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Torreense e Valadares Gaia decidiram contrariar todos os prognósticos para assumirem o protagonismo que, nos últimos anos, tem pertencido a Benfica, Sporting e SC Braga, os três grandes do futebol feminino em Portugal. São, de resto, os únicos clubes com estrutura totalmente profissional e que, fruto do investimento realizado, concentraram em si a luta pelos principais títulos.
No entanto, 2026 assinala um ponto de viragem. As equipas lideradas por Gonçalo Nunes e Zé Nando vestiram o fato de “David” e derrubaram o “Golias”, numa alusão à conhecida parábola bíblica, afastando Benfica e Sporting, respetivamente.
Ainda assim, esta final histórica apenas surpreende os mais desatentos à evolução da modalidade em Portugal. Torreense e Valadares Gaia apresentam projetos sólidos no futebol feminino e esta presença na decisão é um prémio justo pelo trabalho desenvolvido.

O Torreense, orientado de forma brilhante por Gonçalo Nunes, é o projeto mais recente. Depois de uma época histórica em 2024/25, com a melhor pontuação do clube na Liga e a conquista da Taça de Portugal, venceu a Supertaça no arranque da presente temporada e, após o triunfo frente ao Sporting no passado fim de semana, segue na luta pelo segundo lugar do campeonato.
Já o Valadares Gaia é um nome histórico no futebol feminino. Um clube que faz da sua equipa feminina a sua principal bandeira e que já competia ao mais alto nível antes da entrada de Sporting e SC Braga e, mais tarde, do Benfica.
Com Zé Nando a cumprir a terceira temporada em Gaia, o Valadares tem trilhado um percurso consistente nos últimos anos e está de regresso a uma final sete anos depois da última presença no Jamor. Esta será a quinta final para a formação nortenha, com a particularidade de ter conquistado apenas um troféu - Supertaça (2016).

Muito talento de Torres Vedras a Gaia
No que toca às jogadoras, ambos os clubes assumem-se também como autênticos viveiros de talento.
No Torreense, Gonçalo Nunes conta com um leque de opções de grande qualidade, desde as internacionais Carolina Correia (Flash Feminino) e Bárbara Lopes, à irreverência de Daniuska e à inteligência posicional de Gerda Konst e Paloma Lemos, sem esquecer o faro de golo de Ava Seelenfreund e Janaina Weimer (Flash Feminino).
Já no Valadares Gaia, a solidez começa na baliza, com a segurança de Erin Seppi, passando pela afirmação de Daniela Areia Santos, pelo talento de Erica Meg e Ana Teles (Flash Feminino) e pela experiência de Evy Pereira, Jennie Lakip e Laura Luís (Flash Feminino).

Os protagonistas em discurso direto
- Gonçalo Nunes, treinador do Torreense
"Não sairemos os dois felizes, isso é certo. Ainda assim, chegar aqui já é um sinal claro de qualidade. O resultado da final não deve desvalorizar a equipa que não vencer, tendo em conta o percurso que ambas fizeram. Para nós, esta final representa muito." - Leia aqui a conferência de imprensa.
- Zé Nando, treinador do Valadares Gaia
"Por trás desta taça está muito trabalho. É importante para enriquecer o currículo, mas gostava de valorizar sobretudo o projeto, as jogadoras e toda a família que nos rodeia. Há muito suor e muitas lágrimas em todo este percurso. Levantar a taça seria um prémio justo por tudo aquilo que temos vivido. Ainda assim, chegar aqui já é um grande feito." - Leia aqui a conferência de imprensa.
- Carolina Correia, capitã do Torreense
"Estamos numa boa fase e num momento muito positivo. Estamos desde janeiro sem derrotas e chegamos a esta final com um sentimento especial. Estamos focadas e motivadas. Queremos continuar a fazer história e esperamos que seja um bom dia para isso." - Leia aqui a conferência de imprensa.
- Erin Seppi, capitã do Valadares Gaia
"É um momento muito especial. Estou cá há quatro anos e cada época tem sido melhor do que a anterior. Quando cheguei, lutávamos pela manutenção e, agora, estamos a disputar uma final. Não posso pedir mais às minhas colegas, à equipa técnica e ao presidente. Houve um grande investimento no clube nos últimos anos." - Leia aqui a conferência de imprensa.
