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"Assim é o futebol!" Pelo menos, o de Luis Enrique, que, sem dúvida, nas últimas duas épocas, é o melhor do mundo. E embora o Paris Saint-Germain tenha começado mal a época, com uma derrota no Trophée des Champions frente ao Lens (1-0) e um empate no Roazhon Park diante do Stade Rennais (2-2), o técnico espanhol já soube ser decisivo para a sua equipa num momento crucial.
Como? Simplesmente a fazer aquilo que muito poucos treinadores se atrevem a fazer nos grandes clubes: dirigir. Porque sim, Lucho tomou uma decisão corajosa ao intervalo, quando a sua equipa perdia por 2-0 ao chegar ao balneário: sentou as suas duas estrelas, Ousmane Dembélé, Bola de Ouro em título e referência do PSG nas duas últimas épocas, e Khvicha Kvaratskhelia, o melhor jogador parisiense da temporada 2025/26.
Uma mensagem muito clara para os seus futebolistas: quem não estiver ao nível não tem o lugar garantido no plantel, nem sequer com o estatuto dos dois avançados do PSG. Falando em estatuto, essa palavra, ao que parece, não existe no vocabulário de Luis Enrique, que quis sublinhar após o jogo, ao microfone da Ligue 1+ — depois de a sua equipa ter conseguido empatar 2-2 e resgatar um ponto — que o “crédito” não existe “no Paris Saint-Germain”.
"Tens de sair da tua zona de conforto! O Paris Saint-Germain não ganhou nada. Nada! Se achas que já ganhaste, não ganhaste nada. Para mim, o mais importante é que não há crédito. Tens de provar todos os dias, em cada jogo, que estás preparado. Queremos ganhar sempre e, para ganhar sempre, tens de sair da tua zona de conforto."
No lugar do francês e do georgiano, entraram Ferran Torres e Mika Godts logo a abrir a segunda parte — alterações que deram frutos, já que o campeão do mundo permitiu ao PSG voltar ao jogo. Mas antes de devolver Paris à luta, Luis Enrique também decidiu substituir, à hora de jogo, João Neves — que não estava a render como habitualmente — para lançar Fabian Ruiz, que também seria um verdadeiro game changer. Três substituições de peso, portanto — e sem esquecer a de Vitinha ao minuto 69 —, que recordam que nunca se pode adormecer à sombra dos louros.

Os dois espanhóis mudaram a dinâmica do encontro, conectando na perfeição — depois de terem passado mais de dois meses juntos nos Estados Unidos com a seleção espanhola — e permitiram ao PSG resgatar um ponto importante neste arranque de Ligue 1. É muito provável que o PSG mantenha o seu título de campeão de França no final da época, e este empate não deverá ter impacto relevante no resto do campeonato, já que Paris está muito acima dos restantes. Mas este jogo recorda até que ponto a exigência é a essência do PSG de Luis Enrique.
Se não estiveres bem, não há problema: há jogadores no banco à espera da sua oportunidade — a começar por todas essas novas contratações que vão iniciar um novo ciclo em França, no clube da capital. Para Ferran Torres, homem-chave da Roja, descartado pelo Barça como se fosse um proscrito, este início só pode trazer-lhe um sorriso. O avançado espanhol também nos recorda o quão valioso pode ser para o seu novo treinador, e o quanto parece ter atingido uma grande maturidade, depois daquele Mundial conquistado nos Estados Unidos.
Por sua vez, Luis Enrique, a partir do banco, mantém a sua política e mentalidade: a de tomar decisões corajosas quando o momento o exige. E se o fez no passado fim de semana frente ao Rennes, em pleno arranque de liga (J1), e ainda por cima com estrelas, não pensem que foi a primeira vez. Não foi. Recordem a sua substituição no Louis II, ao intervalo, na sua primeira época: Kylian Mbappé foi substituído. Já nessa altura o fez, quando ainda não era ninguém em Paris. Luis Enrique é, simplesmente, um treinador que sabe dirigir.
