“Muita gente não acreditava que fosse possível o Sporting, com a desvantagem de 3-0, dar a volta ou igualar a eliminatória com o Bodo/Glimt, que tem um passado recente a ganhar a grandes equipas, mas foi isso que aconteceu”, disse Carlos Xavier em declarações à agência Lusa.
O Sporting apurou-se na terça-feira para os quartos de final da Liga dos Campeões de futebol, ao golear em casa o Bodo/Glimt por 5-0, após prolongamento, para inverter a derrota que tinha sofrido na primeira mão dos oitavos de final.
Depois do desaire por 3-0 na Noruega na primeira mão dos oitavos de final, Gonçalo Inácio (34 minutos), Pedro Gonçalves (61) e Luis Suárez (78, de grande penalidade) empataram a eliminatória no tempo regulamentar da segunda mão, antes de Maxi Araújo (92) e Rafael Nel (120+1) consumarem a qualificação dos bicampeões nacionais.
Carlos Xavier, de 64 anos, antigo médio que se notabilizou ao serviço dos leões, entre 1980 e 1991, com uma passagem pela Académica pelo meio, e de 1994 a 1996, enalteceu o espírito lutador da equipa que “nunca perdeu o rumo nem a esperança e o foco no objetivo traçado”.
“O Sporting entrou muito bem no jogo, podia ter feito dois ou três golos, conseguiu chegar ao intervalo a vencer por 1-0, que era muito importante, e depois na segunda parte manteve o mesmo ritmo de jogo, a mesma toada e não deixou sequer o Bodo/Glimt pensar, quanto mais jogar”, disse.
Superado o obstáculo norueguês, que tem surpreendido o futebol europeu, o Sporting vai disputar os quartos de final com os ingleses do Arsenal, regressando a esta fase da prova após 43 anos de ausência.
“Pode se esperar tudo, inclusivamente nada. É uma eliminatória muito difícil. O Arsenal está a passar por um grande momento e não é o mesmo que eliminamos recentemente (na época de 2022/23 na Liga Europa)", justificou Carlos Xavier.
O ex-futebolista, que antecipa uma eliminatória “bem disputada”, acredita que “o Sporting tem as suas armas e a esperança, até pelo que fez no jogo da segunda mão frente ao Bodo/Glimt, de conseguir fazer dois jogos de grande nível."
“O Sporting não tem nada a perder. É tentar seguir em frente. Tarefa muito complicada e difícil, tanto para o Sporting como para o Arsenal. Vai ser difícil para os dois”, disse Carlos Xavier, que há 43 anos disputou os quartos de final frente à Real Sociedad.
O antigo médio recorda que o Sporting não passou na altura às meias-finais da Liga dos Campeões “por uma infelicidade ou artimanha do árbitro, que marcou passos ao guarda-redes Ferenc Mészáros dentro da área, algo pouco habitual”.
Depois de afastar os então jugoslavos do Dinamo Zagreb (3-1 no conjunto das duas mãos) e os búlgaros do CSKA Sofia (2-2, com vantagem através da já extinta regra dos golos fora), o Sporting defrontou nos quartos de final a Real Sociedad e venceu em Lisboa (1-0), antes da reviravolta espanhola (2-0).
O capitão Manuel Fernandes adiantou os verdes e brancos perto do fim do primeiro embate, mas no frenético ambiente de San Sebastián, Juan Antonio Larrañaga e José María Bakero deram a passagem aos então bicampeões espanhóis.
Para a história do jogo da segunda mão ficou o livre a punir uns passos a mais com a bola na mão do guarda-redes Mészáros dentro da área do Sporting, que ditou, na altura, o 1-0 para a Real Sociedad e o empate a 1-1 na eliminatória.
Carlos Xavier recorda ainda que o Sporting, orientado pelo treinador-jogador António Oliveira, que foi titular, viajou para o País Basco no dia da segunda mão e não contou com o avançado Rui Jordão, cuja mãe morrera, nem com os defesas Virgílio e Pedro Venâncio.
“Uns anos mais tarde tive a felicidade de representar aquele grande clube (Real Sociedad), de uma grande cidade, de gente muito boa, os bascos. Adorei estar lá três anos, que direi terem sido os três melhores da minha vida futebolística”, finalizou.
