Acompanhe aqui as incidências e o relato do encontro
O RB Leipzig está sob enorme pressão depois de um início de temporada 2026/27 tremendamente irregular.
Embora tenha sido superior em casa, o seu desempenho catastrófico fora deixou o novo treinador, Demichelis, sob escrutínio desde o primeiro momento. A situação agravou-se com a humilhante derrota por 6-1 diante do Bayern Munique na Allianz Arena.

Quando defronta abordagens táticas de elite, a estrutura do Leipzig sem bola falha vezes sem conta. A análise tática dos últimos jogos mostra que os adversários encontraram muitas facilidades para manipular o sistema de pressão.
Marcel Schafer, membro da direção responsável pela área desportiva, criticou abertamente a atitude dos jogadores e afirmou que "nem sequer tinham reagido minimamente" nos momentos difíceis fora de casa. Veteranos da equipa, como David Raum e Nicolas Seiwald, também questionaram o funcionamento do grupo, com uma intensidade demasiado baixa e uma atitude muito passiva sem bola. Isso deixou-os em inferioridade em duelos individuais decisivos.
Analisar o desempenho da equipa em casa e fora nesta temporada é como contemplar a história do Dr. Jekyll e do Mr. Hyde.

Os números do Leipzig nos três jogos da Bundesliga em casa são os seguintes: três vitórias, 14 golos marcados (xG 11,51), 61 tentativas, 13 ocasiões claras (sete concretizadas), zero golos sofridos (xGA 3,16) e 42 remates concedidos.
Em contrapartida, os números nos três jogos da Bundesliga fora de casa são: três derrotas, dois golos marcados (xG 3,04), 41 tentativas, uma ocasião clara (concretizada), 11 golos sofridos (xGA 7,35) e 59 remates concedidos, 29 dos quais diante do Bayern.

A equipa tem sido muito mais agressiva e ofensiva em casa do que fora, onde sofreu mais golos e permitiu aos adversários criar muitas mais oportunidades.
Talvez o maior problema do Leipzig seja a incapacidade para transportar para fora da Red Bull Arena o agressivo sistema de pressão 4-3-3 de Demichelis. Para além da humilhação sofrida na Allianz Arena, perdeu por 3-1 no terreno do Werder Bremen, foi derrotado por 2-0 pelo Bayer Leverkusen e sofreu uma pesada derrota por 4-1 diante do Como na Liga dos Campeões.
A análise do sistema de Demichelis indica que o problema não é necessariamente uma "pressão alta" sem intensidade, mas sim a incapacidade para estruturar corretamente a sua execução.
Klosterman e Raum, visados
Os dados mostram que o PPDA do Leipzig (passes por ação defensiva) é de 12,7, um valor que o coloca no 11.º lugar da Bundesliga em intensidade de pressão. Isto sugere que os adversários encontram mais facilidades do que a média da liga para ultrapassar os seus blocos a partir do terço defensivo.
O defesa de 30 anos Lukas Klostermann e o capitão Raum foram visados pelas críticas. As estatísticas revelaram uma alarmante falta de intensidade e compromisso físico durante a humilhação sofrida em Munique, onde o meio-campo do Bayern percorreu quase mais sete quilómetros do que o do Leipzig.

Acima de tudo, o Leipzig não conseguiu substituir o contributo do internacional marfinense Yan Diomandé. Numa irónica reviravolta do destino, vai defrontar a sua antiga equipa esta quarta-feira, depois de ter sido vendido no verão por um valor recorde para o clube: 125 milhões de euros.
Na temporada passada, registou 13 golos e 10 assistências em 36 jogos oficiais. Apenas na Bundesliga, os seus 12 golos e oito passes decisivos traduziram-se num impressionante registo de 0,76 golos mais assistências por cada 90 minutos.
Diomandé não representava apenas uma ameaça com bola. A velocidade e excelência no drible contribuíam para desorganizar os blocos adversários. Completou o extraordinário registo de 716 sprints e venceu 437 entradas/duelos, elevando os golos esperados sem penáltis (npxG) para 11,68, o que o colocou no percentil 90 entre todos os jogadores da Liga.

Sem os 180 toques no último terço, o Leipzig perdeu uma ameaça ofensiva direta capaz de castigar as equipas em contra-ataque ou de conservar a posse sob pressão.
Além disso, embora o conjunto alemão se tenha caracterizado por atrair para o clube perfis pouco conhecidos, substituir Diomandé revelou-se inalcançável, tanto do ponto de vista matemático como tático, para o atual plantel. O marfinense podia ditar as estruturas de contrapressão, atingia uma velocidade máxima de 36,3 km/h e alterava e marcava instantaneamente o ritmo dos jogos equilibrados.
