Os seus resultados semestrais para a época 2025/2026 são divulgados numa altura em que o Lyon, prejudicado pela gestão do seu acionista maioritário Eagle Bidco, está a ser colocado à venda por esta holding britânica, que se encontra sob administração judicial, tal como os seus clubes brasileiro, o Botafogo, e belga, o Molenbeek.
O exercício dos primeiros seis meses, fechado a 31 de dezembro de 2025, para um EFG proprietário do Lyon e do seu estádio Groupama Stadium, apresenta um resultado líquido negativo de 186,5 milhões de euros, após perdas recorde de 201,2 milhões nos 12 meses da época 2024/2025.
"Uma situação financeira ainda crítica devido a exposições herdadas do passado", reconhece o EFG esta terça-feira, sublinhando "a urgência de garantir uma solução de financiamento e de reestruturação".

O grupo congratula-se, no entanto, com uma "melhoria significativa do desempenho operacional" (não considerando assim os encargos da dívida nem o imposto), com um excedente bruto de exploração (EBE) de –2,2 milhões de euros, uma recuperação notória face aos –46,1 milhões do exercício anterior.
O EFG aposta na "possibilidade de entrada de um novo acionista capaz de contribuir para as necessidades de financiamento do grupo até junho de 2026" e confirma que a sua CEO e acionista minoritária, a empresária norte-americana Michele Kang, está "em condições de trabalhar numa proposta de aquisição" das participações da Eagle Bidco.
Esta holding, acionista maioritária do OL (88 %), foi colocada no final de março sob administração judicial no Reino Unido, afastando assim o antigo dirigente do Lyon John Textor. O empresário norte-americano já tinha sido afastado do cargo de CEO do Eagle Football Group em junho de 2025 devido ao colapso financeiro que agravou a sua dívida para perto de 518 milhões de euros. Dívida essa que aumentou para 616,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2025/2026.
Para justificar as suas dificuldades persistentes, o EFG acusa ainda John Textor de ter assumido compromissos junto de terceiros dos quais o grupo não teria tido conhecimento.

O endividamento do EFG quase custou ao Lyon uma descida administrativa à Ligue 2 antes de as autoridades do futebol lhe concederem um adiamento com a entrada de Michele Kang, imposta pelo fundo de investimento norte-americano Ares em substituição de John Textor.
A Ares, que tinha emprestado 425 milhões de euros a este último aquando da aquisição do Lyon em 2022, desempenha um papel determinante no futuro financeiro do clube enquanto credor principal, podendo apoiar a Sra. Kang numa eventual aquisição.
