Recorde as incidências do encontro
A montanha a escalar era gigante. As dificuldades na Noruega, onde tubarões como Atlético, Inter e Manchester City já tinham caído, custaram caro e obrigaram o Sporting a procurar um milagre em Alvalade. Os leões precisavam de três golos para levar a eliminatória para prolongamento, mas o espírito de Rui Borges e Pedro Gonçalves na conferência de antevisão foi visível em campo.
O sonho começou nas bancadas
As horas pouco convidativas a meio da semana não impediram que Alvalade se transformasse num vulcão à procura do impossível. O sonho foi alimentado nos dias anteriores nas redes sociais, mas acima de tudo foi em campo que adeptos e jogadores, juntos, deram vida à ambição leonina.
Ao fim de 15 minutos de domínio claro do Sporting, Trincão, Suárez e Pedro Gonçalves desperdiçaram ocasiões que, bem aproveitadas, podiam ter relançado de imediato a eliminatória.
Os leões jogaram com sentido de urgência e fizeram o que tinham de fazer: assumir o risco, dar espaço a potenciais contra-ataques e jogar sem medo à procura de um golo o mais rápido possível.
Aos 21 minutos, Trincão já tinha igualado o máximo de remates feitos pelo próprio na prova milionária (cinco), numa demonstração da vontade sportinguista em fazer tremer um Bodo/Glimt que foi dominador na Noruega, mas mal saiu do meio-campo na primeira parte de Alvalade, embora tivesse terminado os 45 minutos iniciais com duas bolas na trave da baliza de Rui Silva na mesma jogada.
Haikin ainda tentou gelar o ambiente com a demora nos pontapés de baliza, mas Alvalade entrou mesmo em ebulição ao minuto 34. Gonçalo Inácio, no dia em que se tornou o jogador do Sporting com mais jogos na Liga dos Campeões, cabeceou para o 1-0 na sequência de um canto de Trincão e deu expressão a um domínio leonino que já merecia outro resultado.
Os regressos de Pote e de Maxi Araújo trouxeram uma dinâmica mais perigosa ao Sporting, mas foi sobretudo o espírito coletivo que foi empurrando os leões e manteve vivo o sonho de levar pelo menos a eliminatória ao prolongamento. A dupla bola na trave sportinguista a fechar o primeiro tempo foi o sinal de que as estrelas podiam alinhar-se...

Épico!
Depois de 45 minutos a ver jogar, o Bodo/Glimt percebeu que corria sérios riscos caso continuasse a entregar toda a iniciativa ao Sporting e entrou mais ativo na segunda parte, obrigando Rui Silva às primeiras duas defesas na partida. O começo deixou apreensivas as bancadas de Alvalade, mas ultrapassados os primeiros minutos e o encontro voltou praticamente à mesma toada.

A equipa de Rui Borges manteve-se no último terço e, mesmo sem acerto, conseguiu manter o volume ofensivo junto à área norueguesa, reduzindo a desvantagem na eliminatória para um golo graças a Pedro Gonçalves (62'), que só teve de encostar ao segundo poste depois do passe perfeito de Suárez.
Há filmes com finais dramáticos e outros com finais felizes, mas previsíveis. O cenário de Alvalade apontava mais para o primeiro género, até porque aqueles 10 minutos do Bodo/Glimt no arranque da segunda parte foram só uma cena de curta duração. O Sporting carregou à procura do tal terceiro golo e foi feliz quando o cruzamento de Fresneda bateu no braço de Bjorkan e permitiu a Suárez (78') empatar a eliminatória de grande penalidade.
Com o cenário claramente inclinado, ainda houve esperanças de evitar o prolongamento, mas o remate de Nuno Santos bateu no poste e adiou a decisão de uma eliminatória que pareceu fechada no apito final na Noruega. Atendendo às circunstâncias, parecia e foi mesmo questão de tempo: no início do tempo extra, Maxi Araújo (92'), assistido por Trincão, confirmou a grande exibição e colocou pela primeira vez o Sporting na dianteira.
Para uma equipa que já tinha sofrido tanto para chegar a este ponto na eliminatória, aguentar cerca de 30 minutos foi tarefa fácil. A equipa de Rui Borges foi controlando o encontro sem se expor a um golo que levasse tudo para os penáltis e confirmou um apuramento histórico e épico para os quartos de final da Liga dos Campeões com um golo do jovem Rafael Nel (120+2') a colocar a cereja no topo do bolo.
Homem do jogo Flashscore: Morten Hjulmand (Sporting)

