meio-campo que descreveu uma trajetória inesperada antes de entrar na baliza de David Seaman.
"Um verdadeiro drama"
Atualmente, Nayim exerce funções de coordenador da formação do Ceuta, a cidade espanhola no norte de África onde nasceu, que também milita na segunda divisão e que, ironia do destino, vai visitar o Zaragoza a 18 de abril num duelo que poderá praticamente selar a catástrofe para o seu antigo clube.
"O que não espero é que a equipa da minha cidade dê o golpe final ao Real Zaragoza. Vai ser um jogo complicado, esperemos que, quando chegar o jogo, o Ceuta já esteja salvo e que o Real Zaragoza esteja muito perto da salvação", afirmou Nayim à AFP.
O antigo médio, de 59 anos, não esconde a sua preocupação pelo Zaragoza: "É um sentimento de inquietação, a dois jogos da salvação, há esperança de que se salve, mas esta época está a ser muito delicada, muito difícil, e esperemos que nestes jogos que faltam a equipa consiga dar a volta".
A situação do Real Zaragoza, de facto, está a dar que falar no futebol espanhol, tratando-se da equipa de uma das cinco cidades mais populosas de Espanha, e que desde meados da década de 1950 até 2013 só esteve quatro épocas na segunda divisão.
As 13 épocas consecutivas que soma agora na divisão secundária representam um "verdadeiro drama", explica à AFP o presidente da sua federação de peñas, José Manuel Fábregas.
Este adepto, que com 12 anos vibrou com o título da Taça das Taças, garante que "não se soube gerir bem o sucesso, e um ano e meio depois já se lutava para não descer".
Blanquiazul... e com argentinos
Desde então, o clube blanquiazul também conquistou títulos na Taça do Rei e realizou boas épocas na primeira divisão, muitas vezes recorrendo a jogadores sul-americanos: os irmãos Diego e Gabriel Milito, Gustavo López, Killy González, Pablo Aimar, "Toro" Acuña ou Roberto Ayala.
Mas, embora de forma lenta e com algumas interrupções, a tendência descendente parecia consolidada. E não apenas no plano desportivo. Com uma dívida próxima dos 145 milhões de euros, o clube entrou em processo de insolvência em 2011. Dois anos depois sofreu a sua última descida à segunda divisão e não voltou a marcar presença na elite.
No domingo, o Zaragoza vai receber o líder, o Racing de Santander, com David Navarro como quarto treinador desta época.
"Isto vem de muito atrás, mudanças a mais, demasiados projetos novos todos os anos, demasiadas alterações no plantel, jogadores que à partida garantem rendimento chegam ao Real Zaragoza e parecem outros. A verdade é que não é coisa de um ou dois anos, e cada vez é mais difícil, é preciso consolidar um projeto pouco a pouco e ter paciência", analisa Nayim.
Desde 2022, o clube passou para as mãos de um grupo investidor com capital norte-americano, com Jorge Más, proprietário principal do Inter Miami, como presidente.
Uma mudança que parece estar a equilibrar as finanças do clube, enquanto o estádio de La Romareda, previsto como palco do Mundial 2030, está a ser remodelado, mas que ainda não trouxe resultados no plano desportivo.
"O saneamento financeiro não se traduziu em bons resultados desportivos", constata José Manuel Fábregas, que apesar das dúvidas sobre o futuro do clube, mostra uma certeza: "O zaragocismo não se mede por divisões e, em caso de descida, vamos encher o estádio em todos os jogos".
