O ucraniano Anatoliy Trubin salta mais alto que todos e, de cabeça, supera o guardião belga Thibaut Courtois, garantindo a vitória por 4-2 do Benfica contra o Real Madrid no Estádio da Luz, em Lisboa.
Não se trata de um golo qualquer. Com este tento, as águias seguem para os play-offs que valem uma vaga nos oitavos de final da Liga dos Campeões — graças à diferença de golos — a mesma fase que o Real Madrid terá de disputar depois dessa derrota em Portugal.
Trubin, o mais improvável dos heróis, não foi o primeiro guarda-redes a marcar um golo de cabeça — muito menos de penálti ou de livre —, mas talvez o seu golo na noite de quarta-feira contra o gigante da capital espanhola possa ser considerado um dos mais importantes do torneio, dada a relevância desse jogo.
Do lendário brasileiro Rogério Ceni, ídolo do São Paulo, que com 132 golos (em jogos oficiais e amigáveis) é o guarda-redes com mais golos da história do futebol, ao paraguaio José Luis Chilavert, que marcou golos memoráveis pelo Vélez Sarsfield e pela seleção paraguaia na década de 1990, vários ocupantes dessa posição já balançaram as redes.
Aqui estão alguns golos memoráveis marcados por guarda-redes:
Palop, herói do Sevilha
O guarda-redes espanhol Andrés Palop fez história pelo Sevilha ao marcar um golo crucial na campanha que levou o clube à conquista do seu segundo título da Liga Europa em 2007.
A equipa andaluza perdia com o Shakhtar Donetsk na 2.ª mão dos oitavos de final, na Ucrânia, em 15 de março daquele ano, e estava à beira da eliminação na sua competição preferida — o Sevilha é o clube com mais títulos, sete no total — até que, aos 94 minutos, Palop cabeceou para o fundo da rede após um canto cobrado por Dani Alves, empatando a partida.
O golo de Palop levou o jogo para o prolongamento, no qual o uruguaio Javier Chevantón marcou o golo da vitória frente ao Sevilla, que depois eliminaria Tottenham (quartos de final), Osasuna (meias-finais) e Espanhol na final.
"Quando o canto foi cobrado, todos estavam à minha espera e então vi a bola a vir na minha direção e soube que era a minha chance, que eu poderia rematar para a baliza sem a oposição de nenhum adversário", lembrou Palop. "Vivi sensações incríveis que nunca havia sentido antes. Agora sei o que um companheiro de equipa sente quando marca um golo".
Chilavert, matador paraguaio
José Luis Félix Chilavert tornou-se famoso por marcar golos de livre e de penálti na década de 1990, jogando pelo Vélez Sarsfield e pela seleção paraguaia.
Entre as suas vítimas mais frequentes estavam Germán "Mono" Burgos, do River Plate e da seleção argentina, Oscar Córdoba, da seleção colombiana, e Carlos Navarro Montoya, do Boca Juniors.
Uma das suas noites mais memoráveis foi em 16 de junho de 1996, no Estádio José Amalfitani, em Buenos Aires.
O Vélez recebeu o Boca Juniors, que contava com Navarro Montoya, Claudio Caniggia e o lendário Diego Armando Maradona.
Depois de começar a perder com um golo de Caniggia, o Vélez acabou por vencer por 5-1, com dois golos de Chilavert: o segundo da sua equipa, um magnífico golo de livre ao ângulo superior esquerdo, e o terceiro, de penálti.
Maradona foi expulso pelo árbitro Javier Castrilli e o Vélez jogou de forma brilhante e conquistou o seu segundo título nacional consecutivo.
Golo de Higuita nas meias-finais da Libertadores
Poucos entendem mais de loucuras do que René Higuita.
Entre as suas jogadas memoráveis, o extravagante guarda-redes colombiano relembra um golo espetacular de livre que marcou na meia-final da Taça Libertadores de 1995, quando jogava pelo Atlético Nacional de Medellín.
Com precisão milimétrica, El Loco colocou a bola no ângulo superior da baliza defendida por outro jogador de cabelos compridos, Burgos, no Estádio Monumental de Buenos Aires.
O Atlético Nacional venceu o jogo da primeira mão por 1-0 com esse golo e perdeu pelo mesmo resultado na Colômbia, mas avançou para a final nos penáltis, onde acabou por ser derrotado pelo Grémio.
Tim Howard de baliza a baliza
Embora golos marcados de cabeça por um guarda-redes sejam incomuns no futebol, marcar um golo de uma área à outra é ainda mais raro, embora já tenha acontecido em algumas ocasiões.
Um desses casos ocorreu no dia 4 de janeiro de 2012, quando o guarda-redes da seleção americana, Tim Howard, marcou um golo histórico na Premier League pelo Everton contra o Bolton Wanderers no Goodison Park, em Liverpool.
Aproveitando um vento forte, o seu remate de dentro da própria área passou por cima do guarda-redes adversário, Adam Bogdan, aos 62 minutos, e Howard tornou-se o quarto guarda-redes na história da Premier League a marcar um golo.
No entanto, o Bolton acabou por vencer a partida por 2-1.
