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No Clássico por excelência na última década da Champions, foi um estreante como Arbeloa quem venceu a batalha tática a um veterano e campeão como Guardiola. E foi um falcão, antes passarinho, quem executou na perfeição a ideia do falso 9 perante quem a tinha aperfeiçoado com Messi e o Barça nos primórdios da era moderna do futebol.

Fede Valverde, assim se chama o novo caçador do Bernabéu, foi o jogador total. Numa primeira parte de sonho, encaminhou a eliminatória para o Madrid graças à sua potência, habilidade, sangue frio, qualidade e serenidade. Marcou três golos, cada um mais bonito que o anterior. O primeiro, depois de algumas perdas e da velocidade de Doku terem colocado a defesa blanca em apuros, surgiu com um passe longo de Courtois. Valverde superou O'Really com um controlo orientado que o deixou isolado perante Donnarumma. Com passada larga, chegou antes do guarda-redes para fazer um auto-passe e marcar já com a baliza deserta.
O City não perdeu a compostura. Com menos médios do que é habitual em Guardiola, mas com Rodri a comandar, quis continuar a causar perigo pela esquerda, com um Doku que expunha Alexander-Arnold em cada lance. Por sorte para este, Thiago, Brahim e, claro, Valverde, ajudaram-no várias vezes para afastar o perigo.
E assim que foi possível, voltou a sair à caça. Foi aí que apareceu Vinícius para meter um passe interior ao seu capitão. Fede, apesar de um ligeiro toque de Rúben Dias, controlou e disparou um remate rasteiro e diagonal que Donnarumma não conseguiu travar. Era o 2-0 antes da meia hora.
Longe de se acomodar, o Real Madrid tornou-se ainda mais solidário nas ajudas. Todos pressionavam, todos corriam com e sem bola. E nessas, numa jogada de difícil resolução, Brahim lançou um passe por cima da defesa que chegou a Valverde. O uruguaio não quis ficar atrás e controlou com um cabrito para ficar isolado perante o guarda-redes e, sem deixar a bola cair, assinou o hat-trick.
O Bernabéu levantou-se, gritou o seu nome, encheu-se de lenços brancos. Não era para menos. Em 41 minutos, estava a vencer por 3-0 o todo-poderoso Manchester City. Uma primeira parte para guardar, sem dúvida, e inesquecível para o falcão.
Vini e a maldição dos penáltis
O jogo recomeçou com Fran García a substituir Mendy e uardiola a recuar, colocando um médio como Reijnders e retirando um avançado como Savinho. O que não mudou foi o poder de finalização. Desta vez, Donnarumma conseguiu travar Brahim e evitar o quarto golo. Pouco depois, após uma intervenção de Courtois a remate de Semenyo, o guarda-redes italiano voltaria a ser herói depois de se vestir primeiro de vilão: cometeu penálti sobre Vinícius, que tinha ganho a corrida a todos, mas o brasileiro voltou a mostrar que não é especialista em marcar penáltis. O guarda-redes adivinhou-lhe a intenção e baixou o entusiasmo no Bernabéu.
Esse falhanço devolveu vida ao City. Respirou fundo e aproveitou o abalo anímico para recuperar o controlo e aproximar-se com perigo da sua área. Fran García evitou com a ponta do pé que a bola chegasse limpa a Semenyo. E Rüdiger afastou na pequena área uma fração de segundo antes de Haaland rematar sozinho ao segundo poste. Pelo meio, Tchouaméni levou uma pancada entre o gémeo e a tíbia que fez temer o pior. O francês continuou, embora a coxear.
O pior, no entanto, podia ter chegado num excesso de confiança e erro grosseiro de Thiago, que deixou que lhe roubassem a bola na sua área. O'Really rematou de imediato e Courtois tirou uma perna milagrosa, à guarda-redes de andebol, para evitar o golo do City que os mancunianos já celebravam. Se não é a defesa do século, pouco lhe falta.
A partir daí, o Real Madrid aumentou o seu trabalho defensivo para garantir esses três golos de vantagem para a segunda mão no Etihad, que promete um jogo de características diferentes.

