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Cada conferência de imprensa de Paulo Fonseca nas últimas semanas começa sempre da mesma forma: com a lista de lesionados que, dia após dia, enche ainda mais a enfermaria do Groupama Training Center. Antes de defrontar Le Havre, o OL lamenta duas novas baixas: "Noham Kamara tem um pequeno problema nos adutores e Rémi Himbert sofreu uma entorse grave", enumera o treinador português: Falei com o médico 2ontem e penso que vai precisar de 6 a 8 semanas. É triste, está desiludido, mas disse ao Rémi que agora tem de se focar na recuperação. Mas é difícil para ele."
No total, o Lyon tem nove ausentes para a deslocação a Le Havre este domingo: Clinton Mata está suspenso, Rémi Himbert e Malick Fofana têm entorses no tornozelo, Pavel Šulc, Afonso Moreira e Ruben Kluivert estão com problemas nos isquiotibiais, enquanto Noham Kamara e Ainsley Maitland-Niles sofrem dos adutores. Ernest Nuamah ainda está a recuperar após a rotura do ligamento cruzado. O setor ofensivo do Lyon está especialmente afetado: dos sete jogadores registados como avançados, apenas três estão disponíveis para defrontar Le Havre (Adam Karabec, Roman Yaremchuk e Endrick).
Uma estreia histórica frente ao Auxerre
Os dois primeiros não são propriamente titulares indiscutíveis e Paulo Fonseca pode ser tentado a recorrer aos seus jovens talentos. Se Khalis Merah deverá ser colocado como número 10, outro jovem Gone pode aproveitar esta escassez no ataque para ganhar minutos: Adil Hamdani. O jovem que concluiu a sua formação no OL e tornou-se o 3.º mais jovem jogador a vestir a camisola do emblema do Ródano em novembro passado (16 anos e 306 dias na sua estreia frente ao Auxerre) tem, por agora, de se contentar com poucos minutos: 6 minutos frente ao Celta, 9 minutos frente ao Paris FC, 12 minutos na Taça frente ao Laval, 4 minutos frente ao PAOK no final de janeiro...
No total, Adil Hamdani disputou apenas 38 minutos em seis aparições como profissional, em todas as competições. Mas soube aproveitar: frente ao Celta de Vigo, foi ele quem desequilibrou pela direita antes de Mata recuar para Endrick, que marcou o golo do 1-1. Quatro dias antes, foi ele quem conquistou o penálti frente ao Paris FC aos 90+6, quando o OL estava em apuros. O mesmo aconteceu no final de janeiro, quando fez uma assistência sublime, com um duplo toque e um cruzamento de trivela para Adam Karabec, resultando no golo do 3-2 frente ao PAOK.
Um miúdo que não hesita em arriscar em qualquer circunstância, como quando se diverte a fazer uma virgula e um túnel a Endrick na roda no treino. "É um jogador muito bom", reforçou Paulo Fonseca na conferência de imprensa deste sábado: "Está muito bem, mas penso que neste momento é difícil para ele ser titular. Para mim, é melhor que entre durante o jogo. Mas é um jogador que continua a evoluir."
Apesar das exibições promissoras, Adil Hamdani tem de saber esperar: no início da época, o parisiense estava previsto para jogar nos sub-17, mas rapidamente foi lançado nos sub-19. Só disputou seis jogos com eles, antes de alternar entre o grupo profissional e a N3. Com a equipa de reservas, jogou apenas quatro partidas esta época, sem ser decisivo. Integrado definitivamente no grupo principal, só desce aos "da sua idade" – já que os sub-19 são uma categoria acima da sua – para disputar a Gambardella e ajudar os seus: um bis na 2.ª ronda frente a Annecy e um golo nos oitavos de final frente a Mérignac.
"É um jogador que sempre foi promovido acima da sua idade", recorda o seu antigo treinador nos sub-17, Jordan Gonzalez, em declarações ao GonesArea: "Quando eu tinha os sub-17, ele era sub-15 e já jogava, tendo até terminado como melhor marcador da equipa. Não foi poupado às lesões ultimamente, por isso jogou muito pouco nos escalões jovens nestes tempos."
Descrito como um jogador maduro, que "tem o mental para vingar ao mais alto nível", quem teve de conciliar sub-19 e reservas agora tem de gerir a vida de estudante e de profissional, o que implica deslocações e tempos de recuperação mais exigentes. "Às 15:00 está nos relvados da Ligue 1 e no dia seguinte tem de ir ao liceu como qualquer rapaz da sua idade. Tem de manter os pés assentes na terra, mas está muito bem acompanhado", conta o seu agente Samir Khiat ao L'Équipe du soir.
Para além da sua técnica acima da média, Adil Hamdani pode ser uma mais-valia para um OL em dificuldades, graças ao seu lado criativo, que faz muita falta aos Gones neste momento, mas também pela sua capacidade de provocar com bola, pela qualidade de passe e de finalização. Avançado versátil, capaz de atuar em ambos os flancos, terá certamente a sua oportunidade num calendário muito apertado. "É um jogador identificado há muito tempo pelo OL para chegar mais longe", garante Jordan Gonzalez.
