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Caso consiga vencer o Paris SG, o Sporting iguala o seu melhor registo numa só edição da Liga dos Campeões, com quatro vitórias, o mesmo de 2008/09, temporada que terminou de forma trágica aos pés do Bayern Munique, mas a missão dificilmente podia ser mais exigente.
Numa altura delicada da temporada, marcada por várias lesões importantes no plantel, Rui Borges tem gerido o plantel para responder a todas as frentes, mas a exigência do calendário já levou os leões a perder pontos para a Liga (em Barcelos) e a deixar fugir a Taça da Liga.

De regresso à prova milionária, o Sporting pode até já ter atingido o objetivo mínimo, com a passagem ao play-off praticamente assegurada, após 10 pontos em seis jornadas, mas o desafio agora é procurar a melhor classificação possível para voltar aos oitavos de final da competição. Para isso, os leões têm de entrar em campo sem o capitão Morten Hjulmand.
Rui Borges está dormente, mas vai sentir esta ausência
Esta será a segunda vez que o internacional dinamarquês falha um jogo do Sporting na Liga dos Campeões devido a suspensão. Já com Rui Borges no comando, o capitão leonino ficou de fora da primeira mão do play-off da época passada, diante do Borussia Dortmund, e o Sporting sentiu a ausência do ex-Lecce, acabando derrotado por 0-3 e praticamente eliminado, num jogo em que o jovem João Simões fez dupla com Zeno Debast. Morita e Bragança sairam do banco, onde estava ainda Alexandre Brito.
Atendendo às baixas já habituais no plantel sportinguista, a grande maioria por lesão, Rui Borges "já não sente nada", mas não restam dúvidas da influência de Hjulmand dentro de campo.

O médio dinamarquês é o jogador do Sporting com mais recuperações de bola na Liga dos Campeões (37), mais recuperações no último terço (19) e mais interceções (11), mas também tem sido essencial no capítulo com bola, onde por vezes não é valorizado.
Na prova milionária, Hjulmand é o jogador do Sporting com mais passes completos (365), mais passes bem sucedidos no meio-campo do adversário (156), sendo ainda o segundo dos habituais titulares com melhor percentagem de acerto (93,6%), ligeiramente atrás de Diomande.
Rui Borges refere várias vezes a importância do dinamarquês no jogo do Sporting e os 452 toques, melhor registo do plantel, provam que o jogo do Sporting passa quase sempre pelo capitão.
Sem o médio de 27 anos, o técnico leonino deve recorrer novamente à dupla Morita e Simões, igualmente eficaz com bola, mas menos capaz no momento defensivo, sendo que as dúvidas sobre o estado físico do nipónico abrem espaço a uma surpresa (Kochorashvili) ou até a um regresso à dupla já mencionada neste artigo - Debast já jogou e treinou, ainda que com proteção no joelho.

Regresso a Lisboa adiado
Do outro lado, Luis Enrique, treinador do Paris SG, também vai ter de alterar o meio-campo habitual devido à ausência de João Neves. O médio está com problemas musculares e volta a parar esta temporada, falhando assim o reencontro com o Sporting, um adversário que traz muitas memórias ao internacional português.
No início da passagem pela equipa principal do Benfica, João Neves marcou o golo que empatou (2-2) o dérbi de Alvalade e atirou o Sporting para o 4.º lugar da tabela, tirando assim os milhões da Liga dos Campeões na época de estreia de Ruben Amorim no banco leonino. No reencontro seguinte, foi o médio a dar início à reviravolta épica (2-1) nos descontos diante do Sporting, no Estádio da Luz, para a Liga Portugal.

O sexto reencontro com o Sporting, até por marcar o regresso a Lisboa, estaria certamente marcado no calendário de João Neves, mas os planos foram alterados e Luis Enrique vê-se forçado a mexer no meio-campo que dominou o futebol mundial em 2025.
Vitinha, melhor marcador do Paris SG esta temporada na Liga dos Campeões, está de pedra e cal no onze parisiense e deverá ter ao seu lado o internacional francês Zaire-Emery, que perdeu espaço com a afirmação da dupla portuguesa, mas já provou há muito o seu talento na capital francesa.
Apesar da alternativa ser igualmente eficaz, não restam dúvidas de que a ausência de João Neves em Alvalade é relevante para os campeões europeus. Ao contrário de Hjulmand, o internacional português não é totalista nesta competição, mas os números mostram o quão importante é para Luis Enrique.

Apesar dos 262 minutos na prova, já ganhou 20 duelos, apenas dois a menos do que o médio do Sporting, e é o jogador do Paris SG com mais duelos aéreos (!) na prova, com 17, sendo o terceiro com mais duelos aéreos ganhos (seis, os mesmos de Hjulmand).
No capítulo ofensivo, o médio formado no Benfica, que já fez um golo e uma assistência na prova, destaca-se sobretudo pela eficácia no passe (94.1%), mas também pela forma como aparece na área adversária (10 toques contra quatro do capitão leonino), algo que também estará relacionado com as características das duas equipas.
Mas, afinal, quem faz mais falta?
No fim de contas, as duas ausências são relevantes, mas não têm o mesmo peso. João Neves faz falta a um Paris SG habituado a dominar jogos através da qualidade e da mobilidade do meio-campo, mas Luis Enrique tem alternativas testadas e um coletivo suficientemente forte para responder à ausência do internacional português. Já no Sporting, a suspensão de Hjulmand retira à equipa o seu principal ponto de equilíbrio, um capitão que protege uma equipa que atravessa um período de maior fragilidade, também devido a outras baixas relevantes, como Pedro Gonçalves, Quenda e Ioannidis.
Num jogo de exigência máxima, frente ao campeão europeu, perder o capitão e o cérebro do meio-campo pode ser determinante. Por isso, se há uma ausência que pesa mais em Alvalade, é a de Hjulmand, não apenas pelos números, mas pela forma como o Sporting depende dele para ser competitivo neste patamar.
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