Acompanhe as incidências do encontro
As imagens de 2016 são as do sonho: Frank McCourt, de polegar levantado e sempre sorridente, ao lado do então presidente da câmara, Jean-Claude Gaudin, e da antiga proprietária do clube, Margarita Louis-Dreyfus. O empresário norte-americano falava então do Marselha como uma "marca magnífica" e queria "concorrer diretamente com o Paris SG".
As de 2026 são as do desencanto, com as faixas recorrentes no Estádio Vélodrome: "McCourt fora!" ou "McCourt, fim de jogo!". As finanças estão no vermelho, o clube perdeu seis dos oito jogos disputados esta época e os adeptos acusam o proprietário de se dedicar mais aos seus projetos na equitação (Liga Premier Jumping) ou no digital (Project Liberty) do que ao Marselha.
Entretanto, porém, durante as presidências de Jacques-Henri Eyraud e depois de Pablo Longoria, houve grandes ambições, grandes noites no estádio, treinadores conceituados (André Villas-Boas, Rudi Garcia, Roberto De Zerbi…), alguns grandes jogadores (Dimitri Payet, Adrien Rabiot, Alexis Sanchez, Mason Greenwood…) e investimentos importantes. O círculo próximo do norte-americano aponta para 800 milhões de euros investidos em dez anos.

"Há dez anos, não tinha necessariamente uma noção muito clara do nível de investimento que isso iria representar. Mas foi sempre uma verdadeira felicidade", afirmou, sorrindo, o próprio em abril, na sua última intervenção pública em Marselha.
Compromisso intacto
Mas, como disse à AFP um antigo alto dirigente do clube, "a situação atual esconde tudo o resto e o Marselha está numa espiral em que tudo é visto de forma negativa". "Custa-me ver que estas dificuldades façam esquecer elementos muito importantes", salienta o mesmo interlocutor.
"A nível desportivo, o OM tem o 2.º melhor registo médio na classificação desde a chegada de McCourt, quando, no momento da compra, tinha acabado de terminar em 13.º. Houve oito qualificações europeias em dez anos e uma verdadeira regularidade no desempenho", detalha esta fonte, que evoca também "progressos consideráveis" na "formação" ou nas "receitas ligadas ao estádio".
No círculo próximo de McCourt, onde se garante que "o seu compromisso e a sua ligação ao clube permanecem intactos", recorda-se também um volume de negócios quase duplicado, receitas de bilheteira e patrocínios multiplicadas por dois, uma afluência sem igual no Vélodrome e a atenção dedicada à equipa feminina e ao "13.º Homem", o programa de envolvimento social do clube.

"Esta década foi marcada por importantes evoluções para o OM, nomeadamente na sua organização, no seu desenvolvimento comercial e na sua projeção. O trabalho realizado é importante, embora tenhamos plena consciência dos desafios que o clube enfrenta atualmente e dos esforços que continuam a ser necessários", garante também um colaborador próximo do proprietário.
Mas o balanço desportivo é insuficiente: três segundos lugares no campeonato e uma final da Liga Europa (2018) não escondem a incapacidade de ameaçar o PSG ou de afastar a concorrência de clubes que gastam menos. Sobretudo, o Marselha de McCourt não ganhou nada.
"A ausência de um título é uma ferida para todos", reconhece o antigo dirigente ouvido pela AFP. "E houve erros de comunicação. O Champions Project foi um erro".
"Titanic e A Jangada da Medusa"
Enquanto as perdas financeiras se agravam (105 milhões de euros em 2024/2025) e a DNCG e a UEFA acompanham o clube muito de perto, a pomposa designação do projeto inicial envelheceu efetivamente mal.
E os adeptos, com quem as sucessivas direções tiveram relações, no melhor dos casos, instáveis, avaliam hoje o conjunto com resignação e severidade.
"Escolheu muito mal as pessoas que o rodeavam. Os presidentes que escolheu, Eyraud e Longoria, foram catástrofes. O Titanic e A Jangada da Medusa!", declarou à AFP Rachid Zeroual, líder dos South Winners, o principal grupo de adeptos do clube.

"Com Eyraud, atacaram a identidade marselhesa. Não perceberam que não se pode transformar o Marselha num clube sem personalidade, quando os jogadores vêm por causa do estádio e do ambiente. Esse foi o seu grande fracasso", acrescentou.
"No próximo ano, os Winners fazem 40 anos. Um comprador seria uma bela prenda", espera também Zeroual, tal como muitos outros adeptos. Mas, embora o tema recorrente da venda do clube volte regularmente à superfície, McCourt diz-se simplesmente aberto à chegada de um "parceiro estratégico".
Receba todas as notícias sobre as suas equipas e jogadores favoritos!
Transferências, notícias, entrevistas: ative as noficações para os artigos sobre os seus jogadores e equipas favoritas.

