Recorde as incidências da partida
O Sporting entrou em Alvalade sem ilusões. Afinal, o campeão da Europa, mesmo sem João Neves e Hakimi, continua a ser isso mesmo: o campeão da Europa. E, como tem sido habitual, a equipa de Rui Borges não apareceu na máxima força para conseguir tirar maior proveito dos momentos que inevitavelmente teria ao longo da partida.

Respeito pelo campeão da Europa
Por isso, não foi de estranhar que o meio-campo leonino, hoje sem o castigado Hjulmand, fosse mais pressionado do que a outra metade do jogo. O Sporting chegou ao intervalo com apenas 22 por cento de posse de bola, mas nem por isso pode dizer-se que tenha sido massacrado, pelo menos no que toca a ocasiões flagrantes de golo.

É certo que Rui Silva foi, muito provavelmente, o melhor elemento do lado verde-e-branco na primeira parte, com defesas seguras a remates de Fabián Ruiz, Vitinha e Nuno Mendes, muito aplaudido neste regresso a Alvalade. Ainda assim, não se pode falar de desperdícios do lado francês.

Do outro lado, Chevalier assistiu ao jogo numa posição privilegiada (ignoremos a chuva) embora tenha apanhado um susto aos 14 minutos, quando um remate de Geny, a primeira tentativa dos leões em todo o encontro, criou a ilusão de golo.
Nessa ilusão, o Sporting foi segurando o nulo, que ficou em sério risco depois de uma perda de bola do próprio Geny, quando tentava sair para o ataque. Zaire-Emery (30’) aproveitou um cruzamento de Fabián Ruiz para marcar de cabeça, mas Anthony Taylor foi ao VAR e detetou uma falta clara sobre o internacional moçambicano no início da jogada. Finalmente, motivos de celebração para os sportinguistas.
O jogo manteve-se sempre nessa toada, com a bola novamente a entrar na baliza de Rui Silva, desta vez após falta de Dembélé sobre o guarda-redes e sobre a bola, usando o braço para a introduzir na baliza. O intervalo chegou, porém, com a sensação de que o momento do Sporting ainda podia surgir. Morita (45+4’) desperdiçou essa possibilidade, atirando para as bancadas na ressaca de um livre de Maxi Araújo, mas do lado português não havia motivos para insatisfação com o nulo ao descanso. Afinal, era o campeão da Europa.

Peito feito para uma noite histórica
Neste tipo de jogos, a vida decide-se num momento e o Sporting fez pela vida e pelo seu momento. Depois daquele lance a fechar a primeira parte, a equipa de Rui Borges regressou com outra intensidade para a segunda parte e, em apenas oito minutos, criou as duas melhores ocasiões do encontro. Trincão assistiu para o falhanço de Suárez (52’) e, logo depois, rematou ao lado da baliza de Chevalier (53’). Era o melhor período ofensivo dos leões, claramente a assumir maior risco nesta fase.
O jogo parecia condenado à paciência e ao sofrimento. Dembélé (57’) ainda viu mais um golo anulado por fora de jogo e, após cerca de dez minutos mais fechados, a partida virou, de repente, para o lado do Sporting. À segunda oportunidade, Suárez (73’) não desperdiçou o momento e apareceu no sítio certo para abrir o marcador, depois de uma série de ressaltos na sequência de um canto.
O impacto nas bancadas foi grande, mas no relvado continuava a estar o campeão da Europa. E Kvaratskhelia (79’), um luxo que começou no banco, tratou de recordar o estatuto dos parisienses com um golaço, num remate em arco que voltou a obrigar os leões a recuar. O sonho da vitória existiu, sim, mas com dez minutos por jogar não havia vergonha em assumir que o empate era um bom resultado, mas e que tal tentar algo mais?
Rui Borges lançou Alisson à procura desse momento e da felicidade prometida, e ela acabou mesmo por surgir. O brasileiro criou duas jogadas pela esquerda e foi na segunda que se decidiu a noite. Trincão rematou, Chevalier defendeu de forma incompleta e Suárez (90+1’), novamente no sítio certo, transformou o instante final numa noite histórica para o Sporting.
Homem do jogo Flashscore: Luis Suárez (Sporting)

