Ligue 1: Muralha do RC Lens começa a dar sinais de fragilidade

Lens a vacilar na corrida ao título
Lens a vacilar na corrida ao títuloMATTHIEU MIRVILLE/DPPI VIA AFP

Durante grande parte da época, o RC Lens foi um líder defensivo sólido na Ligue 1, mas está a atravessar uma fase turbulenta. Entre lesões de jogadores-chave e erros individuais, a retaguarda dos Sang et Or precisa de ajustar-se urgentemente antes de receber o Angers esta sexta-feira, sob pena de ver as suas aspirações ao título a esfumarem-se.

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O alerta foi dado logo ao apito final em Lorient no sábado passado (derrota por 2-1). Para Florian Thauvin, já não há espaço para ilusões. O avançado experiente apontou uma falha coletiva que fragiliza o edifício lensois: "Temos concedido muitos golos ultimamente. Começa nos avançados e vai até à defesa, todos. Temos de melhorar isso".

Este desabafo ilustra uma realidade estatística dura. Depois de só ter sofrido sete golos em 12 jogos entre novembro e janeiro (uma média impressionante de 0,58 golo por jogo), o Lens viu as suas redes balançarem por 11 vezes nos últimos oito encontros desde o início de fevereiro, ou seja, 1,53 golo por partida. Esta quebra custou ao clube o estatuto de melhor defesa do campeonato, agora ocupado pelo Paris SG (22 golos sofridos contra 23 do Lens).

"A melhor forma de defender é continuar a atacar"

Perante este período difícil para a defesa, o treinador Pierre Sage procura manter a serenidade. Para ele, a derrota na Bretanha não põe em causa a identidade de jogo da sua equipa, mas evidencia uma falta de eficácia defensiva pontual: "Os jogadores do Lorient mostraram uma eficácia fora do comum, parabéns a eles. Tivemos um sistema defensivo que os impediu de entrar na nossa área várias vezes, mas não o suficiente. O facto de termos tido muita posse de bola neste jogo foi a melhor forma de defender".

O antigo treinador do Lyon mantém-se fiel à sua filosofia ofensiva para proteger o seu território, mas admite a urgência da situação. "A melhor forma de defender é continuar a atacar", resume, acrescentando com lucidez: "Também estamos conscientes de que é preciso resolver esta situação para voltarmos a crescer e continuarmos a alimentar a nossa ambição nas duas competições (na Ligue 1 e na Taça de França)".

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Ausências que pesam

O problema do Lens é também físico. As ausências de Jonathan Gradit, Samson Baidoo e Ruben Aguilar, pilares da solidez defensiva, obrigam Pierre Sage a ajustes arriscados. A promoção do jovem Nidal Celik, de 19 anos, e o reposicionamento de Ismaëlo Ganiou revelaram limitações, sendo que este último foi responsável por um golo evitável frente ao Estrasburgo (1-1) no final de fevereiro.

Até o último reduto, Robin Risser (21 anos), já não está tão seguro, especialmente após a sua exibição complicada diante do Mónaco (3-2). Pierre Sage fez questão de defender o seu guarda-redes: "Está a passar por uma fase menos boa em comparação com a época que fez, sobretudo no início, em que esteve realmente excecional".

Com apenas um ponto de atraso em relação ao Paris SG, o Lens já não tem margem para erro: recuperar a solidez defensiva já esta sexta-feira frente ao Angers é a única condição para transformar esta primavera de dúvidas numa epopeia histórica. Em Bollaert, a muralha tem de ser reconstruída agora, ou o sonho do título pode desaparecer antes mesmo do duelo de abril contra os parisienses.

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