Reveja aqui as principais incidências da partida
A missão era complicada, mas o Sporting provou que não era impossível. O conforto de jogar a segunda mão em casa parecia pouco para recuperar uma desvantagem de três golos nos oitavos de final, mas o conjunto leonino conseguiu.
Pela segunda vez na história, o Sporting recuperou de uma desvantagem três golos numa eliminatória europeia para seguir para os quartos de final da Liga dos Campeões, a primeira vez no atual formato. Em 1964 foi o Manchester United que caiu em Alvalade nos quartos de final da Taça das Taças, 62 anos depois a vítima foi o Bodo/Glimt.
Avalanche de golos
Se há coisa que não se pode apontar ao Sporting de Rui Borges é falta de golos. Com uma dinâmica ofensiva oleada, os leões são o melhor ataque da Liga Portugal – 64 golos, mais nove que o Benfica – e desde ontem subiram ao pódio das equipas com mais tentos apontados em casa na Champions. São 16 os golos – distribuídos por Kairat (4), Marselha (2), Club Brugge (3), PSG (2) e Bodo/Glimt (5) – num registo apenas superado por Atlético Madrid (20) e PSG (18).
Em todas as competições, o Sporting chegou aos 105 golos e foi a quarta vez que marcou pelo menos cinco num jogo. Números que se explicam por uma autêntica avalanche ofensiva, em que os leões realizaram 38 remates, um recorde nesta edição da Champions, 14 dos quais enquadrados.

Fortaleza Alvalade
Na antecâmara da eliminatória com o Bodo/Glimt, muito se falou do fator casa no lado norueguês. Visitar o Círculo Polar Ártico nunca será fácil e o sintético provoca uma dificuldade extra, mas a viagem até Alvalade tem sido um verdadeiro pesadelo nesta edição da Champions.
Nos cinco jogos realizados em casa, o Sporting venceu todos e por aqui se explica muito do sucesso leonino na prova milionária. O anterior máximo era de dois triunfos.
Foi, também, ao segundo jogo em que não sofreu golos em casa, depois de ter vencido o Club Brugge. Algo que não acontecia desde 2008/09 – Basileia (2-0) e Shakhtar Donetsk (1-0). Melhor só em 1982/93, quando não sofreu em nenhum dos três jogos caseiros que fez – Dínamo Zagreb (3-0), CSKA Sófia (0-0) e Real Sociedad (1-0) – um feito que ainda pode ser alcançado, caso consiga manter o Arsenal sem golos nos quartos de final.

Para a história
O 5-0 entra como a maior vitória de sempre do Sporting no atual formato da Liga dos Campeões e iguala o 5-0 ao Floriana, em 1970/71. Os leões juntaram-se também ao FC Porto e Benfica como as únicas equipas portuguesas a vencer por cinco ou mais golos na prova milionária, sendo que foram os únicos a fazê-lo num jogo a eliminar.
Com esta reviravolta, o atual bicampeão nacional tornou-se apenas no quinto emblema a reverter uma desvantagem de três golos na era moderna da Liga dos Campeões. Liverpool (4-0 ao Barcelona em 2018/19), Roma (3-0 ao Barcelona em 2017/18), Barcelona (6-1 ao PSG em 2016/17) e Deportivo (4-0 ao AC Milan em 2003/04) são os outros membros deste selecto clube.
Tiki-taska europeu
A falta de resultados nos jogos considerados grandes tem sido uma das críticas mais vezes ouvidas quando se fala de Rui Borges. O técnico leonino não conseguiu vencer Benfica, FC Porto e SC Braga nesta edição do campeonato, mas em termos europeus tem mostrado uma faceta completamente diferente.
Frente ao Bodo/Glimt somou a sexta vitória nesta edição da Liga dos Campeões, fazendo dele o técnico que mais triunfos alcançou no banco leonino numa só época da prova milionária. No ranking geral está a um triunfo de igualar Paulo Bento no segundo lugar e a dois de Ruben Amorim.
Em termos de golos, o Sporting de Rui Borges (24) superou o de Paulo Bento (21) e fica atrás apenas do de Amorim (31), sendo que o agora ex-técnico do Manchester United tem mais quatro jogos na prova milionária que o atual treinador leonino (18 contra 14).

E se olharmos para a carreira europeia de Rui Borges, os números ganham outra dimensão. Esta é apenas a segunda temporada que o transmontano faz nas provas europeias, com um total de 26 jogos, divididos por Liga dos Campeões (14) e Liga Conferência (12 com o Vitória SC). Nesses somou 16 vitórias, cinco empates e cinco derrotas (todas na Champions).
Novamente, os números ofensivos saltam à vista. Se em termos defensivos tem a média exata de um golo sofrido por jogo, no outro lado do campo, os 54 tentos marcados equivalem a uma média de 2,1 por encontro.
Notas daquela que é já uma época histórica dos leões na Europa.
