Acompanhe as incidências da partida
O verão de 2025 foi marcado por abalos para o Lyon. O clube do Ródano foi inicialmente despromovido administrativamente para a Ligue 2 pela DNCG, mas conseguiu manter-se após recurso, graças a um plano de recuperação financeira. Para equilibrar as contas, o Lyon vendeu peças importantes: Cherki, Lucas Perri, Georges Mikautadze, saída de Lacazette no final de contrato, fim do empréstimo de Almada... No total, o clube fechou o mercado com um saldo positivo superior a 70 milhões de euros. Em teoria, o plantel ficou mais fraco. Mas Paulo Fonseca viu aí a oportunidade de reconstruir um coletivo mais jovem, mais móvel e mais coeso.
A marca Fonseca: estrutura, juventude e rendimento máximo
Apesar de uma suspensão de nove meses que o afastou do banco (até dezembro, para a Ligue 1), Paulo Fonseca manteve o controlo do projeto e construiu o plantel com uma equipa de recrutamento que finalmente teve liberdade para apostar em jogadores estrangeiros sem estar sujeita às escolhas de John Textor.
Assim chegaram às margens do Ródano Afonso Moreira, contratado por apenas 2 milhões de euros mas que já soma 11 intervenções decisivas (5 golos, 6 assistências) em 22 jogos, ou seja, uma ação decisiva a cada dois jogos. Pavel Šulc, que herdou o número 10 do "general" Lacazette, tornou-se um verdadeiro líder ofensivo: 17 intervenções (12 golos, 5 assistências), sendo o melhor marcador do Lyon. Tudo isto quando o clube só investiu 7,5 milhões de euros para o tirar ao Viktoria Plzen.

O último golpe desta equipa de recrutamento: Endrick, emprestado pelo Real Madrid, que teve impacto imediato (1 golo, 1 assistência em dois jogos). O resto é fruto da construção ágil do treinador português, que optou por colocar Tolisso como falso 9 após a saída de Mikautadze, antes de descobrir o instinto goleador adormecido de Šulc e torná-lo a sua principal arma ofensiva, ou ainda de adaptar Abner, inicialmente lateral-esquerdo, como médio interior direito frente ao St Cyr Collonges (3 golos em 3 jogos nessa posição desde então).
De destacar também recentemente: a afirmação do ex-Casa Pia Ruben Kluivert, muito criticado nas suas primeiras aparições pelo Lyon, o renascimento de Moussa Niakhaté, recentemente campeão com o Senegal na CAN mas longe do seu melhor nível na primeira época em Marselha, ou a época sólida de Tanner Tessmann, que se tornou um médio fiável do onze dos Gones ao ponto de ser cobiçado neste inverno.
Uma bela sequência até ao top 4
O Lyon destaca-se assim por uma organização clara, um pressing mais coordenado com um bloco sólido e uma capacidade de potenciar os jogadores em vez de depender de estrelas. Paulo Fonseca soube atribuir responsabilidades a estes jovens, dinâmicos, perfeitamente adaptados ao seu futebol de transições rápidas e mobilidade ofensiva.
"A equipa evoluiu mentalmente desde o jogo com o Auxerre (a 23 de novembro de 2025), percebeu que tem de ser igual em todos os jogos, analisou Paulo Fonseca em conferência de imprensa antes de defrontar o Metz este fim de semana. "Também evoluímos taticamente, sobretudo no plano defensivo, em que conseguimos encontrar alguma estabilidade. Ofensivamente, agora temos a possibilidade de jogar em vários sistemas e de mudar de características".

No regresso ao banco após a suspensão, a 7 de dezembro, Paulo Fonseca venceu 7 dos seus primeiros 8 jogos da época em todas as competições. O clube está atualmente apurado para a fase final da Liga Europa e na luta por uma qualificação direta para os oitavos de final. No campeonato, soma 33 pontos e instalou-se no top 4.
Outro sinal forte: o rendimento no Groupama Stadium. Paulo Fonseca apresenta 78% de vitórias em casa, o melhor registo para um treinador do Lyon desde a inauguração do estádio há dez anos. Apesar desta dinâmica, o OL só tem o 6.º plantel mais valioso da Ligue 1 (cerca de 220 milhões de euros), mas com uma clara progressão de +36% desde 15 de setembro de 2025 (de 160 milhões para 220 milhões de euros). Números que mostram a valorização individual dos jogadores mas, acima de tudo, provam que o principal trunfo do clube continua a ser a sua força coletiva.
"Se me tivessem perguntado onde estaríamos em janeiro..."
O próprio Paulo Fonseca admite estar surpreendido por ver o Lyon a lutar atualmente pelos lugares de acesso à Liga dos Campeões. "Se me tivessem perguntado no início da época onde estaríamos em janeiro, teria dito que seria difícil", confessou. "Mas, durante a pré-época, senti que havia potencial para crescer. É uma equipa com muita qualidade e características muito importantes".
Mas deixa um aviso ao grupo antes de uma sequência de cinco jogos em duas semanas: "Temos de manter a calma e o equilíbrio. Não é por termos vencido sete jogos que somos a melhor equipa de França, tal como quando acumulámos derrotas, não éramos a pior equipa de França. (...) O meu trabalho também passa por gerir os momentos, encontrar as palavras certas para levar os jogadores aos objetivos, mas fazê-los manter os pés assentes na terra. Temos uma equipa equilibrada mentalmente".
