Para entender essa evolução, o Flashscore conversou com Ricardo Amadeu, mentor de Alisson Santos no início da carreira, que detalha os primeiros passos do jovem que, em 2021, já mostrava a sua estrela ao decidir o título da Taça do Nordeste Sub-20 pelo Leão.
Esporte Clube Vitória: o berço de uma joia

A trajetória de Alisson Santos começou a ganhar contornos profissionais em 2019. Nessa época, Rodrigo Chagas comandava os Sub-20 do Vitória, tendo como adjunto Ricardo Amadeu — atual diretor da Base do Leão. Ambos identificaram rapidamente o talento fora de série de Alisson, então com apenas 16 anos. Para que o jovem pudesse saltar etapas e atuar no escalão etário acima, os treinadores apostaram numa preparação física intensiva, lapidando o diamante bruto para os desafios que viriam.
O salto definitivo ocorreu um ano depois. Ao assumir o desafio de auxiliar a equipa principal na luta contra a despromoção no Brasileirão, Ricardo Amadeu não hesitou: convocou Alisson e outros nove jovens da formação para a missão. Sob o comando de Ricardo Amadeu, o extremo encontrou o apoio necessário para mostrar o seu futebol e iniciar a caminhada que hoje o consagra nos relvados europeus.
Desafios da juventude: o choque de realidade na formação
Nem tudo foi um mar de rosas no início da trajetória de Alisson Santos. Apesar do talento inegável, o jovem extremo também apresentou os desafios típicos da imaturidade. Num episódio marcante, Ricardo Amadeu precisou de agir com firmeza para garantir que a disciplina prevalecesse sobre o individualismo, chegando a punir o atleta com o banco de suplentes após um ato de indisciplina tática em campo.
“Eu mandei um recado pelo central e ele gesticulou, abriu o braço para mim. No balneário, o 'pau quebrou'. Dei uma chamada forte nele e ele não respondeu, entendeu o recado. No início ele ficou 'bicudo', mas tirei-o da equipa e ele ficou no banco para entender que não era maior que o grupo, apesar de ser um destaque. A gente compreende que faz parte da imaturidade do jovem”, recorda Ricardo Amadeu.
O selo de qualidade da Toca do Leão
Apesar de episódios pontuais de amadurecimento, Ricardo Amadeu destaca que Alisson Santos sempre demonstrou respeito pelas normas e disciplina perante as diretrizes da equipa técnica. O atual gestor confessa que, embora a ascensão meteórica do extremo tenha sido impressionante, o sucesso no Velho Continente não é por acaso: a qualidade técnica exibida desde os primeiros treinos no Barradão já projetava um futuro de destaque no futebol mundial.
Impacto imediato e golos decisivos na Itália
Desde que desembarcou em Itália, emprestado pelo Sporting, Alisson Santos parece estar em casa. O extremo de 23 anos precisou de pouco tempo para elevar a sua moral no Nápoles, especialmente após balançar as redes em duelos cruciais. O ponto alto até aqui foi o golo marcado nos minutos finais do clássico contra a Roma, garantindo um empate heroico e evitando a derrota dos Partenopei.
Antes de chegar ao futebol italiano por empréstimo, o jovem já vinha de uma utilização sólida no Sporting, onde somou 31 jogos e seis participações diretas em golos (três golos e três assistências).
Recorde-se que todos os golos de Alisson Santos de leão ao peito foram marcados na Liga dos Campeões, provando a sua vocação para grandes palcos. Agora, com dois golos em sete partidas pelo Nápoles, Alisson Santos confirma que a mudança de ares tornou-o ainda mais letal.
Eficiência que desafia as estatísticas
Além da capacidade de desequilibrar o setor direito da defesa adversária, Alisson Santos tem-se destacado pela precisão. A sua média de "perigo" por remate (xG por finalização) é de apenas 0.05, o que confirma que o atacante mantém a postura ousada dos tempos de Vitória: a confiança para arriscar de longa distância.

Por outro lado, a eficiência tem sido o diferencial em Itália. Ter marcado dois golos com um xG acumulado de apenas 0.7 evidencia que Alisson Santos está "a vencer as probabilidades". O extremo tem convertido ocasiões difíceis, provando que a sua pontaria está extremamente afinada em lances de média e longa distância.
De "assistente" a finalizador letal
No Sporting, Alisson era o motor da equipa, procurando ter jogo a todo instante. A impressionante marca de 12.5 dribles por 90 minutos, somada ao alto volume de toques, mostra que a sua missão nos leões era gerar volume ofensivo e romper linhas. Essa agressividade resultava numa média de 2.5 ocasiões criadas para os seus companheiros, evidenciando que era um dos arquitetos do ataque.

No Nápoles, porém, a história mudou. A redução no número de remates e toques na bola não é um sinal de queda de rendimento, mas sim de uma adaptação tática. O "monopólio" da posse deu lugar a uma objetividade cirúrgica: Alisson agora toca menos na bola, mas é muito mais letal, priorizando a conclusão das jogadas e elevando nitidamente o seu índice de aproveitamento diante da baliza adversária.
