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Poucas figuras no futebol mundial entendem o Bayern de Munique tão bem como Samuel Kuffour. O defesa central ganês viveu os melhores anos da sua carreira na Allianz Arena, onde conquistou cinco títulos da Bundesliga, duas Taças da Alemanha e a Liga dos Campeões em 2001.
Durante mais de uma década, Kuffour foi o coração de uma das defesas mais temíveis da Europa, treinando ao lado de gigantes e absorvendo a mentalidade do futebol alemão no seu auge. Hoje, aos 49 anos, o eterno ídolo bávaro acompanha a temporada 2025/26 com entusiasmo: o seu antigo clube está na rota do triplete, com a Bundesliga revalidada, a final da Taça da Alemanha garantida e as meias-finais da Champions contra o PSG no horizonte.

"Este é o nosso ano"
Bayern e Paris Saint-Germain, dois dos clubes em melhor forma no continente, reencontram-se nas meias-finais da prova milionária, depois de os alemães terem levado a melhor sobre os franceses na fase de grupos. O PSG, atual detentor do troféu sob o comando de Luis Enrique, é uma força temível, mas Kuffour não tem dúvidas sobre quem apoiar.
"Claro que o Bayern pode ganhar a Liga dos Campeões. Acho que este é o nosso ano. A Champions tornou-se tão difícil que, quando chegas aos últimos quatro, tudo é possível. Não vou dizer que o jogo contra o Paris será canja. São uma excelente equipa, venceram a prova o ano passado. Nós vencemo-los esta época. Estes dois jogos vão definir a força mental deste Bayern", afirmou em declarações ao Flashscore.
Kompany abriu portas aos treinadores negros
A identidade de jogo do Bayern nesta temporada tem sido deslumbrante e grande parte do crédito pertence a Vincent Kompany. O antigo capitão do Manchester City transformou os bávaros numa das equipas mais espetaculares da Europa. Com dois títulos consecutivos da Bundesliga e resultados expressivos em todas as frentes, o belga está a silenciar os críticos. Kuffour não esconde a admiração.
"Ele ganhou o campeonato. No ano passado caiu nos quartos de final contra o Real Madrid, agora está nas meias-finais. É o primeiro treinador negro a orientar um clube na Alemanha e logo um dos melhores do mundo. Está a sair-se muito bem e o futebol que praticam é fantástico", sublinhou.
As comparações com nomes históricos também não passam despercebidas: "Toda a gente pergunta: 'Uau, isto é Pep Guardiola? É Johan Cruyff?'. Ele aprendeu muito. O próprio Guardiola teve um papel fulcral na sua chegada; o Bayern contactou o Pep e ele aconselhou-os a dar o cargo ao Kompany".
Para Kuffour, o sucesso de Kompany tem um significado pessoal profundo: "Neste momento, é um dos melhores do mundo. Abriu muitas portas para os treinadores negros. E ainda é jovem".
A perda da "mentalidade alemã"
O foco vira-se para o Mundial-2026. Apesar do talento de Florian Wirtz e Jamal Musiala sob as ordens de Julian Nagelsmann, Kuffour acredita que algo fundamental se perdeu no ADN da seleção alemã.
"Na Alemanha, a primeira coisa que tens de aprender é a mentalidade. O não saber perder. Vi grandes jogadores, como o Klinsmann ou o Matthäus no Mundial-1990. Treinar com eles era diferente. Se o Lothar Matthäus perdesse num treino, ficava louco. Ia para o balneário e atirava coisas pelo ar. Ninguém dizia nada porque era permitido ter aquela fome", recordou.
Para o antigo central, essa "agressividade" desapareceu: "Não creio que a Alemanha ganhe o Mundial porque ainda não chegou a esse nível. O ímpeto, a mentalidade... tudo caiu", concluiu de forma pragmática.

