Recorde as incidências da partida

Mais uma visita ao dentista. Pelo menos era assim que as equipas espanholas encaravam os duelos com os ingleses, sobretudo em casa deles. O ambiente, a intensidade e o ritmo transformam qualquer jogo numa autêntica prova de resistência. Ainda assim, o Barça já tinha enfrentado o desafio no norte da ilha e saiu de lá com três pontos, numa noite em que Rashford foi o herói.
O britânico não foi titular, já que Lewandowski começou de início e Raphinha e Lamine Yamal são intocáveis para Flick. O treinador alemão também surpreendeu ao lançar Araújo no onze, apostando na força física para resistir ao ímpeto inicial.
Eddie Howe, que já tinha alertado os seus para a dificuldade de superar os blaugrana, não pôde contar com Bruno Guimarães e teve de relegar Gordon, um dos seus avançados mais perigosos, para um papel secundário.
Barça sobrevive e espreita
St James’ Park transformou-se num verdadeiro caldeirão assim que o árbitro apitou pela primeira vez. As Urracas sufocaram o meio-campo do Barça e nem Pedri conseguiu encontrar os espaços que normalmente domina com facilidade.
Joelinton e Tonali tiveram liberdade para pressionar até à exaustão e o primeiro susto não demorou. Um cabeceamento de longe do médio italiano complicou bastante a vida ao guarda-redes azulgrana e Dan Burn, por poucos centímetros, não conseguiu finalizar para a baliza deserta.
A segunda jogada não chegou a assustar, mas deixou bem claro o arsenal dos anfitriões. Hall conduziu uma transição de forma brilhante, mas Osula não conseguiu finalizar perante a defesa da Cidade Condal.
A força física dos alvinegros manteve o adversário sob controlo durante largos minutos, até que o desgaste começou a fazer-se sentir. Foi então que Pedri e companhia encadearam vários passes consecutivos e Lamine Yamal começou a aparecer entre linhas.
No entanto, os anfitriões não recuaram. Elanga, apesar de estar em posição irregular, obrigou Joan García a uma defesa espetacular que arrancou murmúrios das bancadas.
Burn, primeiro, quase marcou na própria baliza numa jogada sem perigo, e Raphinha, depois, que não tomou a melhor decisão na área, desperdiçaram as melhores oportunidades dos visitantes.
O jogo de transições favoreceu os ingleses. Osula, de cabeça, e Elanga, com um remate ao centro, voltaram a ameaçar a baliza catalã.
Fermín testou os reflexos de Ramsdale antes de mais uma arrancada elétrica do extremo sueco pela direita que, por questão de centímetros e sorte, não terminou nos pés de Osula dentro da área.
O Barcelona respirou de alívio quando terminaram os primeiros 45 minutos.
Olmo e Lamine salvam o resultado
Os anfitriões tentaram repetir o arranque intenso da primeira parte. Contudo, o número de oportunidades com que Joan García teve de lidar já não foi o mesmo. A fluidez dos magpies com a bola começou a dissipar-se, embora a sua força física continuasse a limitar ao máximo a ameaça do Barça.
Nem Raphinha nem Lamine estiveram particularmente inspirados e para Lewandowski era quase impossível acompanhar o ritmo do jogo. Cada bola que passava pela zona central de Flick era devorada por um autêntico bulldozer inglês. Ainda assim, a barreira formada por Cubarsí e Gerard Martín revelou-se demasiado sólida para os anfitriões, que foram obrigados a refrescar a equipa para tentar derrubar a muralha.
Elanga, que foi um verdadeiro tormento durante grande parte do encontro, saiu do relvado, mas o seu substituto não era menos perigoso: entrou Gordon. Também houve outras alterações, com Trippier e Osula a cederem lugar a Livramento e Murphy.
Hansi Flick não demorou a mexer. O herói da fase de Liga substituiu Lewandowski, enquanto Olmo entrou para o lugar de Pedri, procurando dar nova dinâmica ao ataque azulgrana.
A jogada podia ter saído cara ao banco espanhol. O Newcastle ganhou mais posse de bola e continuou a explorar as costas dos jogadores que hoje vestiam de laranja.
A noite podia ter sido de pesadelo quando Barnes acertou no poste e Joelinton empurrou a bola para a baliza deserta. No entanto, o seu ímpeto levou-o a adiantar-se e o golo foi anulado por fora de jogo, mantendo o Barça com a baliza inviolada.
Os jogadores começaram a sofrer de cãibras e ao Barça passou a interessar mais segurar o zero do que tentar desbloquear o marcador.
Quando o jogo estava a chegar ao fim, Murphy conseguiu desestabilizar a defesa adversária. Com um excelente movimento, confundiu os defesas e colocou um cruzamento fantástico ao segundo poste. Barnes, muito ativo durante toda a segunda parte, marcou o primeiro da eliminatória sozinho e muito perto da baliza de Joan.
Parecia tudo perdido, até que Olmo tirou um drible mágico da cartola e conquistou um penálti. Lamine assumiu a responsabilidade e empatou a partida da marca dos 11 metros, aos 90+6 minutos.

