“A ideia é procurar incentivar o ativismo e a responsabilidade social das jogadoras de futebol. As futebolistas podem desempenhar uma ação transformadora na sociedade”, afirmou o presidente do SJPF, Joaquim Evangelista, na apresentação do projeto.
Segundo Evangelista, o projeto surge da perceção do Sindicato de que as atletas são também “pessoas multidimensionais, com percursos, desafios e ambições na esfera pessoal, profissional e social”.
O projeto assenta em seis pilares: educação, inclusão e diversidade, maternidade, saúde mental, igualdade de género e empreendedorismo.
No pilar da educação, Joaquim Evangelista destacou Catarina Realista como um “exemplo na conciliação entre futebol e formação académica”.
“Há poucas jogadoras com cursos superiores. Há um grande foco no futebol mas há um futuro depois. Quando a carreira termina, quais são as opções? A educação é importante para abrir portas para o que vem a seguir”, afirmou a jogadora do Racing Power.
O presidente do SJPF referiu que a maternidade chegou a ser vista como um “ponto final na carreira de uma atleta”, sendo hoje “parte normal da vida” embora, ainda, com muitos obstáculos.
“Ser atleta e mãe é um direito e não um privilégio”, vincou Evangelista.
Beatriz Cameirão, jogadora do Benfica, afirmou sentir-se “orgulhosa” por ser embaixadora para a maternidade e por poder “dar voz a um tema que é urgente”.
“Não podemos esperar que as jogadoras acabem carreiras para serem mães. A maternidade é um tema que precisa de ser aprofundado, porque há muito por fazer, ainda”, referiu a jogadora das águias.
Na vertente da saúde mental, Joaquim Evangelista elogiou a “resiliência” de Madalena Marau em ultrapassar duas roturas do ligamento cruzado anterior, referindo que “cuidar da mente é, também, um ato de coragem”.
“A saúde mental está pouco esmiuçada no nosso meio e é uma parte muito importante. Eu precisei de ajuda quando tive as minhas lesões e é bom poder, agora, ajudar atletas que podem passar pelo mesmo”, assumiu a defesa do Racing Power.
Ao apresentar Rita Fontemanha como embaixadora para o empreendedorismo, Joaquim Evangelista afirmou que este é um “ato de empoderamento, independência, criatividade e liberdade”.
“A questão de pós-carreira tem de ser aprofundada. Há poucos planos para os atletas no pós-carreira. (O futebol) É uma carreira de curta duração e o luto de deixar de jogar também é difícil, mas é um tema com urgência porque os atletas se sentem perdidos. É importante ter um plano b. Pensar no pós-carreira não é pensar em acabar a carreira, é preparar o futuro”, salientou a atleta do Sporting.
Mesmo ausente do evento, Rute Costa, embaixadora para a inclusão e diversidade e guarda-redes do Torreense, deixou uma mensagem na qual afirmou que as mulheres “sofrem camadas adicionais de discriminação” e, por isso, é importante “usar o futebol como ferramenta de respeito de mudança”.
Já Tatiana Pinto, jogadora da Juventus e embaixadora para a igualdade de género, também ausente, afirmou que o “desenvolvimento sustentável do futebol exige justiça, equidade e igualdade de oportunidades para todos”, sendo preciso denunciar assédios, “quebrar tabus” e criar espaços mais inclusivos.
