Barcelona 4-1 Copenhaga
Vencer ou vencer, e de preferência sem sofrer golos. Foi exatamente isso que Hansi Flick afirmou, insatisfeito com a incapacidade da sua equipa para manter a baliza inviolada, na conferência de imprensa antes do duelo desta quarta-feira. O contexto não podia ser mais favorável: diante de um adversário bastante acessível, quinto classificado no campeonato a 12 pontos da liderança, e a jogar em casa. O futebol, contudo, reserva surpresas mesmo quando todas as análises apontam numa só direção.

Jules Koundé, com uma vistosa fita branca como novidade, protagonizou uma perda de bola grave e permitiu o golo do muito jovem Viktor Dadason, que não se deixou intimidar apesar dos seus 17 anos. Uma finalização de grande qualidade, logo aos quatro minutos, precedida por uma assistência magistral de Mohamed Elyounoussi, que encontrou espaço suficiente no corredor central perante uma defesa desorganizada após o erro do francês.
A reação do Barcelona, como era de esperar, não demorou muito a surgir: Robert Lewandowski ficou isolado perante Dominik Kotarski, que conseguiu travar o remate e ainda defendeu um desvio de um dos seus próprios defesas. Das defesas do croata passou-se à saída decisiva de Joan García, que teve de atuar como líbero para travar uma excelente transição dos visitantes. Depois, o árbitro puniu o peruano Marcos López por demorar demasiado tempo a marcar uma falta.
Eric García, surpreendentemente a principal ameaça dos anfitriões, dispôs da sua segunda oportunidade da noite com um remate fortíssimo que embateu na trave. Num momento de frustração, Lamine Yamal viu o cartão amarelo por protestar junto do árbitro, que estava com pouca paciência (pouco depois, amonestou também Junnosuke Suzuki por uma entrada dura). No final da primeira parte, o Copenhaga ameaçou o 0-2 num contra-ataque.
Com a obrigação de acelerar, o conjunto blaugrana entrou em campo com Bernal como novidade – no lugar de Eric – e com muito mais intensidade do que antes. O próprio médio da formação tentou a sua sorte mal entrou e o empate acabou por surgir graças a uma excelente combinação entre alguns dos maiores talentos do plantel: passe em profundidade de Olmo para Lamine e finalização de Lewandowski para a baliza deserta, restabelecendo a igualdade (48').
Fermín procurou o golo da reviravolta e, entretanto, a equipa nórdica tentava subir no terreno. Tornava-se cada vez mais difícil chegar à área defendida por Joan García, que teve de sair ao limite numa chegada perigosa, depois invalidada por fora de jogo. Mas um golpe de sorte, daqueles que até os génios por vezes precisam, permitiu a Yamal ver a bola entrar na baliza graças ao desvio de um adversário à passagem da hora de jogo.
Já se adivinhava e a sentença chegou aos 69', quando o avançado polaco sofreu um ligeiro toque no momento do remate. Raphinha, menos em evidência e ainda à procura do primeiro golo nesta edição da Champions, superou Kotarski e trouxe tranquilidade ao Camp Nou após uma noite mais tensa do que o esperado. Com tudo decidido, Cubarsí acertou no ferro, Rashford juntou-se à festa com um excelente livre direto e Pereira marcou o golo de honra em posição irregular.

Nápoles 2-3 Chelsea
Um bis de João Pedro ajudou o Chelsea a vencer o Nápoles, garantindo aos Blues um lugar nos oitavos de final e ditando a eliminação dos Partenopei, cuja série invicta de 25 jogos em casa em todas as competições chegou ao fim.

Já com o apuramento assegurado na fase de liga, o Chelsea entrou neste encontro a ocupar o oitavo e último lugar que dava acesso direto aos oitavos de final. Os londrinos mantinham essa posição apenas pela diferença de golos, critério que deixava o Nápoles fora do top-24, depois de ter perdido pontos frente ao Copenhaga, reduzido a dez unidades, na 7.ª jornada. Após um início relativamente tranquilo, Juan Jesus foi penalizado ao quarto de hora por mão na bola dentro da área, na sequência de um livre de Reece James, permitindo a Enzo Fernández converter o seu quinto penálti da temporada, com um remate colocado, fora do alcance de Alex Meret.
Em resposta, o Nápoles reagiu de forma positiva, com Mathías Olivera muito ativo durante um período de pressão dos anfitriões. Esse momento ofensivo acabaria por dar frutos quando o napolitano Antonio Vergara protagonizou uma brilhante volta à Maradona, criando espaço para finalizar com classe para o canto inferior, assinando o primeiro golo sénior ao serviço do clube. Já perto do intervalo, a equipa da casa consumou a reviravolta, com Rasmus Højlund a finalizar de primeira um cruzamento rasteiro de Olivera.
Com ambas as equipas dentro das posições de play-off no arranque da segunda parte, Liam Rosenior sentiu necessidade de mexer, lançando Cole Palmer para o lugar de Neto. O reatamento trouxe um período mais calmo, mas, à passagem da hora de jogo, João Pedro disparou um autêntico míssil para o ângulo, restabelecendo a igualdade. O Chelsea precisava de mais um golo para regressar ao top-8 e, pouco depois de Romelu Lukaku — antigo jogador do clube — entrar em campo para cumprir a 800.ª partida da carreira, os londrinos voltaram a colocar-se em vantagem graças a uma arrancada individual e a um remate certeiro de João Pedro.
Esse golo, a oito minutos do fim, retirou confiança ao Nápoles, que ainda viu Robert Sánchez negar o empate a Lukaku já em tempo de compensação, selando assim o triunfo do Chelsea.

Manchester City 2-0 Galatasaray
O Manchester City assegurou um lugar no top-8 após vencer o Galatasaray por 2-0, colocando um ponto final na série de três jogos sem derrotas da formação turca frente a equipas inglesas.

A missão do City era relativamente simples: vencer para manter vivas as hipóteses de terminar entre os oito primeiros. A equipa de Pep Guardiola entrou determinada e chegou cedo à vantagem através da sua principal referência ofensiva. Jérémy Doku assumiu o papel de principal criador da jogada, ao descobrir Erling Haaland com um passe milimétrico, permitindo ao norueguês elevar a bola sobre Uğurcan Çakır e inaugurar o marcador. Conscientes de que os golos iam surgindo um pouco por toda a Europa e de que as contas estavam em constante mudança, os citizens sabiam que não podiam abrandar, algo que Nico O’Reilly levou à letra, obrigando Çakır a uma defesa de grande nível, com uma só mão, após um remate potente.
Não demorou muito até o City aumentar a vantagem, novamente com Doku no centro das operações, a assistir Rayan Cherki, que dominou e finalizou com um remate forte e colocado, assinando o segundo golo. Ao intervalo, o Galatasaray encontrava-se ainda de forma algo instável dentro do top-24, mas com o jogo praticamente resolvido ao descanso, as esperanças de apuramento dos turcos passavam sobretudo pelos deslizes dos rivais diretos na classificação.
A equipa turca apresentou-se melhor no reatamento, mas com uma tarefa hercúlea pela frente para reentrar na discussão do resultado, seria necessário um pequeno milagre para voltar a ter o destino nas próprias mãos. Para lá de um remate bloqueado de Gabriel Sara, o Galatasaray criou pouco perigo junto da baliza do City. Ainda assim, apesar de ter feito o necessário para garantir um lugar no top-8, a equipa inglesa acompanhava com atenção os resultados dos adversários diretos, numa fase em que as contas continuavam em aberto.
Rayan Aït-Nouri esteve perto de fechar a contagem, mas foi travado por Çakır à queima-roupa, embora um terceiro golo já pouco importasse para os objetivos do City. Os minutos finais foram vividos com alguma tensão por parte de Guardiola e da sua equipa técnica, atentos aos resultados noutros palcos, confirmando no final que não seriam ultrapassados. Dessa forma, o City evitou o play-off a eliminar, fase da qual havia sido afastado na época passada. Já o Galatasaray conseguiu manter-se no top-24, seguindo para o play-off.

Arsenal 3-2 Kairat Almaty
O Arsenal alcançou um recorde histórico do clube, ao somar a oitava vitória europeia consecutiva, depois de bater o Kairat Almaty por 3-2, encerrando a fase de liga com um percurso 100% vitorioso.

Num contexto em que se antevia muita emoção noutros palcos, este foi um raro encontro da 8.ª jornada sem impacto classificativo, entre duas equipas cujo destino já estava definido. Sem pressão, a formação de Mikel Arteta, líder da fase de liga, adiantou-se logo aos dois minutos frente aos campeões do Cazaquistão, já eliminados, quando Viktor Gyökeres aproveitou um passe em profundidade de Kai Havertz para finalizar de pé direito, batendo Temirlan Anarbekov.
Ainda assim, o Kairat chegou de forma inesperada ao empate, após Riccardo Calafiori ser sancionado por puxar Jorginho dentro da área, com o médio português a converter o penálti com segurança. Foi apenas o terceiro golo sofrido pelos gunners nesta fase de liga, mas a resposta surgiu pouco depois, com Havertz a marcar pela primeira vez em quase um ano. O internacional alemão recebeu a bola de Ben White na direita, flectiu para o meio e desferiu um remate colocado, sem hipóteses para Anarbekov.
A partir daí, o Arsenal procurou confirmar a sua superioridade e chegou ao terceiro golo através de Gabriel Martinelli, com um toque à boca da baliza no segundo poste, na sequência de uma jogada bem construída que ainda passou por uma longa revisão do VAR por possível fora de jogo, antes de ser validada.
Os gunners mostravam-se confortáveis frente a um Kairat com poucas soluções ofensivas, sem necessidade de acelerar em demasia. Noni Madueke ainda tentou a sua sorte de fora da área, obrigando Anarbekov a defesa segura, enquanto os visitantes procuravam evitar uma derrota mais pesada. Já nos instantes finais, o Arsenal chegou a celebrar o quarto golo, quando Gabriel Jesus finalizou com precisão após um excelente passe picado de Christian Nørgaard, mas o lance foi anulado por fora de jogo do brasileiro.
O Kairat não baixou os braços e reduziu em tempo de compensação, com Ricardinho a cabecear para o fundo das redes após cruzamento de Valery Gromyko. Tratou-se de um triunfo expectável para a equipa de Arteta, mas ainda assim importante para devolver confiança aos londrinos, depois da derrota sofrida na Premier League frente ao Manchester United no fim de semana. Já o Kairat Almaty despede-se de uma campanha histórica, mantendo vivo o sonho de alcançar, um dia, a primeira vitória na fase principal da Liga dos Campeões, após terminar a prova com apenas um ponto.

Outros resultados:
Eintracht Frankfurt 0-2 Tottenham
Em atualização
