Recorde aqui as incidências do encontro
Há rivalidade. Já se sabe que o contacto gera afecto, mas no futebol é precisamente o contrário. Barça e Atleti não esperaram sequer um minuto para começarem a atacar-se mutuamente. O primeiro a mostrar os dentes foi Rashford, que quer aproveitar a ausência de Raphinha e convencer o clube a pagar os 30 milhões da opção de compra. Musso negou-lhe o golo. A resposta veio de Julián Álvarez, que expôs Gerard Martín na linha de fundo, mas o remate saiu ao corpo de Joan García.

Longe de abrandar, as oportunidades de parte a parte continuaram neste fantástico duelo físico. Cancelo testou os reflexos de Musso. Giuliano cruzou para a área, mas ninguém apareceu para finalizar. Rashford, mais uma vez, tentou de primeira e quase marcou um grande golo. Tal como quando empurrou para o fundo das redes um passe de Lamine Yamal, que partiu em posição irregular. Golo anulado. Ficava o aviso.
Cholo Simeone percebeu que este jogo de transições não lhe era favorável e pediu mais calma aos seus jogadores, para que fossem mais cautelosos. O conjunto de Flick aproveitou a pausa para construir melhor e dar tempo a Pedri para se encontrar no jogo. O ritmo baixou ainda mais com a lesão de Hancko. Pubill entrou e, então sim, o Barça tentou tirar partido enquanto a defesa colchonera se ajustava. Só que Musso voltou a agigantar-se perante Rashford. Depois foi Lamine Yamal a desenhar uma jogada de sonho, ultrapassando três adversários de uma só vez... mas Pubill bloqueou-lhe o remate.
Eram os piores momentos do Atlético... e foi então que Giuliano ganhou as costas da defesa blaugrana, Cubarsí travou-o sendo o último homem e o árbitro, após consultar o vídeo, expulsou-o. Para agravar, no livre direto, Julián Álvarez teceu a sua teia mesmo no ângulo superior, colocando ali a bola que resultou no 0-1. Que grande golo! E que situação para o Barça: toda a segunda parte com menos um e em desvantagem.
Flick não hesitou em deixar Pedri e Lewandowski no balneário. Preferiu a intensidade de Fermín e Gavi para lidar com a inferioridade numérica. Se é que se pode chamar assim, tendo Lamine Yamal em campo. O número 10 serviu um excelente passe ao inglês e depois conquistou uma falta no mesmo local onde Julián já tinha marcado. Foi Rashford quem assumiu a responsabilidade, mas voltou a encontrar Musso e a barra pelo caminho. O Atleti não acreditava no que via, superado em vontade e em jogo.
E assim continuou até bem avançada a segunda parte. O empate esteve perto de acontecer com um desvio de cabeça de Gavi, que nem Koundé nem Dani Olmo conseguiram finalizar à boca da baliza. O domínio dos catalães era avassalador, mas o perigo estava sempre à espreita... e na primeira subida do Atlético ao ataque na segunda parte, chegou o 0-2, com Sorloth a finalizar de primeira um cruzamento perfeito de Ruggeri.
A eliminatória, com ainda 20 minutos por disputar neste primeiro duelo, corria o risco de ficar praticamente decidida se o Atleti fosse mais ambicioso. Mas Cholo, sempre cauteloso, achou melhor não arriscar. E ainda ganhou mais razões com o brilho constante de Lamine Yamal. Assim, os colchoneros limitaram-se a circular a bola sem grande profundidade, à espera do momento certo para atacar. E se não surgisse, recuavam para forçar a pressão do Barça.
Tudo ficou como estava, com o 0-2, um excelente resultado para os madrilenos, mas com a sensação de que os catalães continuam bem vivos.

