José Mourinho: "Pela minha experiência e olfato, senti que estávamos a pôr-nos a jeito para 'comermos' um golo"

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José Mourinho, treinador do Benfica, em Turim
José Mourinho, treinador do Benfica, em TurimČTK / AP / Jonathan Moscrop

Leia abaixo as declarações de José Mourinho, treinador do Benfica, depois da derrota por 2-0 diante da Juventus, em Turim, na sétima jornada da fase de liga da Liga dos Campeões.

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Benfica podia ter saído de Turim com outro resultado: "Sem dúvida, mas no futebol ganha quem marca e há mil exemplos de equipas que fazem pouco para ganhar e ganham. Hoje fizemos muito para ganhar, com as nossas limitações, fazemos um jogo forte, mas nos últimos 20 metros é preciso ser objetivo, partir a baliza, atacá-la com tudo. Tivemos algumas grandes oportunidades, outras que considero meia oportunidade, em que chegas a uma zona de finalização, com um passe a mais, outro a menos... No início da segunda parte foi quando essas ocasiões se acumulavam."

Dois golos sofridos em dez minutos: "Eu, atrás da minha experiência e olfato apurado, comentava com os meus companheiros que estávamos a pôr-nos a jeito para 'comermos' um golo. Depois, o banco deles é poderoso. Nós, obviamente, temos um banco diferente. Se o penálti entra... mas estamos outra vez no 'se, se'. Críticas ao Pavlidis diria que seria um menos um, trabalha imenso para a equipa, mas a equipa precisava de um golo para reentrar no jogo novamente. O Benfica fez para muito mais, mas no pragmatismo do resultado, perdemos."

Equipa deu a cara, como pediu? "Sem dúvida. Por estarem a crescer é que também estão a jogar. Obviamente que também temos algumas lesões. Mas também há dores de crescimento. O McKennie apareceu uma vez na frente do guarda-redes e faz golo. A este nível é mais complicado, precisas de jogadores de corpo inteiro, com estaleca. Mas agora, dar a cara, assumir o jogo... Quando falei antes do jogo disse que o jogo seria dividido. A Juventus esteve em dificuldade, mas equipa italiana que depois começa a ganhar, é difícil. Depois, vi jogadores como o Barreiro e o Aursnes que têm jogado 90 minutos em praticamente todos os jogos, a fazerem um esforço extraordinário para conseguirem fazer o jogo que fizeram. Falei destes dois, mas poderia falar de muitos mais."

Contas do apuramento: "Olho para as contas de dois modos diferentes. O primeiro é que enquanto não nos disserem objetivamente e matematicamente que 9 pontos não chegam, nós vamos acreditar. A segunda é uma coisa que temos em termos de cultura como clube, é que no Benfica não são os objetivos que definem os níveis de motivação, de profissionalismo. Vamos com tudo até ao fim. E os jogadores, ao longo da época, se podem ter tido jogos de sair com a cabeça baixa e a exigirem mais da sua parte, neste caso, o que nos aconteceu no Porto e hoje, em termos de coragem, de qualidade, os jogadores têm de sair daqui valorizados. Temos de transformar a tristeza em motivação com base na confiança com que sais do jogo. Até aos últimos 20 metros do jogo, fomos muito muito competentes e corajosos, mas depois é como eu disse: temos de partir a baliza."

Na sala de imprensa

Dificuldades táticas no último terço: "Nenhuma. No par de vezes que foi preciso um bom guarda-redes, eles tiveram-no. Depois, há uma série de remates bloqueados, mérito de jogadores que sabem defender, que culturalmente se trabalha muito situações de um contra um, se apertar o jogador com posse de bola, de cobertura e dupla cobertura, mas naquela zona do campo temos de ser diferentes. Temos de ter outro perfil de jogador, pode também ser um jogador que não tem esse perfil de jogador e ir crescendo. Basta ver os números de golos dos nossos alas e não chegam aos dois digitos. Não temos jogadores que chegam aos dois digitos e creio que é isso que falta. O Trubin não era propriamente um grande jogador em construção, mas a equipa sabe agora encontrar soluções e sair a jogar, mas tem de fazer mais golos. Apesar de ter perdido o jogo, saio daqui com orgulho do que os rapazes fizeram."

Missão impossível na Champions? "Mesmo que seja praticamente impossível, o praticamente não é impossível. Mas mesmo que seja praticamente impossível, neste grupo é que, independentemente dos objetivos, tu tens de dar o que tens e tens de jogar com a responsabilidade de ser Benfica e dares o teu máximo. Não muda muita coisa o facto de ser praticamente ou não ser mesmo possível. Sabemos que é o Real Madrid, sabemos que nós somos um Benfica com limitações, mas vamos com tudo, tal como fomos hoje. A palavra que utilizou, 'azar'... tínhamos de fazer golo. A jogar como nós jogámos, a criar como criámos, a controlar como controlámos... Quando não fazes golo, abres a porta a poder sofrer, principalmente contra equipas com jogadores deste nível. Eu estava no banco com o meu olfalto de quem tem 1250 jogos no banco e estava a dizer aos meus colegas que da maneira que o jogo estava que se não marcássemos que estávamos a por-nos a jeito para sofrer. A equipa estava a jogar bem desde o Trubin. Vi coisas a sair mesmo com beleza. Chegámos à segunda fase com grande qualidade e depois chegámos aos últimos 20 metros e é difícil fazer golos. Contra o Rio Ave, aquilo que jogámos, se 'matas', sais dali com o saco cheio, mas ganhámos 2-0 e com um autogolo. Os nossos alas têm dificuldades para fazer golos, jogam bem, cada vez jogam melhor, mas não fazem golos. As nossas segundas linhas não são jogadores de fazer golos. E hoje nem de penálti conseguimos fazer golo. Foi um bom jogo do Benfica, mas para ganhar temos de marcar. Os jogadores deram o que têm e deram muito. Há aqui gente que acumula minutos, Aursnes, Barreiro, Dedic, Dahl, Otamendi... Dão tudo o que têm, mas já está. Agora é Estrela da Amadora."

Rafa pode ajudar na eficácia ofensiva? "É jogador do Benfica? Não lhe posso responder porque não é jogador do Benfica."

Faltaram soluções no banco? "Sem dúvida. O nosso banco tinha o Enzo com um braço, o Manu ainda com alguns problemas, o Bruma que ainda não está em verdadeiras condições para jogar, depois a linha defensiva, tudo bem com um António Silva preparadíssimo para ser titular, mas depois Neto, Banjaqui, Gonçalo Oliveira, Rodrigo Rêgo, João Rego... O João pode-se perfeitamente ver que está num habitat que domina e está numa fase diferente. Num plantel como o nosso é muita coisa, Bah o ano inteiro, Lukebakio, Ríos... São coisas que nos limitam bastante. Obviamente que prefiro ganhar, mas prefiro perder e ver que os rapazes deram tudo do que perder como perdemos com o SC Braga."

O que achou desta Juventus? "Eu não acho que tenha de falar da Juventus, só posso falar do jogo Juventus-Benfica, não posso falar do plantel. Mas sei que economicamente é um clube muito forte, que a cada temporada dá grandes recursos aos seus treinadores, com um banco cheio de opções e os maiores clubes do mundo são assim."

Má noite pode ser contornada com boa notícia de Rafa Silva? "Rafa Silva já perguntei aqui ao Gonçalo e, a partir do momento em que ele diz que não é jogador do Benfica, tenho de continuar a dizer que é jogador do Besiktas e que não vou comentar nada sobre o Rafa. Sobre o jogo de hoje, eu tento ser honesto na minha análise e acho que o Benfica fez um grande jogo, mas no futebol tens de fazer golos. Há quem faça golos ao fazer muito pouco para os fazer. Já me aconteceu a mim. Tentámos encontrar soluções para combater as lesões importantes, formámos uma equipa de cariz diferente, uma equipa que chega ao Porto e domina, que chega a Vila do Conde e domina, que chega a Turim e domina. Mas temos de partir a baliza do adversário. Mesmo em Vila do Conde marcámos muito pouco para tudo aquilo que produzimos. Temos de chegar lá e fazer."

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