Recorde as incidências da partida
Depois de perder frente ao Southampton na Taça de Inglaterra no fim de semana, naquele que foi o seu primeiro jogo após a derrota na final da Taça da Liga diante do Manchester City, era fundamental para Mikel Arteta que os Gunners conseguissem inverter o ciclo da melhor forma possível no Estádio José Alvalade.
Sporting só tinha perdido uma vez nos últimos 16 jogos
De facto, os londrinos apresentavam-se com mais experiência em grandes jogos nesta competição, já que este era o primeiro jogo dos quartos de final da Liga dos Campeões/Taça dos Campeões Europeus do Sporting desde a época 1982/83.
Ainda assim, a equipa orientada por Rui Borges não podia ser subestimada, pois já tinha vencido o campeão em título, o Paris Saint-Germain, numa sequência de 16 jogos oficiais com apenas uma derrota (13 vitórias, 2 empates).
Essa série incluiu ainda nove vitórias consecutivas em casa em todas as competições, uma das quais ficou marcada por uma reviravolta épica na segunda mão dos oitavos de final, frente ao Bodo/Glimt, o que deveria servir de aviso para um Arsenal que tinha vencido nove dos seus 10 jogos da Liga dos Campeões em 2025/26.
Apesar de Gabriel ter sido titular nos visitantes, a equipa sofreu um revés quando Bukayo Saka foi afastado do jogo após um teste físico realizado à última hora.
Entrada cautelosa do Arsenal
O início prudente do Arsenal não surpreendeu, e a equipa ficou a dever a David Raya a defesa de um remate fortíssimo de Maxi Araújo que ia com selo de golo e acabou por embater na trave.
Os Gunners só conseguiram aproximar-se da área do Sporting ao fim de 10 minutos, e mesmo assim, o antigo jogador leonino, Viktor Gyokeres, foi facilmente afastado da zona de perigo.
A tentativa de Noni Madueke de marcar um golo olímpico no primeiro canto do Arsenal também esbarrou nos ferros, numa fase em que os londrinos iam entrando no jogo de forma gradual.
Os 63% de posse coletiva nos primeiros 15 minutos mostravam o à-vontade dos jogadores de Arteta com bola, num ambiente escaldante, mas até então sem grandes resultados práticos.
Sem sorte na finalização para Luis Suárez
Apesar de terem tido menos bola do que o adversário, o Sporting sentia-se confortável e confiante quando assumia o controlo, e seis dos seus titulares tinham completado 100% dos passes aos 20 minutos.
No entanto, não conseguiram envolver o seu homem mais perigoso, Luis Suárez, que ao fim de meia hora ainda não tinha tocado na bola dentro da área do Arsenal.

Em contraste, Madueke estava a causar muitos problemas à defesa leonina e já tinha ganho cinco dos seis duelos em que participou.
Com William Saliba a vencer dois dos três duelos individuais e a completar 34 dos 35 passes numa exibição de grande nível na primeira parte, a equipa portuguesa não conseguia criar dificuldades ao líder da Premier League.
Sporting sem conseguir construir desde trás
Não ajudou a equipa da casa o facto de Gonçalo Inácio ter perdido a posse de bola em 11 ocasiões distintas na primeira parte, impedindo o Sporting de construir o jogo desde a defesa.
Os primeiros minutos da segunda parte voltaram a ser marcados pela tentativa de manter a posse de bola e controlar o ritmo do encontro.
O livre batido por Martin Odegaard - desviado por Rui Silva por cima da barra - foi o lance mais perigoso do Arsenal, que quase concedeu golo no canto seguinte, antes de David Raya afastar o perigo já perto do meio-campo.
Gyokeres começou a dar trabalho aos antigos colegas, e com três toques na área do Sporting, superava qualquer outro companheiro de equipa a 20 minutos do fim.
Exibição de homem do jogo para Declan Rice
Num desses lances, parecia ter assistido Martin Zubimendi, que marcou um belo remate em arco de longa distância, mas o golo foi anulado devido à posição irregular do avançado sueco.
Declan Rice estava a ser dos que mais influenciava o desfecho do jogo, recuperando a posse em 13 ocasiões distintas, o que não só evidenciava a sua importância para a equipa, como também era pelo menos 10 vezes mais do que qualquer outro colega.
Do lado do Sporting, Maxi Araújo foi o jogador mais interventivo em campo, concedeu sete faltas mas venceu cinco dos seis desarmes em que participou - mais do que qualquer outro jogador das duas equipas - e disputou 23 duelos individuais.
Uma série de substituições de parte a parte não parecia capaz de alterar o marcador, com ambas as equipas aparentemente satisfeitas em segurar o empate sem golos.

Havertz decidiu ao cair do pano
Foi então que surgiu Kai Havertz, que tinha apenas 10 toques na bola desde que entrou aos 70 minutos.
Numa dessas ocasiões, rematou para o fundo das redes de Rui Silva, já nos descontos, garantindo ao Arsenal a celebração do seu primeiro triunfo em jogos a eliminar europeus em Portugal, à sétima tentativa (4 empates e 2 derrotas).
O Sporting ficará a lamentar não ter conseguido transformar o domínio ofensivo em golos quando teve oportunidade.
Poucas equipas conseguiram superar o Arsenal esta época em remates totais, remates enquadrados, grandes oportunidades criadas e desarmes ganhos, e depois de terem sido goleados por 1-5 em casa na época passada, esta derrota pela margem mínima representa uma melhoria para o Sporting, mas também uma enorme oportunidade desperdiçada.
Significa que os leões continuam sem vencer o Arsenal em oito confrontos, e será preciso uma grande surpresa no Estádio Emirates para quebrar este registo.

