Ligue 1: Paciência do Nantes com Luís Castro posta à prova em Lyon

Luis Castro no último fim de semana.
Luis Castro no último fim de semana.SEBASTIEN SALOM-GOMIS/AFP

Grande consumidor de treinadores, será que o Nantes vai voltar aos seus velhos hábitos? Sem progressos evidentes no futebol dos Canários, o treinador português Luís Castro parece estar sob ameaça antes da deslocação a Lyon, de Paulo Foneca, este domingo, para a 14.ª jornada da Ligue 1.

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18 se contarmos apenas os indivíduos, 20 se considerarmos em separado as duas passagens de Michel Der Zakarian e Antoine Kombouaré, 22 se juntarmos Christian Larièpe e Philippe Mao, que assumiram interinamente por uma noite: o número de treinadores desde a chegada da família Kita, em 2007, é impressionante.

Parecia que esse tempo tinha ficado para trás com a chegada, no último verão, de Luís Castro, técnico reconhecido pela qualidade do futebol praticado no Dunqueerque, 4.º classificado da Ligue 2 e semifinalista da Taça de França na época passada.

"Pensámos que o FC Nantes e a sua lendária identidade de jogo, mais o Luís (Castro), era uma combinação óbvia", chegou a afirmar Franck Kita, diretor-geral adjunto do clube, na apresentação do treinador.

O desafio era enorme após Antoine Kombouaré, que esteve perto de ser despedido no inverno, antes de garantir a manutenção apenas na última jornada de uma época desgastante. Mas, passadas 13 jornadas, o otimismo deu lugar a algum desencanto dentro e fora do clube.

Equipa menos perigosa da Ligue 1

11 pontos conquistados, tantos quanto Kombouaré tinha nesta fase na época passada, e só a diferença de golos mantém o Nantes fora da zona de descida (15.º). Mais preocupante ainda, nos últimos três jogos, frente ao Metz e Lorient em casa e Le Havre fora, os canários somaram apenas dois pontos.

Com 10,3 xG (golos esperados), 30 remates enquadrados, ou seja, 22,7% das suas tentativas, são a equipa menos perigosa da Ligue 1 nestas três categorias.

Como sinal do aumento da tensão, Waldemar Kita apareceu nos balneários ao intervalo do jogo com o Metz e o maior apoiante de Castro, Franck Kita, estava furioso após o empate com o Lorient (1-1), no último domingo. Ainda assim, Castro garante não sentir "pressão adicional, de todo".

"Se queres treinar ao mais alto nível, tens de estar consciente de que a pressão é algo positivo no futebol. Quem não gosta de pressão, devia procurar outro trabalho. Depois, se o clube achar que o problema é o Luís Castro, estou aqui o dia todo, podem vir falar comigo, não há qualquer problema", relativizou, na sexta-feira, em conferência de imprensa..

Um recrutamento ainda questionável

E embora não seja "alguém que procura desculpas", é fácil encontrar-lhe algumas, como o orçamento que passou de 80 para 50 milhões de euros, com um teto salarial de 50.000 euros mensais para as novas contratações.

Composto por várias apostas, o recrutamento não trouxe os resultados esperados, com apenas dois jogadores, Chidozie Awaziem, ex-FC porto, e Junior Mwanga, a destacarem-se entre as sete aquisições. As ausências quase constantes por lesão de Francis Coquelin, que deveria ser o patrão do meio-campo, as seis jornadas sem Johann Lepenant, ou mais recentemente a de Louis Leroux, que falhou o jogo em Lyon, também prejudicaram bastante a equipa.

Por fim, os Kita deviam saber que Castro sempre precisou de tempo para alcançar resultados. A sua primeira experiência à frente de uma equipa sénior terminou rapidamente, após 5 derrotas em 6 jogos pelo clube grego Panetolikos em 2019/2020. E em Dunquerque, Castro somou apenas 8 pontos nos primeiros 13 jogos do campeonato, antes de iniciar uma excelente sequência de nove partidas: sete vitórias e dois empates.

Um histórico que dificilmente acalmará a impaciência dos dirigentes…