Recore as incidências do encontro
- Como se sente no Camp Nou nestes momentos históricos?
Podem imaginar, estou numa bolha. É um dia muito especial, como se de repente tudo se tivesse aberto. Jogámos muito bem, tanto a nível individual como coletivo. Os adeptos estiveram incríveis, penso que bateram um grande recorde de assistência. Estamos nas meias-finais; sinto-me muito orgulhosa e grata por poder viver este dia.
- O que sentiu ao entrar em campo perante 60.000 pessoas num Camp Nou cheio mais uma vez?
A verdade é que, antes e durante o jogo, não fiz nada de diferente do que costumamos fazer. É uma questão de responsabilidade e compromisso. É preciso manter as rotinas, estar concentrada e focada no jogo porque, no fim, o nosso trabalho é corresponder à confiança da equipa e das minhas companheiras.
Tentei manter-me nesse estado mental até ao momento da substituição. Foi aí que desliguei o modo competição e consegui aperceber-me do que estava a acontecer. Continuo na minha bolha e vou precisar de algumas horas para assimilar tudo. Estou muito feliz, não só pelo que vivi, mas porque toda a gente está feliz. É uma alegria a dobrar.

- O que pensou ao ver toda aquela gente desde o relvado?
Orgulho. A sensação de que estamos todas a caminhar na mesma direção, muito unidas: os adeptos, a equipa, o clube... Sinto um enorme orgulho porque existe um sentimento de pertença muito forte dentro desta equipa. É isso que nos impulsiona a dar sempre mais, esse extra de orgulho. Apesar do resultado favorável na primeira mão, queríamos sempre mais. Esta ligação com o público é uma grande fonte de orgulho.
- O seu primeiro golo hoje recorda que também foi a primeira jogadora a marcar no Camp Nou após a reabertura. A sua história e a do Barcelona parecem estar muito ligadas. Em que pensou ao marcar e fazer a sua habitual vénia?
Nesse momento, não pensei em nada disso. Vi que a Ewa rematou à baliza e pensei que tinha de ir ao ressalto porque, se ela não finalizasse a jogada, não havia mais ninguém ali. Quando vi a bola ali, pensei "é golo". Era importante começar a dominar e que a primeira oportunidade terminasse em golo.
Se em 2012, quando comecei, me tivessem dito que tudo isto ia acontecer, nunca o teria imaginado. Acho que convosco seria igual. O que celebramos vai muito além de um golo ou de um jogo 500: é ver essas bancadas cheias, todas aquelas crianças. Há mais de 20 anos, era eu quem estava sentada lá em cima. Quem sabe se, daqui a 20 anos, alguma das meninas que hoje estão aqui não será quem jogue o seu jogo 500? É um ciclo maravilhoso e estou a desfrutar imenso.
"Exijo o limite"
- O que significa o Barcelona para si, para além de ter passado quase toda a sua vida aqui?
É uma pergunta profunda e complexa porque o Barcelona representa imensas coisas. Por este clube dou tudo, entrego-me ao máximo e exijo-me ao limite. É uma relação que valorizo muito, mas como a vivo sempre ao máximo, por vezes perde-se um pouco de estabilidade. Mas é assim que entendo o Barcelona: querendo dar sempre o melhor de mim, reinventando-me e estando totalmente comprometida com as minhas companheiras e o clube. É uma relação muito profunda que me acompanha desde sempre.
- Na última vez no Camp Nou não pôde jogar porque estava a regressar de uma lesão. Foi uma motivação extra voltar assim para este "primeiro" jogo no Spotify Camp Nou?
- Foi precisamente quando recebi alta médica após a lesão do cruzado. Para mim, depois de todo esse processo, era muito importante poder finalmente sentar-me no banco, voltar a vestir a camisola e deixar de estar na bancada a acompanhar a equipa de outra forma. Nesse dia não fui ao relvado, mas já foi algo simbólico. Foi o último jogo no antigo Camp Nou, e hoje é o primeiro no novo Spotify Camp Nou. É esse círculo de que falava: desfruto cada etapa deste crescimento dia após dia.
- O que resta da pequena Alexia de antigamente na de hoje?
Resta a essência. Tudo continua lá: a vontade de viver esta profissão que me apaixona. Ao mesmo tempo, cresci e reinventei-me ao longo dos anos, aprendendo com os profissionais que me rodeiam. O importante é que a essência permanece. Por vezes passamos por momentos em que não percebemos muito bem o que fazemos, mas se nos agarrarmos a essa essência, a esse "ponto zero", ganhamos muito. Tudo continua lá, enriquecido por tudo o que construímos juntas.
