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Depois de conquistar o primeiro título inglês desde 2004, a equipa de Mikel Arteta prepara-se para defrontar o Paris Saint-Germain na final da Liga dos Campeões, marcada para sábado, em Budapeste.
A conquista da primeira Liga dos Campeões da história do Arsenal, apenas 12 dias após o tão aguardado triunfo na Premier League, transformaria esta na melhor temporada de sempre do clube londrino.
Ainda assim, os gunners chegam à Puskás Aréna carregados pelos fantasmas de várias desilusões europeias do passado.
Desde que Tony Adams ergueu a Taça das Taças, em 1994, após um golo de Alan Smith frente ao Parma, o Arsenal perdeu quatro finais continentais marcantes.
Em 1995, os londrinos regressaram à final da Taça das Taças, mas acabaram derrotados pelo Saragoça, por 2-1, graças a um golo memorável de Nayim no prolongamento. O antigo jogador do Tottenham surpreendeu David Seaman com um remate de longa distância, perto da linha de meio-campo, num dos momentos mais traumáticos da história europeia do clube.
O episódio ganhou ainda maior dimensão pelo facto de Nayim ter passado pelo arquirrival Tottenham, com os adeptos dos spurs a eternizarem o célebre cântico “Nayim from the halfway line”.
Cinco anos mais tarde, Arsène Wenger conduziu o Arsenal à final da Taça UEFA, em Copenhaga, onde os ingleses acabariam derrotados pelo Galatasaray.
Mas os turcos, então vistos como claros outsiders, travaram Thierry Henry, Dennis Bergkamp e companhia num empate sem golos, antes de vencerem o Arsenal por 4-1 no desempate por grandes penalidades.
Em 2006, os londrinos alcançaram pela primeira vez a final da Liga dos Campeões. Contudo, a equipa orientada por Arsène Wenger saiu de Paris devastada, depois de Jens Lehmann ter sido expulso logo nos minutos iniciais, após derrubar Samuel Eto'o fora da área.
Mesmo reduzido a dez jogadores, o Arsenal ainda se colocou em vantagem graças a um golo de Sol Campbell, mas os tentos de Eto'o e Juliano Belletti consumaram a reviravolta do Barcelona.
Mais recentemente, em 2019, o Arsenal voltou a cair numa final europeia ao ser goleado por 4-1 pelo Chelsea, em Baku, na final da Liga Europa. Curiosamente, essa continua a ser a única derrota de Unai Emery numa final da competição, depois de triunfos ao serviço de Sevilla, Villarreal e Aston Villa.
O Arsenal perdeu ainda a final da Taça das Taças de 1980 frente ao Valencia, sendo a Taça das Cidades com Feiras, conquistada em 1970, o único outro troféu europeu do palmarés do clube.

"Seria irreal"
Exorcizar esses fantasmas europeus seria a consagração perfeita para Mikel Arteta, que colocou fim a seis anos sem títulos ao conduzir o Arsenal ao 14.º campeonato inglês da sua história.
Depois da vitória por 2-1 frente ao Crystal Palace, no último jogo da Premier League, Arteta juntou-se aos jogadores e à equipa técnica para celebrar num restaurante mediterrânico em Mayfair, Londres.
A festa prolongou-se pela noite dentro em vários locais da capital inglesa, com Declan Rice a cantar “Ice Ice Baby”, música que os adeptos do Arsenal transformaram num cântico dedicado ao internacional inglês.
Poucas horas depois de erguer o troféu em Selhurst Park, o capitão Martin Ødegaard resumiu o ambiente de euforia vivido pelos londrinos antes da viagem para Budapeste.
"Toda a gente está muito feliz. Estamos a viver um sonho, ganhar a Premier League e estar numa final da Liga dos Campeões. Agora temos uma grande final. Se conseguíssemos, seria irreal", disse.
Arteta interrompeu a folia para manter os seus jogadores concentrados, elogiando a união do plantel e incitando-os a seguir a conquista do título conquistando a Europa.
"Precisamos que essa energia flua. Ir contra isso será um grande erro. Já conversamos sobre o que temos de fazer em Budapeste, como vamos usar toda a incrível energia que estamos carregando para essa final. Mal podemos esperar para escrever um novo capítulo na história do nosso clube e ganhar a Liga dos Campeões", disse o espanhol.
O Paris Saint-Germain, atual detentor do troféu, apresenta-se como um adversário temível, depois de ter eliminado o Arsenal nas meias-finais da última edição com um triunfo por 3-1 no agregado.
Ainda assim, após mais de três décadas marcadas por desilusões europeias, Mikel Arteta sabe que está a apenas um passo de entrar definitivamente na história do clube londrino.
"Se ganharmos mais uma vez, seremos os campeões da Europa - tão simples quanto isso", disse ele.
