Análise: Como o Tottenham foi completamente dominado pelo Atletico Madrid

Antoine Griezmann e Marcos Llorente do Atletico Madrid celebram um golo frente ao Tottenham
Antoine Griezmann e Marcos Llorente do Atletico Madrid celebram um golo frente ao TottenhamDavid Canales / Zuma Press / Profimedia

Num ano que tem sido mais uma época terrível na Premier League para o Tottenham Hotspur, a Liga dos Campeões trouxe algum alívio aos Spurs.

Recorde aqui as incidências do encontro

Os lillywhites tinham vencido o duelo europeu anterior no final de janeiro, ao derrotar o Eintracht Frankfurt por 0-2 no Deutsche Bank Park, somando assim a terceira vitória consecutiva na Liga dos Campeões esta temporada.

Golos garantidos no Metropolitano

De facto, terminar em quarto lugar na fase de grupos da competição, com 17 pontos, atrás apenas do Arsenal, Bayern Munique e Liverpool, foi um feito notável tendo em conta o registo na Liga.

Na preparação para este encontro, os londrinos não tinham vencido nenhum dos últimos seis jogos da Premier League, sendo que o triunfo frente ao Eintracht foi mesmo o último em todas as competições.

Os onzes de Atlético de Madrid e Tottenham
Os onzes de Atlético de Madrid e TottenhamFlashscore

Em contraste, o Atleti tinha vencido os últimos quatro jogos em casa, incluindo uma impressionante goleada por 4-0 ao Barcelona na primeira mão das meias-finais da Taça do Rei.

Os golos eram praticamente garantidos, já que o Atleti tinha marcado nos últimos sete jogos da competição, assim como os Spurs, que tinham feito o gosto ao pé em cinco partidas consecutivas da prova.

Kinsky estreia-se com uma exibição desastrosa

No entanto, nada poderia ter preparado os adeptos presentes no estádio para o que aconteceu nos primeiros 15 minutos.

Por motivos que só ele saberá, Igor Tudor deixou o guarda-redes Guglielmo Vicario no banco e lançou Antonin Kinsky para a sua estreia na Liga dos Campeões, uma de cinco alterações em relação ao onze que defrontou o Eintracht.

Diego Simeone apostou forte ao colocar Ademola Lookman, Antoine Griezmann e Julian Alvarez de início, e essa aposta ofensiva deu frutos logo nos primeiros minutos.

Atletico Madrid v Tottenham Hotspur - Classificação dos jogadores
Atletico Madrid v Tottenham Hotspur - Classificação dos jogadoresFlashscore

Djed Spence já tinha visto o cartão amarelo, e Griezmann tentou o golo sem sucesso antes de Kinsky escorregar ao tentar sair a jogar, acabando por entregar a bola a Marcos Llorente, que rematou para o fundo das redes ao sexto minuto.

O pior ainda estava para vir, já que Micky van de Ven foi o próximo a escorregar no momento decisivo, permitindo a Griezmann correr isolado para a baliza e fazer o 2-0. De forma inexplicável, Kinsky voltou a cair ao tentar aliviar menos de dois minutos depois, com Álvarez a aproveitar para fazer o terceiro.

Tudor já tinha visto o suficiente e retirou o guarda-redes, que só tinha tocado na bola cinco vezes, duas das quais resultaram em golos para o adversário. Era inevitável questionar o tipo de chuteiras dos jogadores naquele momento, já que os três golos resultaram de escorregadelas.

Quatro golos de desvantagem com 69 minutos por jogar

Para além disso, a defesa do Tottenham estava completamente perdida, com Spence a perder a bola repetidamente no seu lado esquerdo.

A primeira intervenção de Vicario após entrar foi uma defesa espetacular a um livre de Griezmann que desviou em Pedro Porro. No entanto, Robin Le Normand aproveitou a bola solta para cabecear e fazer o quarto, com ainda 69 minutos por disputar.

O 16.º golo na primeira parte em 11 jogos da Liga dos Campeões deu ao Atleti mais do que qualquer outra equipa nesta edição da competição, e praticamente sentenciou o duelo nesse momento.

Porro, Spence e mais cinco titulares nem sequer tentaram um desarme sobre o adversário direto, quanto mais ganhar algum, e se não fosse pelas quatro interceções e três alívios de Cristian Romero, o resultado poderia ter sido ainda mais pesado.

Perdas de bola constante

O lateral-direito ainda deu alguma esperança aos visitantes ao marcar um golo aos 26 minutos, mas a verdade é que os Spurs estavam a ser completamente dominados.

Spence, Porro, Pape Matar Sarr e Kevin Danso perderam a posse de bola em 51 ocasiões distintas, e se procuravam orientação do banco, não a encontraram. Tudor, de braços cruzados e visivelmente frustrado, limitou-se a observar. O cabeceamento de Romero ao ferro perto do intervalo resumiu a sorte do Tottenham, e o apito para o intervalo trouxe algum alívio.

Archie Gray teve apenas nove toques na primeira parte, e Randal Kolo Muani tentou três passes, apenas um dos quais chegou ao destino, com uma taxa de sucesso de 33,3%, mais uma prova de uma equipa completamente desencontrada.

Solanke reduz a diferença

Dominic Solanke e Conor Gallagher entraram ao intervalo, dois jogadores que, provavelmente, deviam ter começado de início, e o médio, a jogar contra o seu antigo clube, foi um dos dois jogadores (Xavi Simons foi o outro) a completar 100% dos passes.

Para agravar ainda mais o sofrimento dos visitantes, depois de Jan Oblak ter defendido brilhantemente o cabeceamento de Richarlison, apenas dois passes depois, Álvarez fugiu à defesa do Tottenham e finalizou para o quinto golo do Atleti.

Foi o primeiro bis do argentino na Champions desde 21.º de janeiro de 2025 frente ao Bayer Leverkusen, e voltou a colocar os rojiblancos com uma vantagem confortável.

Solanke reduziu a diferença já perto do final, num dos dois remates que fez no jogo, ambos enquadrados. O avançado também acertou sete em oito passes, dando aos Spurs um ponto de referência tardio no ataque, algo que pode ser útil na segunda mão.

Última oportunidade para Tudor?

Apesar de ter sido demasiado pouco e demasiado tarde, o Tottenham ainda conseguiu fazer cinco remates depois de Álvarez ter marcado o quinto para os anfitriões, mostrando que ainda havia algum espírito de luta.

Só o adepto mais fervoroso acreditará que a equipa tem hipóteses na segunda mão, e não seria surpreendente ver outro treinador no banco de suplentes, tendo em conta a escolha inicial de Tudor, a falta de orientação e o facto de os londrinos terem perdido os quatro jogos sob o seu comando, concedendo 14 golos nesses encontros.

O croata poderá apontar alguns aspetos positivos, como o facto de os Spurs terem igualado o número de remates do Atleti e terem conseguido mais dribles bem-sucedidos do que os anfitriões; no entanto, quando só se fazem 63 passes para o último terço do relvado com uma precisão coletiva de 63,5%, não se ganham jogos de futebol.

O lema do Tottenham diz "To dare is to do" ("Ousar é fazer", ndr), mas neste momento não estão a ousar nem a fazer – e é isso que tem de mudar.

Estatísticas da partida
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