Cinco finais da Liga dos Campeões, cinco derrotas. Parecia que a Ewa Pajor estava amaldiçoada. Referência absoluta no ataque, ao nível de Robert Lewandowski no Barça e na Polónia, acumulava medalhas de prata, entre as quatro conquistadas pelo Wolfsburgo e a que ganhou com as Blaugranas no ano passado.
Após o apito final e até durante a entrega da taça, Pajor tentou segurar as lágrimas, mas assim que caiu nos braços da Alexia Putellas, foi um autêntico rio a correr-lhe dos olhos, resultado de tantas frustrações misturadas com a sensação de ter cumprido o sonho de uma carreira inteira.
O seu jogo não foi um passeio. Na primeira parte, até tropeçou nas dificuldades. Quando Putellas a lançou nas costas de Wendie Renard e ela falhou o alvo, numa altura em que Christiane Endler já tinha saído da baliza sem hipótese de intervir, Pajor sentiu-se sozinha, pois esse erro defensivo das lionesas foi o único momento de perigo catalão num início de jogo muito apagado, salvo in extremis por uma intervenção decisiva do VAR.

A dez minutos do intervalo, uma segunda oportunidade acabou ao lado porque preferiu rematar com força ao primeiro poste.
A maldição parecia colada às chuteiras de Pajor e esta final, que lembrava muito o ritmo lento da de Lisboa há um ano, começava a tornar-se preocupante para o Barça, que tinha abdicado em parte da posse de bola. Mais sólida a defender do que a atacar, Alexia Putellas precisava da sua principal aliada para libertar a equipa. Patri Guijarro, MVP da final de 2023 frente ao... Wolfsburgo, arrancou pelo centro e abriu para a direita. Pajor podia ter deixado a bola seguir até Caroline Graham Hansen. Mas, com autoridade, dominou, tirou da frente a sua antiga colega Ingrid Engen e atirou cruzado para o poste mais distante de Endler.
O fantasma acabava de se desfazer em mil pedaços. E com a Salma Paralluelo, Pajor desfez as Fenottes. Cada uma marcou um golo, mas o 2-0 foi obra da polaca, como se a competição europeia lhe estivesse em dívida. A sua celebração extasiada mostrava toda a emoção e o desejo de vingança depois de tantas desilusões.
Este décimo primeiro golo em dez jogos colocou-a no topo da tabela das melhores marcadoras desta época, um prémio extra que pode muito bem permitir-lhe conquistar a Bola de Ouro dentro de alguns meses.
