Recorde as incidências do encontro
Os mestres da principal competição europeia e os recém-chegados em termos de conquistas na Liga dos Campeões defrontaram-se nos play-offs da época passada, nos quartos de final de 2023/24, nas meias-finais de 2022/23 e 2021/22, e também nos oitavos de final de 2019/20.
Sem Mbappé no Real
Antes dessa sequência de jogos, só se tinham encontrado duas vezes, nas meias-finais de 2015/16 e na fase de grupos de 2012/13.
Antes do jogo de quarta-feira à noite, o equilíbrio dos resultados era ligeiramente favorável aos Blancos, com cinco vitórias contra quatro do City, e cinco empates.

Curiosamente, para duas das equipas mais bem-sucedidas da Europa, os 16 pontos do City na fase de grupos desta edição da competição significaram que só garantiram o apuramento automático para as eliminatórias por um triz.
O Real terminou em nono lugar com 15 pontos, o que obrigou a equipa a superar o Benfica – a equipa cuja vitória ao cair do pano os afastou do top oito – nos play-offs.
As quatro vitórias e uma derrota em casa nesta edição da Liga dos Campeões indicavam que seriam adversários de peso para o conjunto da Premier League, mesmo sem o lesionado Kylian Mbappé, embora a equipa de Pep Guardiola chegasse ao encontro com uma sequência de quatro jogos sem perder fora de casa.
Route one do Real Madrid
Os primeiros minutos, como seria de esperar, foram equilibrados, com o Real Madrid a registar três remates e o City dois nos primeiros 18 minutos.
Já se notava como a defesa visitante podia ser facilmente desfeita e o City ficou completamente exposto quando o pontapé longo de Thibaut Courtois encontrou Fede Valverde.
O capitão do Real ainda tinha muito por fazer, mas um toque primoroso permitiu-lhe fugir a Nico O'Reilly, antes de um toque subtil o colocar frente a Gianluigi Donnarumma e finalizar para a baliza deserta.
Ironia das ironias, esse golo foi o seu primeiro na Liga dos Campeões desde 9 de abril de 2024 – precisamente frente ao Manchester City.
Valverde 2-0 City
Seria também um dos apenas quatro toques que teve na área do City durante os 90 minutos e, à medida que o jogo avançava, o uruguaio impôs-se completamente neste duelo.
Sete minutos depois, aumentou a vantagem do Real com um remate de pé esquerdo, muito graças à incapacidade do City em travar Brahim Diaz e Vinicius Junior, enquanto subiam no relvado.
Tanto Rúben Dias como Marc Guehi só tentaram um desarme cada durante todo o jogo, perdendo ambos, e apenas uma interceção entre os dois ao longo dos 90 minutos diz muito sobre o nível da sua defesa.
Apesar de terem feito oito das 10 alívios do City no jogo, isso deve-se mais ao desespero do que a outra coisa, pois ambos estiveram ausentes durante largos períodos da partida.
Haaland sem ritmo
No ataque, a situação não foi diferente para os visitantes, com Erling Haaland sem qualquer remate, apenas nove toques na primeira parte e só um toque na área do Real antes de ser substituído.
Dos avançados do City, apenas Antoine Semenyo apresentou um nível de trabalho digno, com dois remates enquadrados e uma entrega que envergonhou o mais reputado Haaland.

Ao fechar a primeira parte, Valverde já tinha tentado mais desarmes do que qualquer outro jogador em campo (quatro), antes de uma jogada individual brilhante lhe permitir chegar ao terceiro golo com o seu terceiro remate enquadrado.
Mais uma vez, a defesa do City estava completamente perdida, o que deve preocupar Guardiola.
Remate de Vini ficou por concretizar
Mesmo considerando que quatro jogadores tentaram pelo menos 10 duelos individuais, o facto de apenas Rodri ter vencido mais de metade (sete em 11) é um sinal claro da falta de empenho no jogo mais importante da época.
Tendo em conta que o City teve uns impressionantes 75% de posse nos últimos 15 minutos da primeira parte, deveria ter conseguido pelo menos um golo nesse período.
O início da segunda parte manteve o mesmo padrão, com o City a registar 72% de posse coletiva, mas permitiu a Vinicius toda a liberdade no Santiago Bernabéu para entrar na área do conjunto inglês, sendo apenas travado por Donnarumma, o que lhe valeu um penálti.
O remate fraco de Vini da marca de penálti foi lamentável, pois o seu desempenho ofensivo foi o melhor depois de Valverde, e quem sabe se o momento em que Donnarumma se redimiu com uma defesa fácil não será recordado pelo Real após a segunda mão como o possível ponto de viragem deste duelo?
O presságio do Manchester City na Liga dos Campeões
Com sete remates enquadrados ao fim de uma hora de jogo, os anfitriões mantiveram-se por cima, obrigando Guardiola a fazer mais substituições.
No entanto, nenhum dos jogadores Rayan Cherki, Omar Marmoush e Tijjani Reijnders tentou um desarme ou conseguiu uma interceção ao longo do jogo.
Jeremy Doku pelo menos tentou agitar o jogo, com 16 toques na área do Real – 11 mais do que qualquer outro jogador do City –, mas ainda assim só conseguiu um remate, bloqueado a 13 minutos do fim.

Com o Real a marcar em 10 dos seus 11 jogos – apenas o Newcastle United (11) marcou mais nesta edição da competição – é difícil imaginar como o Manchester City poderá inverter este cenário.
A equipa de Guardiola só perdeu um dos últimos sete duelos diretos no Etihad Stadium, por isso pode acreditar que tem hipóteses, especialmente se conseguir marcar um ou dois golos cedo.

