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Numa partida pouco animada, decidida apenas por 1-0, foi preciso um momento de inspiração chamado Bradley Barcola para permitir ao PSG distanciar-se quatro pontos de Lens: num cruzamento perfeito, o extremo, colocado a número 9 devido à ausência de Ousmane Dembélé, apareceu para cabecear de forma imparável. Este golo, o seu 9.º em 35 jogos nesta época 2025/2026, confirma o seu novo estatuto. Mas para lá da finalização, foi a sua inteligência no papel de falso número 9 que saltou à vista.
Capaz de recuar para abrir espaços ou de criar desequilíbrios com movimentos incisivos em profundidade, o antigo jogador do Lyon transformou a defesa do Le Havre num autêntico caos. Ainda assim, o resultado poderia ter sido bem mais dilatado se os seus colegas tivessem sido mais eficazes. Talvez esse tenha sido o aspeto mais frustrante da sua noite na Normandia: Barcola deveria ter saído com duas assistências na bagagem.

E se Barcola fosse o Dembélé de 2025?
Numa transição rápida, Barcola ultrapassa dois defesas antes de colocar um passe preciso para Kang-in Lee. Isolado perante o guarda-redes, o coreano não foi suficientemente espontâneo e desperdiçou uma oportunidade clara. Poucos minutos depois, após uma jogada individual, o avançado francês fixou a defesa e serviu Nuno Mendes de forma perfeita. Mais uma vez, o duelo acabou por favorecer o guarda-redes adversário.
O debate sobre a finalização de Barcola permanece em aberto. Apesar de os seus números estarem a melhorar, por vezes ainda lhe falta aquela frieza diante da baliza que faz lembrar a trajetória de Ousmane Dembélé. No início de dezembro de 2024, aquele que viria a ser o vencedor da Bola de Ouro 2025 tinha apenas cinco golos em todas as competições após três meses e meio de época. Dembélé era então criticado pela sua falta de eficácia, até ao momento de viragem que todos conhecem. Barcola, com os seus 9 golos a meio da temporada, está à frente do ritmo do seu predecessor.
Na conferência de imprensa antes do duelo com o Mónaco, Luis Enrique foi naturalmente questionado sobre esta ligação evidente entre os dois jogadores. No entanto, recusa ver em Barcola o Dembélé de 2025: "Não é correto comparar jogadores, porque cada jogador e cada ano são diferentes."
"O que posso dizer sobre o Bradley é que teve muitos minutos, muitos jogos, jogou muito bem, pode atuar em qualquer posição do ataque. Estou satisfeito com o que vi. Esperamos ver ainda melhores coisas. E é isso que espero dele", garantiu o treinador do PSG, que deverá voltar a apostar nesta solução frente aos monegascos esta sexta-feira.

Será que Dembélé vai para o banco?
O jovem avançado de 23 anos não vê qualquer problema nisso. Após o triunfo frente ao Le Havre, Barcola apenas pede que lhe seja dado tempo para se adaptar melhor ao novo papel: "Tenho de partir nas costas, tentar recuar, mesmo que não seja o meu estilo, e ser eficaz. Podia ter marcado um segundo golo, mas estou satisfeito. Consigo jogar em todas as posições do ataque."
Contra o Mónaco, Luis Enrique terá várias opções, já que Ousmane Dembélé e Senny Mayulu, ambos recuperados de lesões no gémeo, deixaram o departamento médico e deverão integrar o grupo. "Estamos contentes, esperamos tê-los no próximo jogo, como habitualmente. Mas é sempre especial: é preciso valorizar e avaliar exatamente o estado físico de cada jogador", advertiu Luis Enrique.
Este jogo da Ligue 1 pode ser a oportunidade para voltar a testar o número 29 no centro do ataque, antes de os desafios mais importantes começarem para o PSG: os oitavos de final da Liga dos Campeões frente ao Chelsea, a 11 e 17 de março. Resta saber se Barcola será suficientemente convincente para ocupar o lugar de Dembélé no eixo.
